Satisfeito com o desempenho da equipa, mas reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer

Muito a melhorar, batalhas duras pela frente, aposta do Benfica e não pessoal em Palhinha: tudo o que disse Marco Silva

Treinador dos encarnados mete água na fervura do entusiasmo, mas não deixa de dizer que está satisfeito com o rendimento da equipa e orgulhoso pela resposta dos jogadores

— Que abordagem terá a equipa com o Gil Vicente, considerando o momento em que se encontra e a falta de tempo de preparação, e quais os principais desafios que espera encontrar?
— Em primeiro lugar, o Gil Vicente é um adversário de qualidade. Não vem de um bom resultado em casa [derrota em casa com o Académico Viseu por 0-1], mas começou bem a época e sofreu poucos golos [apenas um]. A equipa começa a ter os princípios bem definidos, tenta sempre ter boa organização, com e sem bola, tem jogadores fortes no um contra um também fortes, prepara bem esse momento e tenta levar o jogo para esse momento. É uma equipa que nos pode criar problemas e temos de estar preparados. Disse que o jogo com o Moreirense exigiria a nossa melhor versão e agora não vai fugir à regra. Jogando em casa e vindo de um bom momento, teremos de manter o foco, a mesma qualidade e, acima de tudo, os mesmos princípios. A qualidade virá por consequência se formos fortes nas questões básicas da nossa forma de jogar, do compromisso com a nossa ideia e princípios de jogo, da atitude competitiva. O adversário vai tentar bloquear-nos em alguns momentos e tapar-nos os caminhos. Conhecem-nos e também nos analisam. Em relação ao tempo de preparação, é o que é. Sabemos que iríamos ter o jogo a meio da semana com o Moreirense e um calendário bem preenchido. Nos últimos 15 dias, tem sido assim. Começámos praticamente desde o dia 23 de julho a fazê-lo e acho que só tivemos uma ou duas semanas completas para preparar jogos, de resto tem sido sempre isto. Houve descanso na quinta-feira e na sexta-feira trabalhámos forte para que possamos ser iguais a nós próprios, tentar ganhar o jogo e conseguir os três pontos, nosso grande objetivo.

Prestianni esteve mais uma vez em destaque e fala-se da possibilidade de ser convocado para a seleção argentina. Merece ser convocado? 
— Em relação à seleção argentina, não vou estar a fazer, como treinador do Benfica, qualquer comentário. Terão de perguntar ao selecionador ou esperar pela convocatória. Tão simples como isso. Não tenho controlo sobre isso. A minha opinião ficará para mim, pelo respeito que tenho por todos os treinadores e selecionadores. Estamos aqui para fazer os jogadores do Benfica melhores, tentar ajudá-los, fazer com que o talento deles possa vir ao de cima. Simplesmente isso. É a minha obrigação, o que controlo e no que gasto energia. Depois, serão ou não convocados, ficar mais satisfeitos ou menos. Como clube grande que somos, é um motivo de orgulho quando os jogadores são convocados, mas também ficamos tristes por não tê-los connosco. O que me interessa é que ele mantenha o foco no que o fez chegar a este momento. Se está a jogar como está, é porque trabalhou. Já disse mais do que uma vez, trabalhou desde o primeiro dia de uma forma exemplar, na aplicação, na atitude, no compromisso com o treino. E, depois, porque tem talento, consegue expressar o futebol dele nos jogos. Mas, antes dos jogos, vem do que é o trabalho que tem de ser feito por um profissional de futebol. E ele, nesse aspeto, independentemente de ter 20 anos, conseguiu fazê-lo desde a primeira hora. Mesmo sabendo que não iria jogar nos primeiros jogos oficiais, conseguiu fazê-lo e muito bem. 

