Um xeque-mate em duas jogadas travado pela raça (crónica)
Quando era a altura de fazer contas, faltava sempre um. José Mourinho mandava subir linhas para pressionar a fase de construção portista no habitual 4x4x2 sem bola, porém não era mais do que uma espécie de hara-kiri. Porque havia Diogo Costa e a sua maior capacidade com os pés, os dois avançados (Pavlidis e Rafa) nunca conseguiram encaixar na dupla de centrais polaca e abria-se um buraco nas suas próprias costas. Gabri Veiga ainda o aumentava em largura, ao chegar-se mais para a esquerda, arrastando Ríos. Se com o duplo-pivot já estariam demasiado expostos, o efeito de arrastamento provocado pelo espanhol deixava Barrenechea a ter de lidar com Varela e com as acelerações de Froholdt. A batalha estratégica estava a perder-se.
No primeiro golo do FC Porto, aos dez minutos, há a juntar ainda outros dois erros ao contexto anterior. À descida de Deniz Gul para o apoio frontal, juntou-se o acompanhamento de Otamendi, apanhado depois de fora de posição pelo movimento vertical de Froholdt, que, bem mais veloz, já ultrapassara Enzo. O primeiro remate é defendido por Trubin, mas o ucraniano deixa, fatalmente, a bola fugir para a frente e aí o ex-Copenhaga já não perdoou.
Os encarnados reagiram. Diogo Costa mostrou elevados níveis de concentração ao reagir a um tiro de Rafa desviado por um companheiro, aos 24 minutos, e nas restantes jogadas à consistência do bloco defensivo azul e branco, com setores muito juntos, aliou-se a displicência de alguns elementos do ataque dos da casa. Rafa esteve sempre num mundo só dele, impreparado para as bolas que lhe caíram nos pés.
Feridas com o golo sofrido, as águias vieram em número para a frente. Percebe-se a ansiedade, porém o jogo pedia cabeça. O risco era tremendo e não compensou.
O 0-2 surge quando o Benfica tentava empurrar o rival para trás. Uma bola perdida cai em Gabri Veiga, que descobre de imediato Pietuszewski. O jovem extremo fica apenas com o já amarelado Otamendi pela frente e vai para cima, virando o argentino do avesso antes de fuzilar Trubin. Parecia jogada de xeque-mate, no entanto, faltava muito tempo.
RECORRER AO INDIVIDUAL
Se os de Farioli nunca perderam sentido de baliza, faltando definição em várias transições, o Benfica teve de voltar a assentar na raça e no talento individual para dar evitar a primeira derrota na Liga. Aos 65', Lukebakio substituiu o frenético, mas ainda assim irregular Prestianni e, quatro minutos depois, enrolou a bola desde a direita contra o ferro. Schjelderup foi quem adivinhou o ressalto, reagindo mais rápido do que Alberto, e reduziu.
Os dragões não souberam meter gelo e, embalado por uma Luz a acreditar, o Benfica chegou a um empate pouco provável. Ivanovic, também ele entrado (para o lugar de Rafa), cruzou para um desvio de primeira de Barreiro para o 2-2, aos 89'. Era um mal menor, mas desperdiçada a derradeira oportunidade para ainda sonhar. E a penúltima para vencer um rival.
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