Jogar à Benfica é inegociável para Marco Silva
Talvez já poucos se lembrem de Marco Silva anunciar, na apresentação como treinador do Benfica, a 12 de junho, que trabalharia para a equipa ter uma identidade «dominadora» e que isso representa o Benfica. Para o treinador, compromisso e exigência são inegociáveis, como também é inegociável a forma de jogar à Benfica, resumida um futebol ofensivo, atrativo e dominador. No rescaldo da goleada aplicada ao Moreirense no Minho, depois de uma das mais sólidas e atrativas exibições da época, Marco Silva assinalou que a equipa manteve a «identidade». Esse é, para o técnico, o maior bem a preservar.
O Benfica fez, em Moreira de Cónegos, um dos jogos mais completos da época, contra uma equipa que tinha causado muitas dificuldades ao FC Porto cinco dias antes. Só contra o St. Gallen (72 por cento), teve mais posse de bola do que contra o Moreirense (71), só contra Aarhus (32) e Académico Viseu (32) rematou mais que quarta-feira, só em quatro jogos acertou mais vezes no alvo que no Minho (9), só contra Estoril e Académico Viseu (13) fez mais cruzamentos que no jogo em atraso da terceira jornada (11).
A voracidade e vertigem ofensivas do Benfica estão bem expressas na média de golos, superior a três golos por jogo (3,4), alimentada por algumas goleadas, por exemplo a St. Gallen (5-0), Hearts (6-1) ou Casa Pia (7-0). No empate, em casa, com o Académico Viseu, por exemplo, registou algumas das estatísticas ofensivas mais elevadas — nesse caso, porém, de nada valeu.
Marco Silva meteu mãos à massa ainda sem reforços ofensivos, sem opções que tinham sido importantes na última época, como Schjelderup ou Lukebakio, de férias depois do Mundial, ou Prestianni, suspenso nos dois primeiros jogos da época. Jakub Kaminski chegou pouco tempo antes do arranque oficial — as negociações com o Estugarda estavam já em fase adiantada quando o treinador entrou em cena e o negócio respondeu, sobretudo, à urgência do Benfica.
O grupo comprou depressa a ideia do novo treinador, apesar das dificuldades iniciais e do choque provocado pela derrota com o St. Gallen, na Suíça. Quando o Benfica empatou com o Académico Viseu, o comboio da forma de jogar dominante e ofensiva estava em andamento.
Ai que saudades
Marco Silva está consciente de que a equipa está longe de ser um produto acabado, ainda há reforços para integrar e tirar rendimento desportivo, outros, como Aursnes ou Palhinha, ainda podem dar muito mais, sabe que a consistência é um bem maior para qualquer ambição, mas a forma de jogar será sempre inegociável.
Está, ainda assim, a desfrutar deste momento. Quando escolheu o Benfica, apesar de ter ofertas para continuar em Inglaterra, e não só, mais vantajosas financeiramente, optou pela oportunidade de tomar conta de uma equipa, de representar um clube que lhe permitisse jogar ao ataque e lutar por títulos e assumir «o maior desafio da carreira».
A procissão, em resumo, ainda está no adro, mas os sinais em campo são animadores para equipa e adeptos. Sempre com o compromisso de jogar à Benfica.