Hoje é segunda, segunda vida
Confirmada a reeleição de Florentino Pérez como presidente do Real Madrid, José Mourinho e Marco Silva podem formalmente assumir os novos desafios.
Outra vez utilizado como trunfo eleitoral, o setubalense troca a segunda vida no Benfica por uma segunda vida na capital espanhola. Um regresso surpreendente ao Bernabéu, pelo menos tendo em conta os resultados recentes - inclusive na Luz -, mas que reflete o prestígio que faz dele o melhor treinador da história do futebol português.
Mourinho dificilmente poderia imaginar melhor saída para o ambiente constrangedor que ficou no Seixal depois do pedido de renovação que Rui Costa andou a tentar ignorar. Agora, aos 63 anos, o técnico tem a possibilidade de voltar ao topo do futebol europeu, e no banco merengue há sempre o risco de acabar com mais uma Champions no palmarés.
O presidente do Benfica, por seu lado, recebe 15 milhões de euros por um treinador que até nem fazia grande questão de manter, o que já ajuda a compensar o orçamento para 2026/27, tendo em conta a ausência da próxima Liga dos Campeões.
Para Marco Silva também será uma segunda vida, esta possibilidade de treinar outro candidato a títulos, depois da passagem pelo Sporting, mas essa ideia de nova oportunidade também se aplicará a muitos elementos do plantel, descartada que está uma revolução.
É óbvio que o plantel do Benfica tem lacunas - agravadas entretanto com a saída de Otamendi, por exemplo -, mas a estrutura não pode ir às compras com a ideia de encher o carrinho, desde logo porque falta tempo e dinheiro.
O orçamento ficou desprovido das verbas da Champions, e a participação na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, logo a 23 de julho, desaconselha mexidas profundas (em cima do joelho) no plantel.
O Benfica já deveria ter garantido reforços para a nova época, independentemente da troca de treinador, mas Marco Silva sabe que vai ter de olhar sobretudo para os recursos que já estavam na equipa. O novo técnico das águias já revitalizou algumas carreiras, e Sudakov parece ser o exemplo claro de um jogador que está longe da sua real capacidade individual.
Mas a grande mudança no Benfica terá sempre de ser coletiva, de qualquer forma, e para lá do balneário talvez os ajustes devam ser revolucionários. Pelo menos no processo.