Um dragão adulto é sempre mais difícil de derrubar (crónica)
A imagem a que provavelmente se irá agarrar o Benfica será a de Pavlidis, o goleador da companhia, falhar aquele que seria um dos golos mais fáceis da carreira. Jogavam-se já os descontos, acertar bem na bola significaria o prolongamento, mas talvez o excesso de confiança tenha traído o grego, na sequência de um belo cruzamento de Schjelderup, que só nessa jogada mostrou muito mais utilidade do que Sidny Cabral em toda a partida.
Essa impressão acentuará por certo um ligeiro sentimento de injustiça para os da Luz, que mesmo assim pecaram sobretudo no plano ofensivo, com a escassez de oportunidades flagrantes criadas. A perder por 1-0 desde muito cedo, há a destacar sobretudo um momento na compensação, porém ainda na primeira parte, com Barreiro a obrigar Diogo Costa a intervenção com o pé, antes de Dedic atirar para as nuvens.
BLOQUEAR A SAÍDA PORTISTA
Pressão. É a palavra que define o clássico da Taça. José Mourinho voltou a olhar para as dinâmicas do FC Porto e tentou anulá-las à nascença, logo na saída para a primeira fase de construção. Assim, Prestianni (Kiwior), Barreiro (Bednarek), Pavlidis (Thiago Silva) e Sidny (Martim Fernandes) encaixavam na perfeição, com Aursnes a vigiar Froholdt de perto. Sobrava Pablo Rosario, uma vez que Ríos tinha um comportamento mais conservador na sua missão no duplo-pivot, mas os colegas preferiam bater longo. Às vezes, até ligar com o apoio frontal de Samu.
Do outro lado, a mesma receita, mas uma maior capacidade para meter bola vertical, ainda que sem grande continuidade depois. Aprimeira chance é das águias, aos 11 minutos, com Prestianni a atirar por cima, porém, cinco minutos depois, os dragões já estavam na frente do marcador graças a uma bola parada. Pontapé de canto de Gabri Veiga, Bednarek — superior em tudo no duelo com Leandro Barreiro — a cabecear para as redes de forma fulgurante.
Dois minutos depois, Trubin, por duas vezes, evitava o 2-0, que muito provavelmente acabaria com as pretensões dos encarnados em chegar ao Jamor e talvez o que restava da sua temporada. Gabri Veiga e Froholdt podiam ter feito melhor, valeu o ucraniano.
ACEITAR A VANTAGEM
Francesco Farioli aceitou a vantagem e geriu-a, perante um rival que se mostrou bem agressivo, como o próprio italiano previra. E também como tem acontecido várias vezes na Liga, o FC Porto soube absorver a reação do adversário e, com linhas bem juntas e a tapar a baliza em 5x4x1 com Pablo Rosario entre os centrais, aguentou a baliza a zero. Aí divide a responsabilidade com dois ou três jogadores do Benfica, que não aproveitaram os raros momentos de desconcentração dos dragões.
O FC Porto segue para as meias-finais, o Benfica falha dois objetivos em poucos dias, com a Liga dos Campeões e a Juventus a apresentarem-se como a próxima final na temporada. A crise é oficial.
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