Zalazar festeja um dos golos que marcou no triunfo do SC Braga na Madeira. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
Zalazar festeja um dos golos que marcou no triunfo do SC Braga na Madeira. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Bóia da salvação madeirense furou com (Zal)azar (crónica)

Madeirenses sofreram para contrariar o domínio minhoto, conseguiram-no, mas naufragaram nos descontos. Bracarenses entraram muito fortes, criaram mais oportunidades e venceram bem

Emoção até final com o SC Braga, de penálti, a conquistar os três pontos nos descontos, num jogo em que os minhotos não teriam sofrido tanto, se a pontaria estivesse mais afinada. Foi a ferros, mas foi merecido. Os madeirenses souberam resistir ao domínio do adversário e conseguiram contrariá-lo ao ponto de deixar a incerteza quanto ao vencedor até aos instantes finais.

Com uma entrada muito forte, os guerreiros do Minho exerceram uma pressão alta que condicionou (muito) a saída do Nacional, empurrando para trás e sem encontrar solução para se soltar ofensivamente. Com grande mobilidade no posicionamento dos homens da frente, em que Ricardo Horta derivava da esquerda para o centro, Zalazar saía da direita para surgir no centro e até no setor intermédio, com Diego Rodrigues a baralhar também as marcações madeirenses ao surgir várias vezes na esquerda, o SC Braga foi criando sucessivas oportunidades e foi com naturalidade que Zalazar inaugurou o marcador, finalizando na meia-lua uma boa troca de bola no lado esquerdo.

Quase de imediato os bracarenses voltaram a marcar, mas o golo foi anulado. Kaique largou a bola para os pés de Gabri Martínez, o árbitro assinalou golo, mas reverteu a decisão depois de rever as imagens alertado pelo VAR, assinalando que o avançado tocou na bola quando o guarda-redes a tinha nas mãos.

Na sucessão de oportunidades, seguiu-se um cabeceamento de Victor Gomez que Kaique sacudiu para a barra, com o guarda-redes a evitar perto do descanso o segundo golo dos bracarenses, a tiro de Pau Victor. Contudo, o domínio absoluto do SC Braga na 1.ª parte poderia ter sido anulado, quando aos 35’ Paulinho Bóia atirou à barra e na recarga Jesús Ramírez acertou no poste.

O início da segunda parte trouxe um Nacional diferente. Tiago Margarido fixou Matheus Dias no meio, depois de na primeira metade ter passado a maioria do tempo entre os centrais, e os madeirenses melhoraram. Chucho avisou numa perda de bola do SC Braga em zona proibida, com a bola a desviar em Paulo Oliveira e a morrer nas mãos de Hornicek, e depois de mais duas perdidas dos minhotos, por Pau Victor e Zalazar, os madeirenses empataram numa jogada vistosa que começou em Kaique, passou por Veron, Jesús Ramírez e com André Sousa a abrir para Paulinho Bóia, que depois de desenquadrar Lagerbielke, colocou a bola no canto inferior direito da baliza de Hornicek.

A reação do SC Braga bateu nos ferros da baliza de Kaique num tiro de Ricardo Horta e o Nacional ripostou por Jesús Ramírez, com Dorgeles a ser decisivo a cortar um desvio de cabeça. Os bracarenses apertaram nos últimos minutos e na sequência de um livre de Horta chegaram ao triunfo numa grande penalidade convertida por Zalazar, assinalada por Diogo Rosa alertado pelo VAR de que a bola tinha sido desviada pelo braço de Matheus Dias.  Azar dos madeirenses, que aos 90+11', por Léo Santos, estiveram perto do empate.

O melhor do Nacional: Paulinho Bóia
O extremo brasileiro estava a ser a boia da salvação dos madeirenses no resgate a um ponto, marcando o golo do empate num movimento individual muito bom, finalizando depois de tirar Lagerbielke da frente. Está num momento de forma muito bom, com confiança nos movimentos e sem problemas em partir para cima dos defesas, como ficou à vista no golo.

As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (6), Alan Nuñez (5), Léo Santos (5), Chico Gonçalves (5), Lenny Vallier (5), André Sousa (6), Matheus Dias (5), Liziero (5), Gabriel Veron (5), Jesús Ramírez (5), Paulinho Bóia (6), Joel Silva (4), Witi (4), Pablo Ruan (-) e Lucas João (-)

O melhor em campo: Rodrigo Zalazar (SC Braga)
Rodrigo Zalazar não precisa de estar tão em jogo como o tem sido praticamente na maioria dos encontros desta temporada, para ser decisivo. Menos interventivo que o habitual, deixou o perfume do seu futebol com muito cheiro a técnica e inteligência, como no primeiro golo quando colocou a bola fora do alcance de Kaique. Nos descontos não tremeu e bateu o penálti que valeu os três pontos.

As notas dos jogadores do SC Braga (3x4x3): Hornicek (5), Barisic (5), Lagerbielke (5), Arrey-Mbi (5), Víctor Gomez (6), Grillitsch (5), Diego Rodrigues (6) Gabri Martínez (6), Zalazar (7), Pau Victor (6), Ricardo Horta (6), Paulo Oliveira (6), João Moutinho (5), Dorgeles (5), Tiknaz (-) e Fran Navarro (-)

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«O SC Braga entrou bem, empurrou-nos para trás e a explorar bem os espaços e foi superior na 1.ª parte, apesar de termos uma oportunidade com a bola na barra e na trave. Na 2.ª parte reagimos bem, conseguimos limitar a primeira fase de construção do SC Braga, tivemos oportunidades para marcar e o jogo foi decidido por um penálti, que na minha opinião não é penálti.»  

Carlos Vicens, treinador do SC Braga

«Fizemos um golo, tivemos oportunidades, marcámos um segundo golo que foi anulado. Na 1.ª parte a diferença foi muito curta, o primeiro remate do Nacional foi aos 35’. Houve precipitação nossa no último terço e com um pouco mais de paciência podíamos ter marcado mais na 1.ª parte. Na 2.ª parte eles foram atrás do resultado e na primeira jogada quebrámos a nossa energia, com uma má saída nossa que provocou perigo. E eles conseguiram mudar um pouco a energia do jogo. E numa jogada inteligente do Kaique em sair rápido o Nacional empatou. Tivemos de fazer outra vez tudo para virar o jogo e a equipa nunca baixou os braços, sem perder a calma. Não tínhamos de sofrer tanto.»