A desilusão estampada na expressão de Trubin no clássico com o FC Porto - Foto: LUSA
A desilusão estampada na expressão de Trubin no clássico com o FC Porto - Foto: LUSA

Aumenta a pressão sobre Trubin: raios-x aos erros do guarda-redes do Benfica

Falhas do guarda-redes ucraniano com impacto em três das últimas quatro jornadas. Falta de agilidade e nervosismo com a bola nos pés já custaram caro esta época

Anatoliy Trubin acumula erros numa época de altos e baixos ao serviço do Benfica. O guarda-redes ucraniano facilitou contra o FC Porto, domingo, no clássico da jornada 25.ª jornada da Liga, logo aos 10 minutos e pagou caro. Não conseguiu segurar um primeiro remate relativamente fraco de Victor Froholdt, defendeu-o para a frente e o médio dinamarquês, à segunda tentativa, aproveitou para inaugurar o marcador no Estádio da Luz.

Trubin voltou a ficar mal na fotografia, como aconteceu nas últimas semanas. O internacional ucraniano não ficou isento de culpa em três dos últimos cinco golos sofridos pelas águias na Liga.

Em Barcelos, na jornada 24, Trubin procurou defender, no meio da baliza, um remate de Héctor Hernández que… entrou junto ao primeiro poste. A imagem a cair devagar para a direita, com a bola a entrar devagar perto do poste esquerdo, tornou tudo pior.

Trubin foi visado no final da partida por José Mourinho. «A tentativa de reposição rápida de Trubin, numa situação como aquela, não se deve fazer. Foi o primeiro momento difícil que tivemos no jogo. Temos de saber gerir de outra forma, menos naive [ingénua]», argumentou, remetendo para sucessão de lances que originaram pressão do Gil Vicente.

Trubin vacilou quando as águias estavam em vantagem em Barcelos, tal como tinha acontecido duas semanas antes, nos Açores, na jornada 22.

As águias venciam o Santa Clara por 2-0, a 13 de fevereiro, quando Trubin perdeu o controlo de um cabeceamento fraco e sem perigo aparente de Gonçalo Paciência e deixou o esférico passar entre as pernas. As águias, ainda assim, seguraram a vantagem mínima e José Mourinho confortou o gigante ucraniano no final da partida, passando-lhe confiança.

As principais debilidades

Entre exibições intermitentes nas competições domésticas, o guarda-redes ucraniano também ficou mal na fotografia em Madrid, na segunda mão do play-off da UEFA Champions League, a 25 de fevereiro.

Trubin demorou ‘largos’ segundos a descer ao relvado para agarrar um remate cortado por Otamendi e Arda Guler aproveitou para colocar o Real em vantagem no marcador. O guardião ucraniano foi ‘salvo’ por um fora de jogo assinalado, após intervenção do VAR, que anulou o golo dos merengues.

A maior dificuldade apresentada por Trubin desde que rumou à Luz, no verão de 2023, prende-se precisamente com a falta de agilidade para descer ao relvado e defender remates que passem mais perto do próprio corpo.

A envergadura do gigante guardião ucraniano (1,99 m) ajuda a explicar tal fragilidade, que se reflete também em maiores dificuldades na defesa de remates rasteiros. Trubin foi criticado em dezembro de 2025 pela abordagem no remate certeiro de Pote no dérbi diante do Sporting. No início do lance, o guardião ucraniano entregou a bola a Enzo Barrenechea, no corredor central, que sucumbiu face à pressão do Sporting.

Além da falta de agilidade e de tomadas de decisão questionáveis com a bola nos pés, o guardião ucraniano, a espaços, apresenta dificuldades para segurar a bola à primeira. Trubin ficou mal na fotografia na receção do Benfica ao Casa Pia, quando defendeu um cruzamento pouco potente para os pés de Renato Nhaga, que empatou as contas aos 90+1’.

Golpes baixos não apagam pontos altos

Os erros acumulados por Trubin pontuam aquela que se poderá tornar na melhor época estatística de águia ao peito. O guardião ucraniano sofreu 34 golos em 41 jogos, registou 19 jogos sem sofrer e… marcou o primeiro da carreira.

Trubin colocou o Benfica no play-off da UEFA Champions League com um cabeceamento inacreditável aos 90+8’, que selou o triunfo encarnado por 4-2 diante do Real Madrid, na última jornada da fase de liga, a 28 de janeiro.

O guardião das águias está também a dois jogos sem sofrer golos de igualar os números da época passada, tendo já superado a marca de ‘clean sheets’ alcançada na primeira temporada na Luz (17). Trubin pode também fixar a melhor marca de golos sofridos, depois de ter sofrido 47 na primeira temporada e 54 na segunda.

Bruno Lage até promoveu maior rotação na baliza no início da presente temporada, com Samuel Soares a disputar a terceira e quarta jornada, mas a chegada de José Mourinho voltou a garantir a titularidade absoluta de Trubin.

A lesão muscular sofrida pelo guarda-redes luso em Faro, a 17 de dezembro de 2025, e que o afastou da competição durante dois meses, diminuiu ainda mais a concorrência para Trubin, que teve como suplente o jovem de 19 anos Diogo Ferreira durante dois meses.

O regresso de Samuel Soares, que figurou no banco de suplentes nos últimos dois jogos, pode reabrir a discussão sobre o dono da baliza do Benfica até ao final da época.