Benfica: «Camionetas de pessoas para entrar no clube? Tem tudo para correr mal»
Em entrevista a A BOLA, o líder da Lista D para as eleições de 25 de outubro no Benfica tocou em vários temas.
— Como surgiu a ideia de se candidatar a presidente do Benfica?
— Luís Felipe Vieira cai e entra Rui Costa. Sentimos que poderia ser alguém que iria trazer credibilidade, visão de futuro, investimento no futebol e com qualidade, alguém que poderia ser disruptivo e cortar com o passado de Luís Felipe Vieira, um passado recente, que não era a linha do futuro do Benfica. Claramente se percebeu nos dois primeiros anos que não era esse o caminho de Rui Costa. Das conversas que mantivemos, num grupo de amigos, nasce a ideia de apresentarmos um projeto e eu ser o líder, porque me identificaram como tendo o perfil. Queremos um caminho diferente, mais profissional, pensar o clube de outra maneira. Tenho consciência de que o projeto iria ter dificuldades de tração, é uma coisa nova, mas é aquilo em que nós acreditamos. Somos todos profissionais e olhamos para o Benfica não só na perspetiva emocional, mas também racional. Enquanto o benfiquista não ligar a parte financeira à parte desportiva, e as duas estiverem em concomitância, dificilmente o Benfica terá sucesso. Os benfiquistas vão estranhar, e estranharam, mas começa a entranhar-se e achamos que esse é o caminho do Benfica. Conheço hoje a realidade do Benfica e deixa-me preocupado. Não tanto as eleições, mas sim o pós-eleições, com a incerteza que vivemos e fundamentalmente pelos projetos que estão a jogo, que não são para um Benfica de futuro. É assim que chego ao Benfica e estas são as razões de fundo pelas quais me apresento aos benfiquistas.
— Muito se fala agora de remunerações, vencimentos, do facto de existirem seis candidatos. Muito claramente: candidata-se também por protagonismo e dinheiro?
— Na sociedade portuguesa em geral, e no Benfica, sempre que alguém faz alguma coisa é criticado. Estou muito seguro do futuro do Benfica, mas sei que seria sempre criticado. O protagonismo que ganhei dispensava-o claramente, porque não é bom. Desde o momento em que saí da minha vida, do meu anonimato, sou criticado por tudo. Não vou ganhar, até agora não ganhei nada com isso a não ser uma série de haters que disseram mal de mim e meia-dúzia que se atreveram a dizer bem. Acredito muito naquilo que penso para o Benfica e no nosso projeto. Tenho um amor profundo por aquele clube e é aquilo que me move, é a marca que quero deixar. Nunca mudei a minha estratégia desde o primeiro momento até agora. Quando me perguntam porque não apresento mais pessoas, mais pessoas ligadas ao futebol na minha lista, digo-lhes a mesma coisa: não me vendo a interesses instalados. Quero os melhores dos melhores para este clube e se chegar a presidente terei tempo para escolher. Além disso, o Benfica é também uma grande empresa e quando chegamos a uma grande empresa não se leva logo um camião cheio de pessoas para substituir outras, isso é errado. Primeiro temos de ver os recursos que temos. As mudanças devem ser bem feitas e com tranquilidade, não é como vejo em determinadas candidaturas, que já levam camionetas de pessoas para colocar dentro daquele clube. Os benfiquistas que me desculpem, mas tem tudo para correr mal.
— Vencendo as eleições, quais seriam as três prioridades para os primeiros 100 dias?
— A primeira é imediatamente voltar à mesa das negociações dos direitos televisivos, é muito importante o Benfica voltar a liderar esse processo, preparar-nos para uma estratégia de como é que vamos encarar daqui a dois anos a centralização; acho que o Benfica não tem plano para isso; nenhum candidato falou ainda num plano, estão todos muito preocupados com quanto é que vamos receber por ano nos próximos dois anos e não vejo ninguém preocupado com uma estratégia montada e diferente para abordar o tema daqui a dois anos. A segunda medida é rapidamente implementar um critério dentro do clube para subirem à equipa principal pelo menos três jovens do Seixal por época. É fundamental acabar com esta rotatividade dos jogadores. A terceira medida é criar uma equipa profissional, sentar, melhorar e voltar a dar uma imagem às casas do Benfica e não permitir o degredo em que elas se encontram.
— Como é possível aumentar o investimento e ao mesmo tempo reduzir dívida?
— É o dia-a-dia das empresas. Para se aumentar o investimento é preciso aumentar dívida. É preciso um plano, uma estratégia, um objetivo; um plano de negócios e perceber qual é o retorno. O Benfica tem de crescer, tem de fazer um investimento à sua dimensão. Precisa recomprar as ações, revalorizar a SAD. Há muitos investidores que querem investir no Benfica.
— Defina a sua candidatura em três ideias-chave.
— Transparência, honestidade e trabalho.
— Se não tiver o resultado esperado, como agirá a seguir?
— Obviamente que se o meu resultado for ir a uma segunda volta, será surpresa, mas ótimo; se for o contrário, há que perceber quem são os candidatos.