Francês Paul Magnier (Soudal) venceu a primeira etapa da Volta ao Algarve, em Tavira (FPC)

Volta ao Algarve: Paul Magnier leva a primeira etapa em Tavira

Velocista francês da Soudal Quick-Step impôs-se ao sprint em pelotão compacto na meta, no topo de ligeira subida, e é o primeiro camisola amarela. Juan Ayuso ganhou três segundos a João Almeida

A tradição ainda é o que era chegada da Volta ao Algarve a Tavira, este ano à primeira etapa, no final de uma ligação de 183,5 quilómetros desde Vila Real de Santo António - a vitória foi disputada ao sprint pelo pelotão compacto. Conquistou-a Paul Magnier, da equipa Soudal Quick-Step, que é igualmente o primeiro detentor da camisola amarela da prova.

O francês teve uma abordagem perfeito à reta da meta, em ligeira subida, adiou ao máxima a aceleração final e superou os rivais, entre os quais, o principal candidato ao triunfo, Jasper Philipsen. O belga da Alpecin-Premier Tech arrancou demasiado cedo e foi traído pela inclinação da chegada e... pelas pernas na corrida de estreia na temporada. O também belga Jordi Meeus (Red Bull-BORA-hansgrohe) e o checo Pavel Bittner (Picnic PostNL) completaram o pódio virtual da etapa de abertura da Algarvia.

O melhor português na etapa foi Rui Oliveira, da UAE Emirates, na 10.ª posição (subiu um lugar devido a desclassificação de Santiago Mesa por sprint irregular) de um pelotão que se alongou bastante nas últimas centenas de metros no interior de Tavira. Neste, chegou bem integrado (38.ª posição), e com o mesmo tempo do vencedor, o companheiro de equipa do campeão olímpico de madison, João Almeida, que passou teve uma jornada de maior economia de esforço possível para a exigente dia que se segue (quinta-feira), com a chegada ao Alto da Foia.

Apontado como um dos oponentes a ter mais em conta pelo português, na segunda tentativa de vitória na Volta a Algarve, o espanhol Juan Ayuso confirmou pretensões à geral ao impor-se numa dos inéditos pontos quentes bonificados do Quilómetro Dourado (três metas num espaço de apenas um quilómetro) na segunda passagem por Vila Real de Santo António, a 24 km da chegada. O ex-corredor da UAE Emirates, na estreia pela sua nova equipa, a Lidl-Trek, ganhou assim três segundos a Almeida - e à restante concorrência - na batalha que se antevê pela camisola amarela, ocupando a quinta posição da geral, a sete segundos de Paul Magnier.

A fuga do dia foi constituída, na íntegra, de corredores de equipas portuguesas, nove, entre os quais cinco lusos - André Ribeiro e José Miguel Moreira (GI Group), Bruno Silva (Tavfer), Noah Campos (Tavira), Diogo Narciso (LA); o neerlandês Enzo Leijnse (Anicolor), o argentino Tomas Contte (Aviludo) e o russo Vlacheslav Ivanov (Feirense) -, formou-se estavam percorridos apenas cinco quilómetros, logo que o terreno começou a empinar à saída de Castro Marim. 

No entanto, as equipas do WorldTour com velocistas não deixaram a aventura ganhar grande vantagem. Os roladores da Alpecin-Premier Tech de Jasper Philipsen e da Soudal Quick-Step de Paul Magnier meteram-se cedo ao trabalho e só a espaços permitiram que os fugitivos dispusessem de mais de dois minutos, o que desde logo condenava a iniciativa.

De qualquer modo, os fugitivos foram bravos e resistiram em andamento vivo (média a rondar os 42 km/h) apesar do perfil acidentado da serrania do Sotavento algarvio, transpuseram a contagem de montanha de 3.ª categoria de Marcados (km 97), a longa descida desde o Cachopo para a primeira passagem por Tavira, onde o pelotão se aproximou perigosamente a menos de 30 segundos.

Contudo, os mais fortes do grupo tinham energias reservadas para continuar a resistir na liderança da corrida. Leijnse, Ivanov e Contte atacaram no início da subida de Faz Fato (3.ª cat.), onde o argentino garantiu a primeira camisola de rei da montanha (camisola azul) desta Algarvia, e destacam-se dos parceiros de fuga, a quem se juntou Hugo Nunes (LA) proveniente do pelotão, numa rápida ponte, e em perseguição. Os trios reuniram-se a 36 km da meta, mas ainda antes dos derradeiros 30, em Castro Marim, já estava reduzido cinco, depois de Nunes, mais fresco, ter-se isolado.

O pelotão rolava furioso a menos de um minuto na retaguarda, e só autorizou ao escapado que levasse as bonificações de tempo em dois dos três pontos quentes do Quilómetro Dourado (por isso, é o terceiro da geral, a 4 segundos da camisola amarela) na marginal de Vila Real de Santo António (o último foi para... Juan Ayuso), absorvendo o português à saída da cidade pombalina. E então, por fim, descansou.

Os derradeiros 23 quilómetros, totalmente planos, até Tavira (pela EN125) foram cumpridos em pelotão compacto e em paulatino crescendo de intensidade – e de velocidade, com as equipas dos sprinters no comando, incluindo, incialmente, as portuguesas.

Os cinco quilómetros de aproximação do grande grupo a Tavira, como sempre, foram nervosos, com os comboios dos lançadores a lançaram-se numa correria pelo melhor posicionamento dos seus velocistas.  E o sprint, em ligeira subida, foi rijo e a altíssima velocidade, com Paul Magnier a revelar-se o mais poderoso.