Andreia Nunes L'Or fala da modernização das instalações do Alcochetense e não esconde a ambição

O sonho de Andreia Nunes L'Or: «Sermos os melhores do distrito e subir à Liga 3»

Primeira mulher a deter a maioria do capital de uma SAD em Portugal, Andreia Nunes L’Or fala a A BOLA sobre o projeto ambicioso para o Alcochetense, com o objetivo de levar o clube aos campeonatos profissionais

Andreia Nunes L’Or entrou para a história do futebol português ao tornar-se na primeira mulher a deter a maioria do capital de uma SAD em Portugal, ao assumir o controlo da SAD do Alcochetense. Em entrevista a A BOLA, explica os contornos do projeto, traça metas ambiciosas para o clube da margem sul e revela a intenção de transformar o Alcochetense na grande referência do distrito de Setúbal.

Galeria de imagens 31 Fotos

— Como surgiu esta oportunidade de assumir o projeto do Alcochetense?

A própria proposta surgiu no nosso grupo de investimentos. Temos vários investimentos em tecnologia e outros ramos e surgiu aqui a hipótese de investirmos num clube de futebol. Como estou ligada ao futebol desde criança, fui jogadora federada, joguei também na seleção distrital e resido aqui nesta zona, distrito de Setúbal, ficámos curiosos. É uma vertente que nunca tínhamos tido negócio, na área do desporto, e achámos interessante investir.

— O grande objetivo é tornar o clube na grande referência do distrito. Que passos serão dados nesse sentido? Quais as prioridades da SAD?

Neste momento, já começámos a investir nas instalações. Já começámos na estrutura, no camarote, nas bancadas e nalgumas coisas estruturais que também vamos melhorar. Também temos investido muito em tecnologia, análise de dados, câmaras, suplementação para os jogadores e agora vem a parte mais interessante, que é começar a investir em jogadores e talentos desta zona. Geograficamente, é uma zona incrível, muito próxima de Lisboa e muito boa para explorar talentos. Para a margem sul, para o distrito de Setúbal, é ótimo haver este tipo de iniciativas. Acredito que todos ganhamos com isso.

— Sobre o processo de modernização das instalações. O que mais está previsto num futuro a médio/longo prazo?

Mudarmos o relvado inteiro. Já sofreu algumas alterações, porque estava muito danificado, e já está montado o planeamento para se renovar e ampliar os relvados sintéticos, para ajudar também os nossos mais pequenos, a formação. Apesar de a SAD só estar ligada aos seniores, temos uma relação muito boa com toda a formação do Alcochetense. Todos queremos o mesmo, que é crescer e evoluir, então todos estamos a trabalhar em conjunto para nos tornarmos uma das melhores equipas do distrito de Setúbal, com muita honra e respeito ao Vitória de Setúbal, que também já tem muita história. O Alcochetense também já tem quase 100 anos, daqui a 10 anos fazemos 100 anos, portanto penso que é um projeto interessante para todas as partes.

— Abordando a questão da tecnologia e da análise de dados. Acredita que pode ser por aí que o clube pode se diferenciar de outros clubes no mesmo nível?

Sem dúvida. Como somos da área tecnológica, há muitas coisas que conseguimos obter através da tecnologia, coisas que permitem com que quase não precisemos de estar cá para perceber qual está a ser o rendimento dos jogadores, as falhas durante o jogo. As câmaras já detetam tudo e fazem-nos os relatórios, sem precisarmos de ser uns grandes experts. Obviamente, também temos uma equipa na gestão desportiva muito forte, mas eu, como investidora, é muito interessante que possa não ter tanta precisão técnica. Quando vejo os dados, é muito mais fácil para mim perceber onde é que pode estar a nossa evolução, onde é que estão as nossas falhas e fazer um caminho melhor.

— A comunicação é cada vez mais importante no futebol e a Andreia tem uma forte presença nas redes sociais, com centenas de milhares de seguidores. Pretende usar essa ferramenta para atrair novos adeptos, atrair investidores?

Esse é um dos nossos focos. Foi por isso também que tornámos isto público. Para além de ser mulher, que já dá alguma visibilidade, também para ajudar a equipa a tornar-se mais visível, ajudar a trazer pessoas que queiram agregar valor a este investimento. É juntar o útil ao agradável, porque depois localmente também vamos ser mais reconhecidos, as crianças vão conhecer o nosso clube. Hoje, todas as marcas têm que ter presença nas redes sociais e o futebol não é exceção, até para atrair os mais novos.

— Falando também da questão das SAD, que muitas vezes trazem uma maior estrutura e profissionalismo ao futebol: em alguns casos, existe o receio de que os clubes acabem por perder a ligação à região que representam. Qual é a importância de manter o Alcochetense ligado a Alcochete e à sua identidade local durante este processo de crescimento? 

Muito importante. Nós temos uma boa relação com o clube, temos uma boa relação com os sócios e queremo-nos manter muito presentes. Temos tentado fazer o máximo de eventos para trazer pessoas, para humanizar o clube também, que é muito importante as pessoas sentirem-se felizes aqui. Cada vez estamos a ganhar mais sócios e queremos muito trabalhar para manter esta humanização, fazê-los parte de algumas escolhas. É importante para nós.

Andreia Nunes L'Or à conversa com A BOLA. Foto: André Carvalho

— Mas como se mantém este equilíbrio de crescer e dar visibilidade para atrair novas pessoas e ao mesmo tempo não esquecer as pessoas da terra? 

No fundo, todos só temos um foco: tornar-nos a melhor equipa do distrito e subir à Liga 3. Obviamente pode ser um projeto ambicioso, mas todos queremos o mesmo, que é tornarmo-nos relevantes no distrito e subir. Os sócios e adeptos têm de nos apoiar como nós vamos apoiá-los a eles. Vamos tentar ouvir as necessidades deles também e trabalhar numa simbiose.

— O Alcochetense vem de uma boa época, terminando no quinto lugar da Série D do Campeonato de Portugal. O objetivo para a próxima época é já a promoção à Liga 3?

Idealmente, sim. Com muito menos investimento, face a outras equipas da nossa divisão, conseguimos um resultado muito positivo nesta temporada. Então este ano vamos tentar consolidar aqui algumas coisas, tentar investir, mas queremos que tudo seja viável. Não deixa de ser um negócio, tem de ser viável para todas as partes e vamos tentar concentrar as nossas energias, dinheiro e investimentos para subir. Não vou mentir, sou ambiciosa nesse sentido.

— É expectável uma revolução no plantel já neste verão?

Nessa parte eu também não posso aprofundar muito, que isso é com a nossa gestão desportiva. O nosso presidente da SAD, André Geraldes, a quem confio muito, tem feito um ótimo trabalho. No entanto, posso dizer que vão haver bastantes mudanças.

André Geraldes, comentador residente do Política Desportiva d'A BOLA TV, é o presidente da SAD do Alcochetense

— Como imagina o Alcochetense daqui a cinco anos?

Diria numa Liga 2, sim. Pelo menos, mínimo. E já consolidado como o melhor clube do distrito.

A iniciar sessão com Google...