Bashar al-Assad foi condenado à morte na Síria, mas leva vida de luxo em Moscovo
Condenado à morte à revelia na Síria, o antigo líder Bashar al-Assad vive atualmente em Moscovo uma vida de luxo, impunidade e discrição. A capital russa tornou-se o refúgio do autocrata que governou o país do Médio Oriente durante duas décadas e meia, antes de ser deposto por um processo revolucionário em dezembro de 2024.
Após a agitação inicial que se seguiu à sua fuga da Síria, o ex-ditador tem mantido um perfil discreto, mesmo por parte das autoridades ligadas ao Kremlin. Não existe qualquer registo de um encontro entre Assad e o presidente Vladimir Putin, que foi seu firme aliado durante anos na guerra civil e na luta contra o Estado Islâmico.
Enquanto Assad permanece em silêncio, o novo governo sírio, liderado pelo ex-líder revolucionário Ahmed al-Sharaa, tem-se aproximado de Moscovo. Sharaa intensificou as iniciativas diplomáticas com a Rússia e os Estados Unidos, tendo viajado duas vezes para a capital russa e negociado recentemente um modelo para a operação conjunta de bases militares russas no país como centros de treino.
Apesar da discrição, a rotina da família Assad é marcada pelo luxo, segundo informações de publicações ocidentais. O jornal alemão Zeit noticiou que o ex-ditador e os seus familiares vivem numa zona abastada de Moscovo. Já o Financial Times revelou que, entre 2013 e 2019, familiares de Assad adquiriram cerca de 20 apartamentos num complexo conhecido como Cidade das Capitais, num investimento de 35 milhões de euros.
Um colaborador próximo contou ao jornal alemão que Assad, um oftalmologista que chegou ao poder após a morte do pai, passa os seus dias a jogar videojogos, a passear num centro comercial de luxo nas proximidades ou a frequentar a sua dacha, uma casa de campo tradicional russa nos arredores de Moscovo.
A segurança da família está a cargo do Serviço Federal de Segurança (FSB), a mesma agência que protege outros políticos exilados, como Viktor Yanukovich, o ex-presidente ucraniano pró-Moscovo. Esta proteção a aliados, mesmo após derrotas, é vista como um gesto de forte valor geopolítico que reforça a credibilidade da Rússia junto dos seus parceiros.