Taremi, ex-FC Porto e internacional iraniano
Taremi, ex-FC Porto e internacional iraniano

O que acontece se o Irão boicotar o Mundial?

Emirados Árabes Unidos podem ser os grandes beneficiados

A poucos meses do arranque do Mundial 2026, o Irão ameaça desistir e não marcar presença na competição, numa altura de crescente tensão militar entre os Estados Unidos, país anfitrião, e os iranianos, que são uma das seleções qualificadas. 

A escalada do conflito iniciou-se no sábado, com ataques aéreos dos EUA e de Israel a várias cidades iranianas, incluindo a capital Teerão, após semanas de tensão diplomática. Em retaliação, o Irão lançou os seus próprios mísseis contra Israel e bases aéreas norte-americanas na região do Golfo, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar e no Bahrein. 

«Com o que aconteceu hoje e com este ataque dos Estados Unidos, é improvável que possamos olhar com esperança para o Mundial, mas são os dirigentes do desporto que devem decidir sobre isso», afirmou Mehdi Taj, Presidente da Federação de Futebol do Irão, a uma estação televisiva de Teerão. 

A FIFA, a propósito da escalada do conflito, declarou que conta com a participação de todos os países na prova. Questionado sobre o impacto desta crise no Mundial, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, mostrou-se cauteloso. «Li as notícias da mesma forma que vocês esta manhã. Tivemos uma reunião hoje e seria prematuro comentar isso em detalhe», afirmou durante uma reunião do International Football Association Board (IFAB) no País de Gales. 

O Irão, que em março de 2025 garantiu a sua quarta qualificação consecutiva para a fase final de um Mundial, tem jogos da fase de grupos agendados para junho contra a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, e contra o Egito em Seattle. A base de treinos da equipa está prevista para o Kino Sports Complex em Tucson, no Arizona. 

O que acontece se o Irão se recusar a ir ao Mundial? 

Ainda não está claro como os recentes desenvolvimentos geopolíticos podem afetar a participação do Irão no Mundial. No entanto, o regulamento do torneio prevê medidas de contingência caso o Irão, neste caso, desista ou seja impedido de competir. A FIFA afirma que, nas circunstâncias mencionadas, o país em questão é substituído «por uma seleção alternativa indicada, geralmente a segunda colocada direta da qualificação ou o conjunto não qualificado com melhor ranking daquela confederação».

Janela de oportunidade para os Emirados Árabes Unidos?

Nesse cenário, os Emirados Árabes Unidos podem sair beneficiados. Os EAU foram a seleção não qualificada com a melhor classificação nas eliminatórias da Ásia, uma campanha que lhes garantiu uma vaga na repescagem continental contra o Iraque. No entanto, os EAU foram derrotados, permitindo que o Iraque avançasse para a repescagem intercontinental marcada para 31 de março, onde enfrentará Bolívia ou Suriname. Outra opção em consideração seria a ida direta do Iraque para o lugar do Irão no Grupo G, com os Emirados Árabes Unidos a disputarem a repescagem intercontinental como uma via alternativa para entrar no torneio.