Técnico italiano afirmou que a «área cinzenta está a ficar verde»

«Zona verde», exibição abaixo dos padrões e o lance de Gul: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto analisa empate caseiro (2-2) frente ao Famalicão, apontando erros da equipa de arbitragem

Francesco Farioli analisou, na sala de Imprensa do Estádio do Dragão, o empate (2-2) do FC Porto diante do Famalicão, na noite deste sábado, que pode atrasar os azuis e brancos na luta pelo título.

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— Que análise faz ao jogo?

— Jogámos abaixo dos nossos padrões, não estivemos ao nível que devíamos. A primeira parte foi muito descuidada, com vários erros. Não tivemos o ritmo que precisávamos e que queríamos ter. Há um sentimento de arrependimento, na forma como gerimos certos lances e acabámos por pagar o preço contra uma equipa que fez um jogo positivo.

— A paragem internacional prejudicou a equipa?

— O primeiro jogo após uma paragem internacional é sempre complicado. Podem ser muitas coisas: físicas, mentais.... Estávamos cientes disso. Falámos muito nestes dias sobre a importância de estarmos todos juntos rapidamente e de estarmos ligados mentalmente. Infelizmente, a exibição não esteve ao nível necessário.

— Golo de Fofana trouxe alegria e depois veio a desilusão. Como sentiu esse momento?

— É normal que o golo do Seko tenha trazido muita energia. Os acontecimentos estão a repetir-se. Não estamos a falar de um episódio isolado, mas sim de uma longa série de eventos. Quase podíamos fazer uma série na Netflix com o que está a acontecer. Tudo gira em torno de uma área de interpretação, e esta zona cinzenta, que está a tornar-se cada vez mais verde. Viram o que aconteceu ontem [sexta-feira] e hoje [ontem]. A melhor imagem do que se está a passar foi ver que todos os meios de comunicação mundiais tinham títulos muito claros. Isto é algo que está a ultrapassar as fronteiras de Portugal. Mas, como já disse, não merecíamos a vitória porque a exibição não foi do nosso nível.

— A margem para o Sporting fica mais curta?

— Sabemos que é uma caminhada longa. Há momentos em que ganhas pontos e vantagem, e outros em que perdes. Foi o caso. O mais importante agora é virar a página rapidamente, porque na quinta-feira temos um jogo importante contra o Nottingham Forest e temos de estar ao nosso melhor nível.

— Como analisa o lance entre Zaidu e Gustavo Sá na área do FC Porto, em que o médio do Famalicão se queixa de uma cotovelada?

— Não tenho presente esse episódio, vou verificar e podemos falar disso na próxima conferência.

— E o lance em que Deniz Gul fica a pedir penálti depois de ter sido puxado na área?

— Se a interpretação do lance do Gabri [Veiga] em Braga é penálti, estes dois [o de Gul e o lance em Alvalade] são penáltis claros, mais claros do que o do Gabri. Mas, como disse, a área de interpretação muda muitas vezes. Num momento um puxão é suficiente, na semana seguinte já não é. O principal problema é a direção que estas decisões tomam. Como disse, a zona cinzenta está a tornar-se verde. É verde desde o início da época.

— Após o golo e toda a emoção, faltou ser mais inteligente do ponto de vista emocional, fechar melhor os espaços e evitar o empate. E também sobre o Rodrigo Mora: foi uma recaída da lesão ou um problema diferente?

— O Rodrigo sentiu uma dor na perna, mas não tivemos tempo de verificar se é algo grave; amanhã será avaliado com mais detalhe. Sobre a gestão dos últimos minutos: quando o Diogo [Costa] bateu a bola longa, eram 97 minutos e 50 segundos. Houve umas quatro bolas no ar e há momentos em que é preciso ser inteligente, proteger a bola com mais energia. O jogo estava quase acabado e não o fizemos. Depois do 2-1, tivemos um contra-ataque para matar o jogo e não o gerimos bem. São pequenos episódios que acabam por ser cruciais. O que não fizemos há meia hora já não podemos mudar, mas podemos aprender, e aprender depressa, porque estes momentos são decisivos para o resultado final.