«Chiquinho chegará ao Sporting com fome de títulos»
— Como avalia a época do clube do seu coração, o Sporting?
— Desportivamente, acabar sem títulos não foi positivo, mas a campanha na Champions foi categórica e afirmou o clube na Europa. O segundo lugar na Liga também garantiu o acesso à prova milionária, o que permite novos investimentos. O título ficou longe pelo desgaste europeu, que gerou empates consentidos, enquanto o FC Porto geriu melhor o plantel numa Liga Europa menos exigente. O Sporting está no bom caminho e sinto confiança na Direção; manter a presença na Champions assegura a sustentabilidade futura. Agora, o clube enfrenta uma transição com a saída do Ruben Amorim. Os ciclos duram dois a três anos e o plantel precisa de ajustes para dar concorrência interna e alternativas à altura para homens como Trincão, Pote, Suárez, Hjulmand ou Morita, tornando o grupo mais homogéneo.
— Orientou o Chiquinho no Sporting e no Estoril, e fala-se que ele pode rumar a Alvalade. Tem nível para corresponder?
— Penso claramente que sim. Treinei o Chiquinho nos iniciados do Sporting e mais tarde no Estoril também, onde o lancei com sucesso na Liga 2. É um miúdo com uma qualidade técnica acima da média, muito veloz e explosivo. Define muito bem os lances e cria imensos desequilíbrios no um contra um. O Sporting precisa precisamente deste perfil de jogadores desequilibradores. Está numa excelente idade, com 26 anos, para se afirmar num clube com esta dimensão. Já passou pelo Wolverhampton e por vários contextos competitivos, pelo que chega maduro, preparado e com muita fome de vencer, por ser um jogador que ainda não conquistou títulos coletivos grandes. E o Sporting atual exige jogadores com essa ambição. O Chiquinho preenche esses requisitos; quando o vejo jogar no Alverca, noto que está claramente num patamar acima dos restantes em termos técnicos. Ele precisa agora de dar este salto natural na carreira.
— O Daniel Bragança, que também passou pelas suas mãos, não tem sido uma aposta consistente. Não seria melhor para ele sair?
— Já conversei várias vezes com o Dani sobre esse assunto. Acho que ele até poderia sair para o estrangeiro para fazer um contrato financeiramente muito mais vantajoso nesta fase, mas também acredito piamente que ele tem o perfil ideal para ficar o resto da vida no Sporting. O Bragança é daqueles jogadores emblemáticos que, quando terminar a carreira de chuteiras calçadas, se fizer o seu percurso todo em Alvalade, pode perfeitamente assumir um cargo de relevo na Direção ou na estrutura do futebol profissional. É um rapaz extraordinariamente educado, intelligentíssimo, que sabe estar e que encaixa na perfeição no ADN histórico do Sporting. É o perfil que se pretende para liderar o clube no futuro, seja como diretor desportivo ou na Academia. Compreendo perfeitamente que os jovens hoje queiram realizar a sua independência financeira e qualquer clube lá fora paga facilmente o dobro do que se ganha cá em Portugal, mas ele é uma peça muito importante no Sporting atual. Jogando num meio-campo a três, caso não seja fustigado por lesões, tem todas as condições para ser titular indiscutível e afirmar-se na próxima época como uma figura preponderante na equipa.
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