«Pode ser discriminação»: adversário de Portugal reage ao cancelamento de jogo particular
O governo da República Democrática do Congo classificou como um ato que «poderia supor discriminação» a decisão das autoridades espanholas de La Línea de la Concepción (Cádis) de cancelar o jogo particular contra o Chile, agendado para o próximo dia 9, como medida de precaução face ao surto de ébola no país africano.
A polémica surgiu após o presidente da câmara, Juan Franco, ter emitido um decreto que proíbe a realização do encontro, invocando «prudência sanitária» e «possíveis riscos sanitários».
Em resposta, o ministro da Comunicação e porta-voz do governo congolês, Patrick Muyaya, expressou o seu desagrado: «Estamos a ter sérios problemas com as autoridades espanholas porque decidiram que o segundo jogo que a nossa seleção nacional deveria disputar (...) não pode ser jogado por causa do ébola», afirmou o ministro numa conferência de imprensa virtual organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Muyaya afirma que a decisão é injustificada, uma vez que a equipa não representa um risco. «Nenhum dos nossos jogadores joga em Kinshasa [capital congolesa] nem na República Democrática do Congo. Todos eles estão há cerca de três semanas na Bélgica, a concentrar-se na preparação para o Mundial, pelo que este tipo de decisão pode supor discriminação», defendeu. «Não é muito justo, tendo em conta todo o esforço que estamos a realizar».
Entretanto, a Federação Congolesa de Futebol já anunciou que está em contacto com as autoridades espanholas para tentar reverter a decisão, garantindo que foram cumpridos todos os protocolos sanitários exigidos. A seleção chilena, por sua vez, propôs a realização do encontro à porta fechada, numa tentativa de evitar o cancelamento definitivo do particular marcado para o próximo dia 9.
A seleção da RD Congo, que regressa ao Mundial após 52 anos de ausência, integra o grupo K juntamente com Portugal, Colômbia e Uzbequistão. Antes da viagem para a Bélgica, os treinos em Kinshasa foram cancelados, embora a capital se encontre a cerca de 2.000 quilómetros de Ituri, o epicentro do surto de ébola que, segundo dados oficiais, já acumula 363 casos confirmados e 62 mortes.