Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal. Foto Miguel Nunes
Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal. Foto Miguel Nunes

Centralização TV: o voto secreto e as virtudes da transparência

O que impede a maioria dos críticos da chave de distribuição das receitas televisivas futuras de dar a cara na discussão? O conforto do voto secreto, neste caso, não se justifica

Votação de braço no ar (aberta) ou secreta? As doutrinas dividem-se, é tema de discussão secular entre especialistas da ciência política e da sociologia das organizações. Cada um dos modelos com vantagens e desvantagens, há porém algumas linhas que podem traçar-se, e têm vindo a ser traçadas ao longo de muitas décadas de estudo e argumentação.

A votação pública, de braço no ar ou colocando-nos de pé, tende normalmente a ser utilizada quando quem vota representa outros cidadãos, ou grupos, cidadãos ou grupos estes que têm o direito a saber exatamente o que fizeram os seus representantes, desejavelmente eleitos: ocorre no parlamento, por exemplo. Tem a vantagem da transparência e a desvantagem de expor os que votam em minoria a pressões e perseguições das maiorias vencedoras.

É por isso que em matérias de consciência, de escolha individual mais relacionada com a moral e as convicções, por exemplo, o voto tende a ser secreto. Tem a vantagem suprema da liberdade e a desvantagem de permitir quebras de acordos na hora do voto. Nalguns casos, como no que respeita à chave de distribuição dos direitos televisivos sujeita a escrutínio pela Liga Centralização, tem ainda a desvantagem de quem votou contra poder atirar a pedra à vontade e esconder a mão se, e quando, a solução da maioria prevalecer.

Exceção feita aos clubes que assumidamente se manifestaram contra esta solução antes da votação — Benfica, Nacional e Marítimo — não há certezas sobre quem votou em contramaré à esmagadora maioria das sociedades desportivas.

Representando as sociedades desportivas os seus acionistas (muito dos quais maioritariamente sócios do clube-mãe) seria de todo aconselhável que este tipo de votação se realizasse de forma aberta, de braço no ar ou colocando-se de pé. Um dos candidatos à presidência do Vitoria de Guimarães, por exemplo, acusou a atual direção de votar a favor quando, na sua opinião, não devia tê-lo feito. Mas na realidade não sabemos se o Vitória votou a favor. É mais ou menos fácil encontrar tendências, mas certezas restam poucas. A BOLA passou o dia de anteontem a tentar confirmar votos contra e nem um dos suspeitos (falta conhecer um da Liga 1 e quatro da Liga 2) o assumiu. Claro que no fim do dia não tem de o fazer, porque a votação foi secreta. Mas o que os impede de dar a cara e discutir abertamente possíveis soluções e alternativas?

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