— Echeverri está pronto para estrear-se?
— Como outros, chegou mais tarde. Como dizia, tivemos pouco tempo para treinar. Decidimos não levá-lo para a Madeira para se treinar e ganhar condição [física]. No último jogo [com o Moreirense], já esteve connosco no banco. Está a adquirir as nossas dinâmicas, a conhecer colegas e posicionamentos na equipa. É tudo muito claro para ele na posição que joga, tem-na desempenhado nos clubes pelos quais passou. Desdee muito jovem, tem-no feito também nos clubes pelos quais tem passado. É jogador para a posição de médio-ofensivo. A seu tempo terá a oportunidade dele. Veremos se será agora, se será mais para a frente. Com muitos jogos e pouco tempo de treino é curto. Mas está preparado se tiver de entrar para ajudar.

Alexander Bah está disponível?
— Não estará disponível. Está a recuperar bem. Fico feliz por já vê-lo em campo a fazer trabalho individual. É importante conseguirmos ter todos os jogadores disponíveis. Num momento de  tanta intensidade de jogos, é sempre importante contar com um jogador que teve um arranque muito bom de temporada. Estava bem fisicamente e a ajudar a equipa. Para este jogo, ainda não estará disponível. 

Prestianni e Schjelderup entenderam-se muito bem e Sudakov ficou no banco. A hierarquia começa a ficar definida?
— Já vos tinha dito que seria uma possibilidade Prestianni jogar por dentro. Já o tinha feito [esta época], não de início, mas no decorrer de alguns jogos. Está num momento muito bom. Nos últimos meses, tem jogado muito mais sobre o corredor direito, connosco começou a jogar sobre o esquerdo e não tantas vezes no corredor central. Mas sabia que tem essa capacidade. Cresceu também a jogar naquela posição. Naturalmente, sem bola terá de continuar a trabalhar para perceber aquilo que queremos no momento defensivo naquele posicionamento. Para aquilo que queríamos contra o Moreirense, teve um impacto muito grande. Tem tido sempre. Esteve numa zona mais central, com algumas permutas com o Andreas [Schjelderup]. No golo do Andreas, é ele que está por fora e o Andreas por dentro. É a dinâmica que queremos na equipa. Fiquei muito satisfeito. Já vos tinha dito que o impacto que tiveram no jogo na Madeira, em 30 minutos, foi muito bom, em 30 minutos. Estou aqui para tomar decisões sempre para o melhor da equipa e em função das respostas dos jogadores nos treinos e nos jogos. A resposta no último jogo foi, mais uma vez, muito boa. Quanto a hierarquias, não existem. Percebo a questão, mas não crio hierarquias. Os jogadores sabem que a qualquer momento podem estar lá dentro, como a qualquer momento podem estar no outro lado e têm de estar preparados.

— João Palhinha foi uma aposta pessoal ganha?
— Palhinha não é uma aposta pessoal, é aposta do Benfica, ponto final. Aqui não há... não há apostas pessoais de A, B, C ou D. Às vezes [jornalistas] dizem que os clubes contratam sem o treinador querer, outras dizem que quer, outras vezes que não quer. Vão dizendo de acordo com as informações que têm e respeito muito o vosso trabalho. O Palhinha, como qualquer outro jogador, é aposta do Benfica. Se o Benfica o decidiu contratar, cá estamos para tirar o máximo rendimento dele. Percebo a questão: é um jogador que esteve comigo, que contratei para Inglaterra [Fulham], primeira experiência fora lhe permitiu chegar a um nível muito bom e ser contratado por grande clube, como o Bayern. Também foi contratado, agora, por outro grande clube europeu, Benfica. Não foi aposta pessoal de alguém, foi aposta do Benfica, tão simples como isso. 

Benfica é a equipa que está a jogar o melhor futebol?
— No final da época  é que se fazem as contas e que se vê quem foi a melhor equipa em Portugal. Tão simples como isso. É um campeonato muito competitivo, difícil, com quatro equipas muito fortes e com as outras equipas a crescer com qualidade. Não vou por esses caminhos, não vou. Tenho um respeito muito grande por todas as equipas. 

