Depois de assumir o sonho de representar a seleção francesa,  Tetart está envolvida em polémica na WNBA. Foto Instagram Julie Tetart
Depois de assumir o sonho de representar a seleção francesa, Tetart está envolvida em polémica na WNBA. Foto Instagram Julie Tetart

Basquetebolista trans, Julie Tétart, está a deixar a WNBA em polvorosa

A francesa que representa o Mónaco assumiu o desejo de jogar na Liga americana de basquetebol, num momento em que a polémica por causa dos atletas transgénero está instalada

A crescente controvérsia na WNBA sobre a participação de atletas transgénero ganhou um novo capítulo, envolvendo a jogadora francesa Julie Tétart, a basquetebolista das Indiana Fever, Sophie Cunningham, e até um antigo comentário de Donald Trump sobre LeBron James.

A polémica reacendeu-se no mês passado, quando Sophie Cunningham, das Indiana Fever, apelou à «proteção das raparigas» nos balneários, uma posição que mereceu o elogio da Casa Branca. A secretária de imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que este é um assunto que «o presidente encara com muita seriedade» e criticou as vozes que se opuseram às declarações da jogadora.

Em declarações à ESPN, Cunningham, descrita online como «MAGA Barbie», defendeu a necessidade de «proteger o desporto feminino» e afirmou não acreditar que pessoas nascidas homens devam ser autorizadas a competir na liga. «Quero proteger as raparigas num balneário, ou as jovens no desporto que não deveriam ter de competir contra homens biológicos», disse.

Até agora, a WNBA tinha conseguido manter-se à margem do debate, em grande parte por não haver muitas atletas abertamente transgénero a quererem competir na liga. Embora a WNBA nunca se tenha pronunciado oficialmente sobre a permissão de atletas trans, muitas jogadoras mostraram-se favoráveis à ideia. As declarações de Cunningham, no entanto, alteraram o cenário, gerando manifestações de apoio e de oposição nos jogos e levando figuras como a treinadora das Minnesota Lynx, Cheryl Reeve, e a treinadora das Golden State Valkyries, Natalie Nakase, a contestarem publicamente a sua posição.

A controvérsia escalou esta semana quando o OutKick, um meio de comunicação desportivo propriedade da Fox News, arrastou a jogadora francesa Julie Tétart para o debate. Tétart, uma mulher transgénero de 34 anos que joga pelo Mónaco na Ligue 2, a segunda divisão francesa, respondeu a uma mensagem do OutKick, admitindo que aceitaria um convite da WNBA, mas acrescentou: «Temos de ser realistas: sou velha e há jogadoras muito melhores do que eu!»

O OutKick publicou então um artigo a criticar a WNBA, apelidada de «inclusiva», por não ter contratado a jogadora após a sua época dominante em França. O fundador do meio, Clay Travis, chegou a chamar a liga de «transfóbica» na rede social X, transformando Tétart num alvo de ataques transfóbicos.

Esta situação colocou a WNBA numa posição delicada. Se a liga não procurar contratar Tétart, os críticos poderão acusá-la de ter um apoio meramente performativo aos atletas transgénero. Se, por outro lado, a contratar, esses mesmos críticos poderão usar o facto como prova de que a WNBA está disposta a comprometer o desporto feminino por razões políticas.

A polémica em torno de atletas transgénero nos EUA intensificou-se após o regresso da estrela da WNBA Brittney Griner, que esteve detida durante 10 meses na Rússia. Após a sua libertação em dezembro de 2022, os meios de comunicação conservadores usaram o seu apoio a atletas transgénero e ao movimento Black Lives Matter para a retratar como antiamericana, abrindo caminho para que Julie Tétart se tornasse o novo alvo.

A discussão foi ainda alimentada pela viralização de um comentário de 2022 de Donald Trump. Num evento da Turning Point USA, o antigo presidente brincou que seria o melhor treinador de basquetebol feminino de sempre, pois bastaria perguntar a LeBron James se ele tinha «algum desejo de ser mulher».

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