Tim Merlier e o filho Jules no pódio em Chalon-sur-Saône
Tim Merlier e o filho Jules no pódio em Chalon-sur-Saône

Tim Merlier alcança tripla vitória no Tour e leva filho ao pódio para conhecer Pogacar

Terceiro triunfo do belga na Volta a França 2026 na véspera do regresso à alta montanha e com o líder esloveno a prever que as etapas de sábado e domingo se tornem escaldantes

Quando começou a derradeira preparação para o sprint final que iria determinar o vencedor da 12.ª etapa da 113.ª Volta a França — 179,1 km que ligaram Magny-Cours a Chalon-sur-Saône —, Tim Merlier, de 33 anos, nem sequer estava propriamente bem colocado.

Fotografia Imago

Mas, nos últimos metros — marcados por uma aparatosa queda a 350 metros da meta, logo após a passagem das cerca de duas dezenas de corredores que formavam o grupo da frente —, o belga soube, uma vez mais, tirar proveito das suas capacidades. A queda provocou várias escoriações e até o abandono do colombiano Fernando Gaviria (Caja Rural-RGA) devido à fratura da clavícula, mas Merlier beneficiou também do esforçado trabalho que os seus companheiros da Soudal-Quick Step haviam efetuado para que aquele sprint acontecesse e o triunfo fosse possível.

A tirada começara calma, mas depois sucederam-se inúmeras tentativas de fuga, com o incansável Baptiste Veistroffer (Lotto) a tentar, de novo, tornar-se no herói do dia ao não esperar por ninguém para se isolar, embora tenha ficado sempre sob fácil vigilância do pelotão.

Mais tarde, a 35 km do fim, a maior agitação acabaria por ser provocada pelo americano Quinn Simmons. Foram vários os que o acompanharam, decididos a tentar a sorte numa fuga tardia que deixasse de fora os principais sprinters.

No entanto, a Lidl-Trek quis defender a liderança por pontos do dinamarquês Mads Pedersen e procurou fechar o espaço existente, levando consigo a Soudal-Quick Step, interessada em colocar Tim Merlier na frente. A faltarem 10 km, o objetivo estava concluído: haveria sprint. Dependia simplesmente de quem estivesse com mais forças.

Com uma capacidade única de elevar o nível de aceleração máxima nos derradeiros metros, Merlier (3:38.53 h) encontrou a abertura para passar entre Olav Kooij (Decathlon) e Jasper Philipsen (Alpecin-Deceuninck) para, tal como na véspera, relegá-los para o segundo e terceiro lugares do pódio, com o mesmo tempo.

Conquistou a sua terceira etapa — sexta de sempre — nesta edição e a 75.ª vitória na carreira. E, ao contrário do que a Lidl-Trek desejava, reforçou a candidatura à camisola verde, ficando a 50 pontos de Mads Pedersen (357 pts), com Biniam Girmay (317) e Philipsen (311) também à espera de uma oportunidade para chegarem mais à frente.

Um desfecho que acabou por ser de transição antes do regresso à alta montanha — a próxima etapa será a mais longa da prova, com 205,8 km entre Dole e Belfort, e inclui a desafiante subida ao Ballon d'Alsace, uma contagem de primeira categoria localizada a cerca de 30 km da meta — e, por isso, sem grandes sobressaltos para os homens da frente. Tadej Pogacar manteve a camisola amarela e a vantagem sobre os principais adversários.

O dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) continua em segundo, a 3.36 m, enquanto o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) ocupa o terceiro degrau do pódio, a 4.06 m do tetravencedor do Tour.

Para o pódio, Tim Merlier levou o filho pequeno, mas não apenas para que este, ainda que bastante novo, possa um dia recordar o momento de festa da vitória do pai. Na tenda de espera da cerimónia, o belga quis que Jules pudesse pedir um autógrafo a Pogacar. Só que, no momento, o pequeno envergonhou-se. «Queres um autógrafo do Pogi?». O esloveno não perdeu tempo e assinou a camisola e o chapéu da Soudal-Quick Step de Jules.

«A visita da minha companheira [Cameron Vandenbroucke] e do meu filho Jules foi uma motivação extra para tentar conquistar a vitória. O Jules ainda é jovem, mas certamente vai lembrar-se desta vitória. Tentamos ganhar por eles, e foi especial tê-los aqui. Isso não acontece sempre. Estou muito contente. Esta manhã, até estava um pouco mais nervoso», foi contando Tim.

«Uma tripla vitória no Tour é algo realmente incrível. No ano passado perdi algumas oportunidades, mas agora isto compensa largamente e com folga. Durante a etapa, praticamente não senti nervosismo. Ainda estava calor, mas não sofri tanto como nos últimos dias. Quando cheguei ao cume na subida final, senti-me ainda mais determinado a tentar o sprint. Também tive um problema com o meu rádio», revelou Merlier sobre o facto de ter perdido a ligação com o carro da equipa.

Só que algo compensou essa falha técnica. «Hoje a comunicação entre nós foi muito melhor. O Jasper Stuyven manteve-se calmo, seguindo as minhas indicações, e eu simplesmente tive um bom dia. Além disso, sabia que este final me favorecia», acabou por confessar.

Quanto a Pogacar, preferiu, como era esperado, poupar forças para outras batalhas mais duras que se avizinham. Mas, pelo meio, ultrapassou o espanhol Miguel Indurain no ranking dos homens que na história do Tour conseguiram estar mais dias vestidos de amarelo. O esloveno, que cumpre a prova pela quinta ocasião aos 27 anos, somou o 61.º dia de amarelo. Agora persegue o belga Eddy Merckx (111) e o francês Bernard Hinault (79).

«Na etapa de amanhã há apenas uma subida e meia perto do final. Acho que vai ser um dia difícil para nós, enquanto equipa, mas o objetivo será aguentar o melhor possível, porque acredito que sábado e domingo serão dias mais importantes para a classificação geral. Vamos ver o que acontece, mas acho que hoje o melhor seria poupar forças para as outras duas etapas», justificou.

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