Mourinho e Marco, o render da guarda na Luz...
Mourinho e Marco, o render da guarda na Luz...

Florentino ganhou, Rui Costa suspirou

Clarificação em Madrid desanuviou o céu sobre a Luz. A época de 2026/27 pode ser preparada, no Benfica, sem mais entraves, por Marco Silva. Mas há mais a dizer sobre um processo que revelou quais as vontades de Florentino Pérez e Rui Costa quanto ao ‘Special One’…

Sejamos absolutamente claros: José Mourinho, treinador do Real Madrid, não continuou no Benfica porque Rui Costa assim o quis. Não valerá a pena, sequer, ser esgrimido o argumento da apresentação de uma proposta de renovação, tarde e a más horas, ao treinador de Setúbal, porque será facilmente contraditado, bastando para tal recordar as ‘orelhas moucas’ que os encarnados fizeram ao que Mourinho disse a 1 de março, quando afirmou estar disponível para renovar pelos anos que o Benfica quisesse, e que o dinheiro nunca seria um entrave.

Não sei qual a razão - e essa é uma questão a que apenas Rui Costa poderá responder - por que o clube da Luz preferiu não apostar num José Mourinho de longo prazo. Mas sei que, se o tivesse feito em tempo próprio, Mou nunca diria «sim» ao Real Madrid (e de certeza que Florentino não o incluiria no lote de técnicos que desejava como sucessor de Álvaro Arbeloa).

Inicia-se, assim, uma segunda experiência de Mourinho na Casa Blanca (na era-Florentino apenas Ancelotti e Zidane se tinham repetido na função), sendo o terceiro treinador a representar merengues e águias (antes, Lipo Hertzka e José António Camacho). 

Para o Benfica, encerrado o capítulo Mourinho, abre-se uma nova história, com Marco Silva. Nunca escondi, desde os tempos do Estoril-Praia, a minha admiração pelo ex-técnico do Fulham, que tem como matriz não se deixar condicionar por ruídos externos, venham de onde vierem (lembram-se de Bruno de Carvalho?). Por isso, entendo como muito acertada a escolha de Rui Costa, que tem agora a obrigação – e isso deve ter sido acautelado por Marco Silva – de construir um plantel que vá ao encontro da filosofia do técnico, do seu modelo de jogo e, também, das suas convicções pessoais. Se o Benfica continuar a ser um ‘albergue espanhol’ onde cabem jogadores, que embora sendo, individualmente, de qualidade, não permitem a construção de uma equipa (e no futebol ninguém ganha nada sozinho), estará destinado ao insucesso, e Rui Costa, que desbaratou grande parte do capital de confiança que tinha entre os sócios e adeptos, ficará numa situação, para dizer o menos, periclitante.

Embora nunca existam duas situações exatamente iguais neste microcosmos do futebol, tenho vontade de dizer que Marco Silva está para Rui Costa como Ruben Amorim esteve para Frederico Varandas. Varandas teve a sensatez de entregar o futebol, sem comprometer os orçamentos, nas mãos competentes de Hugo Viana e Amorim, e fez história; vamos ver se Rui Costa e quem o rodeia têm a mesma humildade, até porque, como já referi, Marco Silva não admite interferências no seu trabalho (por isso é que esteve para ser despedido do Sporting antes da época começar, e houve um dia, já a temporada ia a meio, em que foi mesmo despedido e quando, no dia seguinte, foi buscar os seus pertences, disseram-lhe que, afinal de contas, tinha percebido mal e continuava a ser treinador do Sporting).

 Nota final: Até 27 de junho, dia das AG’s no Benfica, Rui Costa precisa de ter a casa arrumada, ou seja, treinador definido (já está) e plantel pronto a trabalhar. A época oficial começa muito cedo, há incorporações tardias nos trabalhos, devido ao Campeonato do Mundo, e os benfiquistas já não têm mais paciência para demoras e hesitações.

CARTAS

ÁS

Mirra Andreeva

Ao vencer a edição de 2026 de Roland Garros, a russa Mirra Andreeva, aos 19 anos e 38 dias, tornou-se na segunda tenista mais jovem a vencer no pó de tijolo parisiense, na «era Open», depois de Monica Seles (16 anos e 189 dias) em 1990. O ténis tem uma nova czarina.

REI

João Almeida

De olhos postos na Vuelta, começou ontem, modestamente, no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, a recuperação funcional, após maleita que o tirou do Giro e do Tour. Em Espanha, onde foi gigante em 2025, igualando o Agostinho de 1974, João Almeida jogará a época.

DUQUE

Enrique Riquelme

O candidato derrotado nas eleições de ontem no Real Madrid, quando surgiu a dizer que contratava Haaland e Klopp (e como foram veementes os desmentidos de um e do outro!) passou um atestado de menoridade aos sócios dos ‘merengues’, que lhe responderam «não».

CAPA

Casa Branca boicota engrenagem da FIFA

Donald Trump não vai fazer Gianni Infantino perder cabelo com as preocupações geradas pelas suas atitudes, apenas porque o líder da FIFA está careca de saber que o atual inquilino da casa Branca nunca primou pela coerência. Como era fácil prever, estão a ser levantadas barreiras à presença, em solo norte-americano, de membros dos ‘staffs’, nomeadamente do Irão. Como diz o ‘Der Spiegel’, «Trump, o desmancha-prazeres».

FOTOLEGENDA

‘SURURU’. Escolher adversários de filosofia semelhante à dos opositores no Mundial, para jogos de preparação, é prática corrente. O Brasil, que terá pela frente Haiti e Marrocos, escolheu o Panamá e o Egito como ‘sparring partners’, a Espanha defronta Iraque e Peru para preparar Arábia Saudita e Uruguai, e Portugal mede forças com Chile e Nigéria para antecipar a Colômbia e a RD Congo. Mas se não visse outra utilidade no jogo com o Chile, e vi, apenas o facto da Seleção Nacional ter ficado avisada para ‘fugir’ dos ‘sururus’ frente à Colômbia seria razão suficiente para justificar a partida do Estádio Nacional.  

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