‘Xeka-mate’ ao canário com tiros dos centrais (crónica)
De central para central o Nacional construiu o primeiro triunfo no campeonato, aproveitando da melhor forma a superioridade numérica após a expulsão de Xeka (32’), virando o jogo, depois do Estoril estar por cima e ameaçador. Foi um momento determinante, a que se juntou a visão de João Gião quando alterou a forma de jogar da sua equipa.
Com desenhos diferentes – o Nacional em 3x4x3 e o Estoril em 4x2x3x1 – foi intenso e interessante o duelo. Os madeirenses entraram melhor, desperdiçaram por Pablo Ruan e depois assistiram ao crescimento dos canarinhos, que conseguiram encontrar espaços entre linhas para ser perigosos, principalmente por Xeka, que perdeu o duelo particular com Renato Marin. Uma discussão entre dois campeões franceses: o médio do Estoril pelo Lille em 2020/21 e o guarda-redes do Nacional pelo PSG, em 2025/26.
Xeka estava a incomodar, obrigando Renato Marin a aplicar-se com defesas de nível elevado aos 22’ e 32’ (pelo meio o guardião ítalo-brasileiro também travou tiro de André Lacximicant), mas foi expulso logo depois da segunda tentativa, ao ver o segundo cartão amarelo por jogo perigoso. Uma entrada imprudente, que inverteu o jogo, principalmente na segunda parte quando João Gião reformulou o desenho da sua equipa, já que antes disso, houve equilíbrio no desperdício, por Pablo Ruan e Begraoui.
Mérito para João Gião após o descanso. O treinador do Nacional mudou, colocou a sua equipa em 4x4x2, com Léo Santos a fechar o lado direito da defesa e deslocando Gasolina para a esquerda, com Daniel Júnior nas costas de Pablo Ruan.
Uma mudança que deu domínio total aos madeirenses e que trouxe oportunidades. Depois de Markus Jensen e Filipe Soares terem desperdiçado, Zé Vitor teve sorte num tiro de longe que desviou em Tsoungui e deixou Robles sem reação, e abriu o caminho para a conquista dos três pontos, que ficaram praticamente trancados com o segundo golo, apontado por Léo Santos, que ganhou posição entre Ferro e Sierra, para finalizar de cabeça um canto de Daniel Júnior.
Numa segunda parte autoritária dos madeirenses, Vasco Matos bem tentou mudar com as substituições, mas a sua equipa foi impotente para alterar a ordem e até foram os madeirenses que estiveram mais perto de elevar a contagem, com destaque para um duplo desperdício de Stavros Gavriel e Daniel de la Cruz, com o cipriota a permitir a defesa de Robles após um delicioso toque que tirou Sierra da frente e com o equatoriano, na recarga, a acertar no poste esquerdo.
O central goleador já deixou marca neste campeonato. Em 2025/26 assinou quatro golos e deixou vincado que pretende dar continuidade a essa veia goleadora nesta nova temporada. O brasileiro descobriu o caminho para a baliza de Robles com um tiro de longe, mas já tinha tentado utilizar esse recurso antes do intervalo. No golo acabou por ter sorte, dado que a bola bateu em Tsoungui, paralisando o guarda-redes.
As notas dos jogadores do Nacional (3x4x3): Renato Marin (7), Léo Santos (7), Matheus Dias (5), Zé Vitor (7), Wesley Gasolina (6), Filipe Soares (6), Liziero (5), Markus Jensen (5) Miguel Baeza (5), Pablo Ruan (6), Daniel Júnior (6), Stavros Gavriel (6), Deivison (5), Daniel de la Cruz (5) e Joel Silva (-).
A par de Xeka – penalizado na prestação e nota pela expulsão que mudou o jogo – o extremo foi dos mais ativos e perigosos dos canarinhos, com incursões pela esquerda e diagonais para a área em busca de oportunidade para tentar a sorte. Ela surgiu aos 27’, para grande intervenção de Renato Marin. Depois do segundo amarelo a Xeka o Estoril desapareceu ofensivamente e Lacximicant ficou órfão da bola.
As notas dos jogadores do Estoril (4x2x3X1): Robles (6), Ricard (5), Ferro (5), Sierra (5), Medrano (5), Xeka (4), Tsoungui (5), Rafik Guitane (5), João Carvalho (5), André Lacximicant (6), Begraoui (5), Fabrício (5), Tiago Brito (5), Gonçalo Costa (5), Pedro Carvalho (5) e Jandro (-)
João Gião, treinador do Nacional
«Entrámos bem, embora não criando muitas oportunidades. Depois o Estoril equilibrou, teve aproximações perigosas à nossa baliza e depois houve um momento, como é lógico, que acaba por marcar o jogo, que foi a expulsão. A partir daí fizemos o que nos competia, o que às vezes não é fácil, porque pensa-se que uma equipa a jogar com mais um tem obrigação de ter mais volume ofensivo e crie muitas oportunidades. Mas mantivemos a maturidade, a controlar a ansiedade e a ser estável e à procura dos caminhos da baliza e o primeiro golo chegou com naturalidade e desbloqueou o jogo.»
Vasco Matos, treinador do Estoril
«Uma 1.ª parte muito bem conseguida da nossa parte, com bola e sem bola e criámos excelentes oportunidades para marcar. Depois vem a expulsão, mesmo assim a seguir ainda temos uma boa ocasião pelo Begraoui e merecíamos ter ido para intervalo em vantagem. Obviamente que a expulsão condiciona muito o jogo, uma hora com menos um, sofremos o golo da forma como foi também, mas tenho a dizer que a atitude da equipa foi boa, bateu-se bem e foi à procura de outro resultado.»