— Completam-se três meses desde que foi apresentado. Disse que queria uma equipa dominadora e a praticar um futebol atrativo. O último jogo terá sido um exemplo do que deseja. O que o satisfez mais neste caminho e o que tem a equipa de melhorar?
— A equipa ainda tem muito, muito a melhorar. No último jogo, dei os parabéns pela boa exibição, mais uma vez num relvado muito complicado, pela solidez com bola e sem bola, pela acutilância jogando fora de casa. Nem sempre falo no final dos jogos. Vou gerindo. Mas dei-lhes os parabéns, porque teríamos folga no dia seguinte e optei por dar-lhes logo feedback. Dei-lhes os parabéns, disse-lhes que eram só mais três pontos mas estava muito satisfeito pelo comportamento da equipa, a nossa qualidade com bola, a nossa capacidade sem bola, o nosso momento de reação. Quando temos cantos ofensivos e fazemos recuperações de bola no nosso meio-campo com Rafa ou Pavlidis, com o Durán a levar amarelo por falta tática, quando perdemos bola e são os avançados os primeiros a reagir e a estar em momento defensivo, isso deixa-me orgulhoso. É um princípio que quero na nossa equipa. Para não sofrermos golos e sermos uma equipa sólida, começa tudo na frente. Como para construirmos bem o ataque começa muitas vezes nos guarda-redes. Dei-lhes os parabéns, mas também lhes disse que há um caminho muito, muito longo a percorrer. Estamos no início da temporada e duras batalhas estão para vir, a próxima com o Gil Vicente. Temos muito de melhorar como equipa, ainda estamos a integrar jogadores. Há muita coisa para melhorar, mesmo para quem está a jogar. Estamos longe, longe do que queremos, mas, não há que esconder, estamos satisfeitos. Estou orgulhoso pelo comportamento dos jogadores, pelo estado de espírito deles para estarem preparados para ouvir e perceber o que queremos, para entender as dinâmicas da equipa. E não há que esconder que, a esta dimensão, se torna mais difícil se os resultados não ajudarem. Estamos no início de um processo. Vejam quantos jogadores da linha defensiva do ano passado não estão cá. Há muitas diferenças que fazem com que se demore tempo. Tenho de dar os parabéns aos jogadores pela mentalidade e capacidade de trabalho. Eles são os primeiros a saber que estamos só no começo. Há muitas batalhas e muito para vir.

Banjaqui será titular?
— Fez o último jogo, tínhamos várias soluções, continuamos a tê-las, jogadores para adaptar que já fizeram muito bem essa posição, como o Fredrik [Aursnes] ou o Tomás Araújo. Banjaqui é a solução mais direta. Compete-me decidir e terão de esperar por amanhã.

Samuel Soares vai manter-se titular ou admite dar titularidade a Trubin nos jogos da Taça ou na quarta-feira com o Milan?
Trubin pode jogar a qualquer momento que necessitemos. Da mesma forma como decidimos começar com ele e depois entrar o Samuel, poderá acontecer o oposto. Não temos de dar uma Taça ou outra competição só por dar. Quando chegar o momento, Trubin estará pronto para jogar, porque tem treinado nesse sentido. Sobre possíveis renovações não vou fazer comentários.

— O Benfica tem apresentado uma produção ofensiva muito forte e sofreu apenas três golos no campeonato. Esta dinâmica entre a produção ofensiva e solidez é o que pretende?
— Fala-se muito da questão de jogar bem ou mal, ofensivo ou não. Não há qualquer equipa que consiga ganhar em competições longas se não for sólida e competente em todos os momentos do jogo. Isso, para mim, é claro. Não há só um caminho para se ganhar ou ser competitivo. Mas para colocar muitos jogadores à frente da linha da bola e no processo ofensivo a equipa tem de estar preparada para o momento defensivo. Não há volta a dar, porque depois vamos ter dissabores. O Gil Vicente tem o nosso foco total, é equipa capaz de nos criar problemas. Queremos mostrar a nossa identidade, mas depois teremos de ser  fortes nos outros momentos. Não há que ter só uma mentalidade ofensiva, há uma mentalidade de uma equipa que tem de ser forte em ambos os momentos. Por vezes, mais importante do que fazer três ou quatro golos, é não sofrer. Depois, se pudermos marcar mais, melhor. Mas não sofrer é fundamental.

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