«As pessoas não percebem o quanto a morte de Diogo Jota pode ter afetado o Liverpool»
Em entrevista a A BOLA, John Arne Riise, norueguês, antigo lateral-esquerdo do Liverpool e vencedor da UEFA Champions League em 2005, deixou uma previsão à final da Champions, que, no sábado, um dia depois de falar com o nosso jornal, terminou com a vitória do PSG. O ex-defesa deixou elogios ao Arsenal e a Bruno Fernandes e ainda analisou a época do Liverpool, que, na opinião de Riise, foi impactada pela morte de Diogo Jota.
— Foi figura do Liverpool no século XXI e ganhou a Liga dos Campeões em 2005. Vem aí a final. Quem vencerá: PSG ou Arsenal?
— Penso que o PSG será muito poderoso, com uma mentalidade muito ofensiva para o Arsenal. Embora o Arsenal seja forte defensivamente, a velocidade e a força do PSG são inacreditáveis. Eles são muito rápidos no ataque. Têm tantos jogadores na frente com velocidade, que podem ir para o um contra um e criar perigo. Não vejo o Arsenal a ganhar. Penso que o PSG sairá com uma vitória bastante confortável, para ser sincero.
— Luis Enrique é um caso de um treinador que os jogadores seguem completamente.
— É fantástico. Têm grandes estrelas, mas também os jogadores certos nas posições certas. Vê-se a união que têm como equipa e com o treinador, a forma como falam dele. O problema do PSG antes era que tinham as estrelas, mas não tinham a união, não defendiam tão bem. Agora vê-se cada jogador a correr para trás. É o respeito pelo treinador e pelas ideias dele. Ganharam a Liga dos Campeões no ano passado e penso que vão ganhar de novo.
— O que achou desta temporada do Arsenal?
— Foram vice-campeões três anos seguidos antes desta temporada, mereciam vencer. São fortes. Não são a equipa mais empolgante. Fala-se muito sobre as bolas paradas. Mas fazem o trabalho deles. Vencem tantos jogos difíceis porque são fortes defensivamente e fortes nas jogadas de bola parada e como equipa. Não lhes tiro mérito nenhum, jogaram muito bem ao longo de uma temporada longa e mereceram vencer. Não jogam o futebol mais empolgante, vemos que as pessoas são um pouco negativas sobre a forma como jogam, mas não podemos desconsiderar que venceram a Premier League.
— O Liverpool foi campeão em 24/25 com toda a justiça e a equipa que, provavelmente, mais dificuldades causou ao PSG na Liga dos Campeões. Veio um verão de grandes gastos e, este ano, ficaram em quinto. O que aconteceu?
— Penso que alguns jogadores tiveram rendimento abaixo do que se esperava. As equipas melhoraram e conseguiram decifrar o jogo do Liverpool. Mas o que vi foi que aquela força de ataque em transição rápida não estava lá. Na temporada passada, víamos que, quando ganhavam a bola, iam para o ataque de forma explosiva. Este ano, parecia que, sempre que perdíamos a bola, havia perigo contra nós. É claro que houve algumas lesões, mas todas as equipas as tiveram. O desempenho individual dos jogadores não esteve à altura do nível deles. Tivemos discussões antes da temporada sobre se o Salah ia renovar, se o Van Dijk ia renovar, se o Trent ia ficar. Gastámos muito dinheiro. As contratações precisam de tempo. Depois, lesionou-se o Isak. Têm muito a fazer na próxima temporada. Com a saída do Salah, têm de contratar outro. Têm de sair alguns jogadores, trazer novos e seguir em frente. Têm de lutar pelo título.
— Acredita que a morte de Diogo Jota também teve impacto nos resultados desta temporada?
— 100%. A preparação não foi a mesma. A equipa perdeu um grande jogador, os jogadores perderam um grande amigo, os adeptos perderam um jogador incrível que é muito respeitado. Penso que as pessoas não percebem o quanto isto pode afetar a equipa.
— Bruno Fernandes foi eleito o jogador do ano da Premier League. Foi o seu jogador do ano?
Sim e não sou adepto do Manchester United. Às vezes, penso que o Bruno Fernandes exagera nas reações e emociona-se demais em alguns jogos, mas é um jogador inacreditável. Carregou o Manchester United esta época. Falamos sobre os golos, as assistências e todas essas coisas. Bateu o recorde de assistências. Mas ele trabalha arduamente, corre muito, então, para mim, foi fácil: ele foi o jogador do ano esta temporada. Tem sido inacreditável. Espero que possa mostrar no Mundial o quão bom é e que consiga ajudar Portugal a ir longe.
— Houve um desentendimento entre Bruno Fernandes e Roy Keane. Que opinião tem sobre tudo isso?
— Roy Keane é um comentador honesto. Diz o que pensa. Com algumas coisas concordo, outras não, mas é a opinião dele e tem o direito de tê-la. O Roy Keane é pago para dar opiniões sinceras, boas ou más, é o trabalho dele, respeito isso. Mas o Bruno é um jogador ativo, capitão do Manchester United. Faz o que é melhor para ele e para a equipa. Também respeito isso.