Começa amanhã, no Estádio Azteca, na Cidade do México, a 23.ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol, subindo o pano com o duelo entre o país anfitrião e a África do Sul. Será a terceira vez que o mítico recinto da capital mexicana acolhe a partida inaugural de um Mundial, depois do México-URSS (0-0), em 1970, e do Itália-Bulgária (1-1), em 1986.

Se o 22.º Campeonato do Mundo, no Catar, se jogou num território de 11.437 quilómetros quadrados, habitado por 2,8 milhões de pessoas, este, na América do Norte, desenrola-se à escala de um continente: 21.314.046 quilómetros quadrados e cerca de 500 milhões de habitantes. Em 2022, um metropolitano bastava para servir todos os estádios; agora, a distância entre Miami e Vancouver, duas das cidades onde a bola há de rolar, é de 5530 quilómetros — quase o mesmo que separa Lisboa de Nova Iorque.

Mas, para nós, para lá do interesse evidente na caminhada da equipa nacional — candidata, embora não favorita —, há um património humano que atravessa e une a América do Norte. Eusébio deixou a sua marca em clubes de três cidades-sede: o Boston Minuteman, o CF Monterrey e o Toronto Metros-Croatia, onde se sagrou campeão da competição que antecedeu a Major League Soccer (MLS), a NASL. Na final, diante do Minnesota Kicks, o ‘King’ ajudou à celebração (3-0) com um golo, terminando essa época à frente do poderoso Cosmos de Nova Iorque, então iluminado pela presença de Pelé. Eusébio cruzou-se com ele três vezes, entre 1975 e 1977: venceu ao serviço do Las Vegas Quicksilvers e saiu derrotado com as camisolas do Boston Minuteman e do Toronto Metros-Croatia.

É, pois, à memória da pegada que Eusébio da Silva Ferreira imprimiu no futebol dos países que organizam o Mundial de 2026 que fui buscar o nome das crónicas diárias, que assinarei neste espaço ao longo do Campeonato do Mundo: «Na América de Eusébio».

A fechar este número zero, deixo uma nota de índole pessoal:

Em 1990, já depois de pendurar as luvas, tive a oportunidade de defender a baliza do Clube Portugal, formação que reunia antigos jogadores, em dois encontros disputados no Skydome, em Toronto, frente à Itália (3-3) e ao Canadá (0-0). O capitão da nossa equipa, orientada por Mário Wilson e composta, entre outros, por Humberto Coelho, Seninho, Rui Jordão e Norton de Matos, era Eusébio, com quem eu já tivera a honra de partilhar uma digressão à África do Sul, para uma série de partidas de futebol indoor. Eterno ‘King’.

*Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), nos Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans) e no Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 disputar-se-á por terras onde o ‘King’ espalhou o fulgor derradeiro da sua magia… 

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