José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+
José Mourinho, treinador do Benfica - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+

«Desistir, nunca» e a «lesão importante» de Ríos: tudo o que disse Mourinho

As palavras de José Mourinho na conferência de Imprensa que se seguiu à derrota (1-0) do Benfica no Estádio do Dragão

Após a derrota (1-0) do Benfica no Estádio do Dragão, José Mourinho considerou que as águias mereciam outro resultado «por aquilo que fizeram» e enviou um abraço aos jogadores encarnados. Enalteceu a atitude de Richard Ríos, que já foi a jogo com problemas físicos. Objetivos de época não estão terminados, garante.

—Por aquilo que o Benfica fez, merecia um resultado melhor?

—Acho que merecia. Não é fácil jogar contra o FC Porto, principalmente no Dragão, e fazê-lo como fizemos… merecíamos obviamente mais. O golo falhado, a oportunidade perdida aos 90’, é elucidativa do que estou a dizer. Não tivemos problemas no jogo. Controlámos bem, com todos os problemas que tivemos — ausências, substituições forçadas — e os rapazes estiveram muito bem. Faltou o golo, que podíamos ter feito na primeira e na segunda parte. Não tivemos 10 oportunidades, mas as que tivemos chegavam para fazer golo e para ter um resultado completamente diferente.

—Entrou mais ousado do que na Liga. O que pretendia ao lançar Sidny Lopes Cabral e Prestianni?

—O objetivo foi ter jogadores abertos, que limitassem o jogo ofensivo dos laterais do FC Porto e que, ao mesmo tempo, pressionassem em situações como conseguimos: algumas pelo Sidny, a mais flagrante pelo Schjelderup, que depois faz a assistência… Com as ausências que tínhamos, precisávamos de bola, de ser mais agressivos. Sem Otamendi, sem Enzo… A equipa com Ríos, que já começou limitado e depois saiu. Perdemos fisicalidade contra uma equipa que vive da fisicalidade. No próprio 1-0, metemos os mais altos a defender a zona e os de metro e meio a marcar gigantes. O golo aparece numa situação que temíamos que pudesse acontecer. Depois, controlo absoluto: não se viu jogo ofensivo do adversário, não se viram transições, nem remates à baliza… Estou contente com a minha equipa. Se há dias estava chateado com eles, hoje estou chateado é com o resultado. Ganhar é o mais importante. Depende das perspetivas, há quem diga que ganhar não é o mais importante. Eu digo que ganhar é o mais importante, não interessa como. O FC Porto ganhou, não interessa como. Um abraço aos meus jogadores, a quem não tenho nada a apontar.

—Qual o impacto que esta eliminação tem a nível pessoal?

—Porque é que diz «pessoalmente»? Estou sempre aqui para ganhar… Pessoalmente? Estou focado em ganhar sábado. Quando não há provas para ganhar, há jogos para ganhar. Sábado é mais um. O Rio Ave é difícil. Jogar aqui como jogámos, ao ritmo que jogámos contra uma equipa que exige muito fisicamente… Ir para Lisboa e voltar daqui a 48 horas para jogar com um Rio Ave fresco… seguramente será difícil. Temos tantas responsabilidades e jogos importantes… Somos uma equipa com tantos objetivos que, com o grupo limitado que temos e com tantas ausências, é complicado. Mas o objetivo não muda. Há um jogo para tentar ganhar sábado.

—Já sabe qual a extensão da lesão de Ríos? Sentiu-se tentado a lançar Enzo Barrenechea?

—Não, porque não estávamos em situação defensiva. Se estivéssemos em dificuldades a nível de controlo... apesar de o Ríos não treinar há não sei quantos dias, a lesão ainda existe. Ele disponibilizou-se para ir à luta e, se o jogo exigisse o Enzo, ele entraria. Mas nós tínhamos bola, tínhamos espaço. O jogo exigia mais Sudakov do que Enzo. O Sudakov podia ter sido mais incisivo numa ou noutra situação? Sim, de acordo. Mas no perfil de jogo que estávamos a fazer, viu-se que a equipa precisava mais do Sudakov. É uma lesão importante, mas um jogador com a mentalidade do Ríos encara a lesão de maneira diferente de outros. Há jogadores com este tipo de lesão que não pensam duas vezes e focam-se mais no futuro do que no presente. Eu acho que este é o tipo de jogador que não vai pensar no futuro; pensa em ajudar quando a equipa mais precisa, e a equipa precisa muito nos próximos dias. Não quer dizer que jogue contra o Rio Ave, isso seria sobre-humano, mas ainda nos vai ajudar esta época. Acho eu.

—É fácil motivar o plantel para o que resta da época?

—Sim. É o Benfica, sou eu, é fácil de motivar. A esse nível não temos nenhum tipo de problema. Quem joga no Benfica tem de dar sempre tudo, há sempre objetivos a atingir. O objetivo agora é ganhar o próximo jogo. Mas há sempre metas. O que sou como treinador, o que sou como pessoa… Desistir, nunca.