João Ferreira cai para nono no Rali de Marrocos
A segunda etapa do Rali de Marrocos, prova de encerramento do Mundial de todo-o-terreno, ditou um recuo importante para João Ferreira. Ao volante da Toyota Hilux e navegado por Filipe Palmeiro, não conseguiu segurar a liderança da geral, caindo para o nono posto após um dia repleto de contratempos nos 300 km cronometrados em redor de Zagora.
Depois de ter sido o mais rápido no dia inaugural, coube a João Ferreira abrir a pista numa tirada em que competiu com febre e sofreu dois furos logo na fase inicial. O leiriense concluiu o percurso no 11.º lugar, a 10.52m do sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux), que venceu o dia com o tempo de 03,28,34 horas. O polaco Eryk Goczal e o espanhol Carlos Sainz, ambos ao volante de um Ford Raptor, completaram os lugares cimeiros da tirada, a 41s e 1.12m do vencedor, respetivamente.
«Foi um dia muito difícil, provavelmente um dos mais difíceis que tivemos este ano. Abrir a pista numa especial de 300 km nunca é fácil e, com dois furos logo no início, ficámos sempre a correr atrás do prejuízo», explicou o piloto luso em comunicado, mantendo, contudo, o foco na recuperação. «O mais importante era trazer o carro até ao fim e foi exatamente isso que fizemos. Perdemos tempo, sim, mas o rali é longo, amanhã partimos de uma posição muito mais favorável e vamos tentar recuperar tudo o que for possível.»
Com o quarto tempo na etapa, o brasileiro Lucas Moraes (Dacia Sandrider) instalou-se no comando da tabela global, dispondo de 28s de margem sobre Lategan e 2.43m sobre Sainz. João Ferreira dista agora 6.03m da liderança. O dia ficou também marcado pelos problemas mecânicos de Nasser Al-Attiyah (Dacia Sandrider). O piloto do Catar discutia os lugares cimeiros quando uma avaria na caixa de velocidades o imobilizou perto do fim, acabando por ser rebocado pelo companheiro de equipa Sébastien Loeb (Dacia Sandriders) e perder mais de 45m.
No que toca à categoria Challenger, as notícias foram francamente positivas para as cores nacionais. Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira, em Taurus, garantiram a segunda posição da tirada, superados apenas pelo neerlandês Paul Spierings. A dupla portuguesa manteve a liderança da classe na prova com cerca de 15m de avanço e ascendeu ao primeiro posto da classificação do Mundial, com vantagem nos critérios de desempate face ao anterior líder pontual.
O resultado foi obtido com resiliência, após percalços na ponta final da prova. «Perdemos a direção assistida por diversas vezes e tínhamos de parar o carro e fazer reset. Por fim tivemos dois furos quase no final da etapa. Contudo, conseguimos a segunda posição na etapa, acumular novamente importantes pontos para o Campeonato do Mundo […] e continuamos na liderança da corrida», frisou Alexandre Pinto.
Nas duas rodas, Martim Ventura (Honda) rubricou mais uma exibição notável ao garantir o segundo triunfo seguido na categoria Rally2. O piloto completou a especial em 03.39,06h, batendo o sul-africano Michael Docherty (Hero) por 2.38m e dilatando a liderança na classe para 3.36m. Ventura foi ainda o quarto mais rápido de toda a caravana de motos, ascendendo à mesma posição na tabela geral absoluta.
«Está a ser um rali muito duro», referiu o motociclista português, que sofreu uma queda na fase final do percurso, entre 15 a 20 km da meta, sem que isso comprometa a sua continuidade. Na classificação global das motos, o australiano Daniel Sanders (KTM) alcançou a vitória na tirada e a liderança do rali, tendo superado o norte-americano Ricky Brabec (Honda) por 3.04m e o espanhol Edgar Canet (KTM) por 3.34m. Ventura segue a 6.10m do topo.
A ação no Rali de Marrocos prossegue na quinta-feira com a realização da terceira etapa, composta por um troço cronometrado de 363 km em torno de Zagora.