Na época passada, no Estádio da Luz, Luís Esteves colocou o Gil Vicente em vantagem frente ao Benfica — Foto: Miguel Nunes
Na época passada, no Estádio da Luz, Luís Esteves colocou o Gil Vicente em vantagem frente ao Benfica — Foto: Miguel Nunes

Projeção vem... do México: «Benfica está a um nível alto, mas Gil poderá ter sucesso»

Luís Esteves reconhece poderio dos encarnados, mas olha para a competência dos minhotos e abre porta a uma surpresa. «Jogar nestes ambientes é fantástico», diz o criativo, que em 2025/26 marcou na Luz

Está quase a fazer um ano que o Gil Vicente visitou o Estádio da Luz. A 26 de setembro de 2025, os gilistas perderam (1-2) com o Benfica, num encontro relativo à 7.ª jornada da temporada passada.

Nessa altura, o conjunto então orientado por César Peixoto (que neste defeso se transferiu para os ingleses do Wolverhampton) chegou mesmo a estar em vantagem, fruto de um golo apontado por Luís Esteves, logo aos 11 minutos, mas um bis de Pavlidis (18 e 26', este último de penálti) ditaria a vitória da equipa que era liderada por José Mourinho.

E foi, precisamente, com o autor do tento dos galos que A BOLA esteve, agora, à conversa. Diretamente do México — representa atualmente o Atlas —, o criativo recorda esse jogo e não esconde que ficou um sabor «agridoce».

«Além do meu golo, fizemos uma grande exibição. Fomos uma das equipas que mais remataram no Estádio da Luz. Merecíamos muito mais e o resultado não traduziu o que se passou. Mas o Benfica foi eficaz e acabou por ganhar. Feliz por ter marcado um golo, claro, mas com esse sentimento agridoce porque a equipa acabou por não conseguir atingir os objetivos para esse jogo», lembra, em declarações exclusivas ao nosso jornal.

E como será, então, o próximo embate entre as duas equipas, amanhã (20h30), de novo no reduto das águias? «Será um jogo muito difícil para o Gil Vicente. O Benfica está a um nível muito alto, cria imensas oportunidades e marca bastantes golos, ainda para mais na Luz. O Gil Vicente tem treinador um novo e jogadores jovens que ainda estão a assimilar as ideias, mas é uma boa equipa e poderá ter sucesso neste jogo também. Tirando a última partida, com o Académico de Viseu, em que o resultado [0-1] até foi injusto, o Gil Vicente tem feito um excelente arranque de época. Espero que tudo possa correr-lhes bem», partilha.

Confessando que jogar nestes ambientes, como na Luz, «é fantástico», já que são grandes estádios e estão muitas vezes cheios, Luís Esteves dá o mote. «O Gil Vicente não tem qualquer tipo de pressão. Falando por mim, logicamente, gosto sempre deste tipo de jogos, uma vez que, e cumprindo sempre o plano coletivo, claro, temos sempre a oportunidade de nos mostrarmos e de podermos ter mais uma oportunidade para saltar para outros patamares», assumiu o médio-ofensivo, lançando os minhotos para mais uma grande temporada.

«PELO QUE FIZ NA ÉPOCA PASSADA...»

Está feliz no México, não pensa, tão pouco, regressar a Portugal num futuro próximo, mas também não deixa de dar uma opinião frontal relativamente ao que podia ter sido a sua carreira. Nomeadamente depois dos registos que alcançou na temporada passada (34 jogos, quatro golos e oito assistências) e que reforçaram toda a qualidade individual de Luís Esteves.

Para trás já tinham ficado campanhas de altíssimo nível, tanto no Nacional como na equipa B do Vitória de Guimarães, pelo que o criativo assume, com toda a humildade, que pensou em algo mais.

«Sei que sou bem visto em Portugal, mas sinto que poderia ter chegado a outros patamares. Vim para aqui [México] com o intuito de ser olhado de forma diferente, quero ser dos melhores da liga e uma referência. Em Portugal, não estando nos três grandes, seria difícil. Penso que fiz por merecer chegar a um dos ditos grandes em Portugal, especialmente depois do que fiz na época passada, em que fui um dos melhores na minha posição», relata, sem rodeios.

Nascido em Arada (Ovar), Luís Esteves passou pela formação de Sporting, Feirense e SC Braga, sendo que já enquanto sénior representou Sanjoanense, Vitória de Guimarães, Nacional e Gil Vicente. A presente temporada abriu-lhe as portas ao primeiro desafio no estrangeiro, e, para já, tudo lhe corre na perfeição no futebol mexicano.

NEM O 'SOMBRERO' OFUSCA A MAGIA DO CRAQUE LUSO

Luís Esteves rapidamente se tornou um dos mais adorados pelos adeptos do Atlas — Foto: D. R.

Luís André Leite Esteves. Para muitos Luís Esteves, para outros só Luís, para alguns somente Esteves. Tudo servirá para quem com ele tenha relação, seja mais próxima ou nem tanto. Mas qualquer que seja o nome, uma coisa é certa: os adeptos do Atlas já o têm na ponta da língua, como se diz em bom português. Porque o criativo luso caiu-lhes (muito) rapidamente no goto. Em que língua? Futebolês...

Contratado há poucos meses ao Gil Vicente, Luís Esteves não demorou a encantar em solo mexicano. Assumiu-se como o motor da equipa do Atlas e já contabiliza 10 jogos ao serviço do novo clube, com dois golos apontados. O último dos quais, na madrugada do passado domingo, diante do Atlante (1-1), foi absolutamente magistral. «Acho, sinceramente, que foi o golo mais bonito que marquei em toda a minha carreira», confidencia-nos.

A vida corre de feição a Esteves e, aos 28 anos, o futuro ainda terá muito para oferecer. Mas o que conta é a felicidade atual: «As pessoas são muito carinhosas, tratam-me muito bem e fazem-me sentir em casa. O meu agente [Jonathan Sousa] teve muito mérito na minha decisão de vir para aqui, foi ele quem me colocou no horizonte a hipótese de pensar neste projeto de forma diferente. E foi o melhor passo que podia ter dado.»

O objetivo desportivo é, claro, ajudar o Atlas. «Aqui temos play-off e o primeiro passo é colocar o clube nos oito primeiros desta fase para depois podermos lutar pelo título. Estou num clube incrível, que dá todas as condições aos jogadores», conta o português, cujo sombrero não ofusca tanta magia.

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