Bouaddi, internacional marroquino de 18 anos, dominou o meio-campo frente ao Brasil - Foto: IMAGO

O talento não tem idade

Crónicas do Mundial é um espaço de opinião e análise ao que acontece no Campeonato do Mundo. Esta é da responsabilidade de Laurindo Filho, treinador

Talento vs idade. Idade vs talento. Dois termos frequentemente utilizados em futebol, mas que nem sempre caminham de mãos dadas. 

Apesar de ser comum ouvirmos um treinador dizer que o talento não tem idade, são raros os exemplos de coragem, coerência e congruência por parte dos líderes das equipas técnicas no que toca à aposta segura em jovens talentosos.

Felizmente ainda há quem olhe e veja para lá da data de nascimento dos jogadores. Ainda há quem reconheça que o jovem talento precisa de tempo, espaço e, acima de tudo, palco para poder se afirmar. Como Mohamed Ouahbi e Emerse Faé, seleccionadores de Marrocos e da Costa do Marfim, respectivamente. 

Quem assistiu ao Brasil vs Marrocos da jornada inaugural do Grupo C do Mundial 2026 certamente ficou encantado com a exibição de Ayyoub Bouaddi

O médio-centro marroquino de apenas 18 anos de idade, encheu o campo com e sem bola. Revelou classe e maturidade ímpares em todos os momentos e em todas as fases do jogo. Nunca se escondeu – muito pelo contrário – e procurou ser solução constante ao colega portador da bola, fosse qual fosse o centro de jogo (sobre os corredores laterais ou sobre o corredor central).

À invejável condição física demonstrada ao longo de todo o encontro juntou ainda uma clarividência e um critério na tomada de decisão muito acima da média. Com elevada qualidade técnica. De pé direito ou de pé esquerdo. Sempre de cabeça levantada. A primeira grande exibição individual do Mundial 2026.

No domingo foi a vez de Yan Diomande responder a Bouaddi e dizer que também quer ser o melhor jogador jovem deste Campeonato do Mundo de selecções.

Frente ao Equador, o jovem extremo costa-marfinense de apenas 19 anos foi um autêntico terror para a defensiva equatoriana. Hincapié que o diga. O lateral esquerdo sul-americano foi ultrapassado de todas as maneiras e feitios pelo seu adversário directo e só 'descansou' quando Diomande passou para o flanco oposto.

Ambidestro, forte no 1 vs 1 (tanto em campo aberto, como em zonas mais congestionadas), o extremo da Costa do Marfim protagonizou uma exibição plena de recursos ofensivos: boa relação com a bola, velocidade, mudanças de direcção em ambos os sentidos (para fora ou para dentro), técnica individual apurada, acutilância ofensiva.

Em ambos os casos,  Bouaddi e Diomande beneficiaram do ditado que tantos conhecem, mas tão poucos colocam em prática – o talento não tem idade. 

Quando assim é, por norma, o campo não mente. E não mentiu…

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