Valência em cacos: o que aconteceu ao histórico espanhol?
O Valência está em profunda crise. O histórico emblema che igualou o seu pior início de campeonato da história, somando apenas um ponto em quinze possíveis, e ocupa o último lugar da tabela. Com apenas um golo marcado, uma onda de lesões e uma crescente tensão com os adeptos, os valencianos vivem em estado de alvoroço e o treinador Carlos Corberán trabalha sob enorme pressão.
A derrota de sexta-feira no terreno do Sevilha (1-0), no Ramón Sánchez-Pizjuán, confirmou o cenário negro e afundou a equipa. O único ponto conquistado na temporada em curso foi logo na jornada inaugural, num empate a zero contra o Celta de Vigo, no Mestalla. Desde então, o Valência somou quatro derrotas consecutivas, frente a Betis (0-1), Deportivo (3-1), Barcelona (0-5) e, por último, os andaluzes.
O que aconteceu ao gigante espanhol, que teve o seu período de ouro no final da década de 1990, bem como no início do século XXI? Nessa altura, o Valência era um sério concorrente de Barcelona e Real Madrid. Chegou, aliás, a atingir duas finais da UEFA Champions League consecutivas — uma em 1999/00, perdida para os merengues (0-3), e outra em 2000/01, que terminou em derrota frente ao Bayern (1-1, 4-5 a.p.).
Se as caminhadas na Europa não bastassem, sagrou-se mesmo campeão espanhol em duas ocasiões (2001/02 e 2003/04), somando no total seis títulos da LaLiga — apenas quatro clubes têm mais (Athletic Bilbao, Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid).
Arranque historicamente mau e... sem pontaria
O atual arranque desastroso iguala os registos negativos das épocas 1999/00 e 2024/25, nas quais o clube também só tinha um ponto após cinco jogos. No entanto, a situação atual é ainda mais grave no plano ofensivo: nessas duas temporadas, a equipa marcou três golos, enquanto na presente campanha faturou apenas por uma vez, o que acentua a sensação de fragilidade.
Recorde-se que, apesar do mau começo em 1999/00, os che terminaram a época no terceiro lugar e alcançaram a final da prova milionária. Já há duas épocas o cenário foi diferente, com Carlos Corberán a chegar ao comando técnico no Natal para substituir Rubén Baraja e a conseguir salvar a equipa da despromoção. Agora, o fantasma da luta pela manutenção volta a assombrar o clube desde cedo, que não joga no segundo escalão desde 1986/87.
Tensão crescente com os adeptos
O mau momento desportivo agravou o fosso entre a equipa e os adeptos. Após o jogo com os sevilhanos, um grupo numeroso de pessoas deslocou-se ao aeroporto de Manises e à Cidade Desportiva de Paterna para expressar o seu descontentamento. No local, foi necessário um cordão policial para garantir a segurança na entrada e saída dos veículos de jogadores e equipa técnica.
Ouviram-se cânticos e insultos, com muitos a exigirem também a saída do acionista maioritário, Peter Lim. Este não foi um protesto isolado. Após a goleada sofrida em casa contra o Barcelona (0-5), cerca de dois mil adeptos já se tinham manifestado junto à tribuna do Mestalla.
O descontentamento com o rumo que o emblema che tem levado nos últimos anos não é de agora. O multimilionário da Singapura, de 73 anos, adquiriu o clube em outubro de 2014 e desde então, considera uma grande franja dos adeptos, o Valência tem estado em decadência, com má gestão, contratações falhadas e treinadores sem qualidade.
Os primeiros anos com o magnata asiático ainda correram bem, com qualificações para as competições europeias e ainda um troféu como ponto alto: a Taça do Rei em 2018/19.
Porém, o Valência tem lutado pela permanência nas últimas épocas e o cenário da descida parece cada vez mais provável.
Onda de lesões agrava o cenário
Como se não bastasse a crise de resultados, uma praga de lesões tem afetado o plantel. Em apenas cinco jornadas, sete jogadores da equipa principal sofreram problemas físicos:
O ex-Famalicão Justin de Haas, Guido Rodríguez, Umar Sadiq, César Tárrega, Dimitri Foulquier, Luis Rioja e Mouctar Diakhaby estão entregues ao departamento médico.
Com a paragem para os compromissos das seleções a aproximar-se, o Valência enfrenta as próximas duas jornadas, frente a Alavés e Real Sociedad, com uma obrigação clara: conquistar vitórias urgentemente para se afastar da zona de despromoção e aliviar a tensão que se vive no Mestalla.