€300 milhões/ano com a centralização
Quando uma sociedade desportiva recebe a apresentação da Liga sobre a centralização e a receita total anual apenas prevê três cenários (250, 275 e 300 milhões de euros) fica com uma certeza e uma grande esperança — a certeza é que, na pior das hipóteses, a receita anual vai ser de 250 milhões de euros e a esperança é que o valor vai ser superior a 300 milhões de euros.
Em abril de 2025, na tomada de posse, o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, geriu bem as expectativas. Assumiu que naquele momento a Liga não tinha qualquer proposta — quando viesse a ter, seria sempre superior a zero.
Estão de parabéns o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, o CEO André Mosqueira do Amaral e as sociedades desportivas que trabalharam arduamente neste dossiê, o número é fantástico. Há mais de um ano, escrevi aqui em A BOLA que, com a centralização, a receita total ia crescer, mas nunca tinha imaginado um valor tão impressionante.
A chave proposta para aprovação na próxima semana ainda é demasiado complexa. Até dia 30 de junho há bastante tempo para partir pedra e conseguir uma chave mais simples e em que se revejam os três maiores, o SC Braga e o Vitória de Guimarães, a classe média-alta da I Liga, a classe média baixa da I liga e toda a II Liga. Unanimidade será impossível, mas haver uma grande maioria a aprovar é importante.
Em vez da proposta da chave, talvez pudessem ter começado por apresentar as propostas que garantem o mínimo dos 250 milhões de euros por ano.
A Liga, local da próxima batalha de Villas-Boas
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, quando foi eleito, tinha várias batalhas internas para ganhar. Bastava não ganhar uma e perderia a guerra. A financeira (1), a desportiva (2) e a relação com os adeptos (3). Por esta ordem, que o momento que o FC Porto vivia e o expressivo resultado das eleições revelava a hierarquização das prioridades dos sócios. Ganhou todas.
Na próxima época, AVB vai privilegiar novamente a vitória do campeonato — é impossível vencer a Champions. Tem um possível marco histórico no horizonte, ser durante a sua presidência que o FC Porto ultrapasse o Benfica como o clube com mais campeonatos conquistados (38-31 a favor do Benfica, neste momento).
Aventou, no passado, propor uma limitação do número de mandatos aos presidentes do FC Porto, o que é um erro, como se tem revelado em outros setores em que foi adotada — no poder local, por exemplo. Importante seria limitar a idade máxima em que alguém pode ser presidente do FC Porto.
No final dos anos 80, numa crónica de A BOLA sobre Bernard Hinault e os seus Tour de France, contava-se uma história passada no início da sua carreira, em que ainda era um jovem e não tinha ganho a prova. Estava em segundo lugar nessa edição e todos os dias atacava e testava o líder. Numa conversa informal, um jornalista experiente tinha-o aconselhado a gelar o sangue quente, poupar energia e atacar uma única vez. Hinault respondeu-lhe que o primeiro estava muito mais forte do que ele, que só lhe ganharia se o adversário tivesse um dia mau e só saberia se ele estava num dia mau se atacasse todos os dias. Ficou em segundo e depois ganhou cinco edições do Tour.
Em 2011, à saída de uma conferência numa sala do primeiro andar do Altis, encontrei Pinto da Costa. Nessa noite, o FC Porto ia jogar a segunda mão de uma meia-final da Taça de Portugal com o Benfica, com quem tinha perdido no Dragão, por 0-2, na 1.ª mão. Disse-me que o jovem treinador (AVB) estava convencido que iam passar à final. Antero Henrique também acreditava. Alugaram um jato privado para que um jogador sul-americano pudesse chegar a tempo e jogar. O plano era esse jogador dormir até à hora do jogo, mas pediu para ser acordado, almoçou com os colegas e voltou a dormir. O FC Porto ganhou 3-1, passou com a antiga vantagem dos golos fora de casa. Ainda no relvado, o único comentário de Antero Henrique à épica vitória foi «temos de ganhar a final». Ganharam.
A próxima batalha de AVB vai ser liderar a Liga. Tem dois caminhos: converter Reinaldo Teixeira ou um seu candidato vencer as eleições em 2027.
Se cada português teria feito uma convocatória diferente, poucos o teriam excluído da convocatória da Seleção Nacional que vai disputar o Mundial.
Pela sua qualidade e por ter características muito diferentes de todos os outros convocados. Experiente, tem 30 anos, foi internacional 55 vezes e já esteve presente em fases finais de Mundiais e Europeus. Foi campeão de Portugal, jogou três anos na Premier League e um na Bundesliga, no Bayern de Munique. Esta época foi decisivo na salvação da descida de divisão do Tottenham, como a exigente imprensa inglesa justamente enalteceu. Tão improvável era a descida, que o facto de ter sido possível nas últimas jornadas dividiu a atenção mediática com a luta pelo título entre o Arsenal e o Manchester City. A forte personalidade e coragem que revelou nos últimos e dramáticos jogos são o seu normal.
Marcou vários golos decisivos, jogou lesionado (apesar de estar emprestado ao Tottenham pelo Bayern e ser ano de Mundial) e até esteve disponível para fazer vários jogos adaptado a central, como naquele que garantiu ao Tottenham terminar a fase de grupos da Champions num dos oito primeiros lugares, evitando o play-off.
As condições atmosféricas em que o Mundial vai ser disputado vão exigir jogadores com caráter e que ultrapassem os limites do humanamente possível (intervalando temperaturas elevadíssimas e interrupções prolongadas sempre que trovejar). A confirmar-se o regresso a Portugal na próxima época, a equipa que o contratar sabe que se no inverno tiver três jogos numa semana, um em casa com o Gil Vicente, dias depois em Old Trafford para a Champions e o último numa fria segunda-feira à noite em Viseu, o João Palhinha vai disputar os 270 minutos dos três jogos com a mesma intensidade e mentalidade vencedora.