Ao hotel europeu junta-se a reserva em 'quarto' nacional (crónica)
A ressaca europeia do SC Braga tinha dado empate (2-2) caseiro no dérbi com o Famalicão, mas os arsenalistas voltaram a sorrir e deram sequência ao excelente momento por que passam e que fica, acima de tudo, marcado pelo brilharete internacional, uma vez que na passada semana garantiram, em Sevilha, o apuramento para as meias-finais da UEFA Europa League.
Agora, e em novo duelo da mais importante competição doméstica, o conjunto orientado por Carlos Vicens nem precisou de estar particularmente inspirado para regressar aos triunfos. Bastou ir dominando as operações e, na altura certa, desferir o golpe fatal.
Depois de algumas aproximações à grande área contrária, eis que ao minuto 37 aconteceu o momento decisivo: pontapé de canto cobrado por Ricardo Horta, do lado direito, assistência de Demir Tiknaz e Pau Víctor, também de cabeça, atirou a contar. Lance em que deu toda a sensação de que Patrick Sequeira podia ter feito mais...
Até essa altura, refira-se, apenas Ricardo Horta (12'), Pau Víctor (19') e Demir Tiknaz (25') tinham colocado o guarda-redes dos casapianos em sentido, mas sem nunca ficar a sensação de golo iminente. Do outro lado, boa organização defensiva dos gansos, mas um deserto de ideias quase absoluto no último terço ofensivo. E Lukas Hornicek só por uma vez teve de redobrar a atenção, mas o remate de Clau Mendes (45+2'), já em desequilíbrio, saiu ao lado do poste.
O conforto da vantagem deixou os guerreiros (demasiado) tranquilos na etapa complementar e os gansos esticaram (ligeiramente) a corda na tentativa de tirarem alguma coisa do encontro. Os lisboetas acertaram nos momentos de pressão e conseguiram ir anulando o jogo interior dos bracarenses — algo que na primeira parte tinha sido uma constante, especialmente devido às movimentações sem bola de Ricardo Horta e Demir Tiknaz, que iam confundindo as marcações contrárias, permitindo a atração por dentro para que depois fossem explorados os corredores laterais —, mas não conseguiram encontrar os melhores caminhos para a festa. Larrazabal tentou de longe, mas Lukas Hornicek brilhou (70'), e Pedro Rosas tinha tudo para fazer bem melhor, cinco minutos depois, atirando por cima da barra.
Fran Navarro ainda ousou inscrever o seu nome na lista de marcadores, mas o tiro vitorioso do ponta de lança espanhol foi anulado por fora de jogo de Rodrigo Zalazar, no início da jogada.
Depois do hotel europeu, o SC Braga reservou, agora, o quarto nacional. Já o Casa Pia continua aflito na luta pela permanência.
Decidiu. E se isso já é de extrema importância, ainda mais se torna quando o jogo não é assim tão rico em oportunidades de golo. O avançado espanhol teve o faro habitual para, no sítio certo, colocar a cabeça na bola e desbloquear um encontro que estava algo fechado. E se tantas vezes se criticam os pontas de lança pela ausência de golos, têm de elevar-se quando selam as vitórias.
Ainda que já tenha tido partidas com maior influência nas dinâmicas ofensivas dos gansos, a verdade é que o ala espanhol foi sempre um dos mais inconformados. Certinho a defender, controlando as investidas do compatriota Gabri Martínez pelo seu flanco, quis ficar (ainda mais) ligado à história do jogo, mas Lukas Hornicek voou para negar-lhe um verdadeiro golaço (70').
As notas dos jogadores do Casa Pia:
Patrick Sequeira (5), João Goulart (6), David Sousa (5), André Geraldes (5), Gaizka Larrazabal (6), Iyad Mohamed (5), Lawrence Ofori (5), Pedro Rosas (5), Jérémy Livolant (5), Clau Mendes (5), Dailon Livramento (5), Cassiano (5), Korede Osundina (5), Seba Pérez (5) e Rafael Brito (5).
As notas dos jogadores do SC Braga:
Lukas Hornicek (6), Lagerbielke (6), Paulo Oliveira (6), Gabriel Moscardo (6), Víctor Gómez (6), Gorby (6), João Moutinho (6), Gabri Martínez (5), Demir Tiknaz (6), Pau Víctor (7), Ricardo Horta (6), Leonardo Lelo (5), Rodrigo Zalazar (6) e Fran Navarro (6).
Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia):
Resultado injusto. Na primeira parte o SC Braga esteve melhor, mas sem oportunidades, além do golo. Tivemos dificuldades na pressão. A segunda parte foi toda do Casa Pia, criámos, mas a bola não entrou. Com esta alma e crença, vamos conseguir.
Carlos Vicens (treinador do SC Braga):
Jogámos diante de um adversário que há muito tempo não perdia em casa. Tivemos muito controlo do jogo, mas não era fácil desorganizar a defesa do Casa Pia. Fizemos o golo e na segunda parte, mesmo querendo sempre mais, fomos maduros.
Notícia atualizada às 22h27