Andreia Nuns L'Or foi jogadora federada, passando por Quintanjense, Palmelense e até uma experiência no Belenenses

Andreia Nunes L'Or: «Quando jogava, não havia incentivos para as mulheres»

Empresária recorda o percurso como jogadora, explica porque nunca viu o futebol como carreira e fala do desafio de liderar o projeto do Alcochetense: «Vai ter os seus desafios, mas nada comparado à maternidade»

Antes de entrar para a história como a primeira mulher a deter a maioria do capital de uma SAD em Portugal, Andreia Nunes L’Or já tinha uma longa ligação ao futebol. Em entrevista a A BOLA, recorda os primeiros passos na modalidade, admite que nunca viu no futebol uma carreira viável e fala agora do desafio de liderar o projeto do Alcochetense.

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— Passando agora para a sua vida. Como começou esta ligação ao futebol?

Comecei ali por volta dos 13 anos, numa brincadeira que era a Taça Coca-Cola. Depois, um treinador viu-me, pediu-me para ir treinar e desde aí sempre joguei. Comecei a jogar mais por diversão, depois comecei a ir à seleção distrital também. Foi muito giro, porque aprendemos a perder, aprendemos a ganhar, aprendemos a estar em equipa. Na altura, pagava para jogar, os meus pais ajudavam-me financeiramente. Joguei no Quintanjense, também joguei no Palmense e ainda treinei no Belenenses. Mas eu era da Margem Sul, não me compensava estar a ir para Lisboa, não havia incentivos nem ajudas para as mulheres.

— E chegou a pensar em ser profissional?

Não, porque também não havia tantas oportunidades. Depois, comecei a trabalhar, a receber dinheiro, já era empresária na altura, ganhava um valor bastante bom que sabia que não ia receber no futebol. E acabou o sonho. Comecei a ter outras responsabilidades, queria construir a minha vida e o futebol ficou só como um bichinho que eu tinha.

— Quando surgiu esta vontade de estar à frente de um clube?

Bem, aparecem-nos várias oportunidades de negócio. E achámos uma curiosidade, uma oportunidade de ajudar e acrescentar. Conseguimos adicionar tecnologia e outras coisas que não estão a ser feitas ainda em Portugal ou nestes clubes mais pequenos. E, pronto, é um desafio. Os desafios têm sempre aquele brilho de podermos fazer aqui qualquer coisinha.

Andreia Nunes L'Or é a cara da ambição do Alcochetense. Foto: André Carvalho

— A Andreia já esteve em inúmeros projetos, mas o futebol mexe muito com as emoções das pessoas e, neste caso, de uma terra e de uma região. Sente que será um dos projetos mais desafiantes da sua vida?

O projeto mais desafiante da nossa vida é sermos pais, porque estamos ali a construir alguma coisa que é para sempre. Deixamos no mundo o nosso filho, o nosso projeto. Nos negócios, podemos acrescentar, podemos aprender, podemos errar, podemos construir e inspirar outras pessoas. Mas vai ter os seus desafios, como é óbvio, mas nada comparado à maternidade. Vai ser um desafio, mas não digo que será o maior desafio da minha vida.

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