«Talvez Kaminski tenha feito leitura errada do estilo de jogo do Benfica»

Treinador polaco residente em Portugal, Bartosz Kubica, diz que o compatriota está a fazer início de temporada «medíocre» e explica que pode ter havido erro de cálculo na transferência

A pouca utilização do extremo Jakub Kaminski no Benfica está a revelar-se uma preocupação na Polónia e na seleção daquele país, onde o jogador é uma peça fundamental para o selecionador Jan Urban.

«Neste momento, o Kuba é apenas a quinta opção na hierarquia», afirma Bartosz Kubica, treinador polaco a trabalhar em Portugal, em entrevista à publicação polaca SportsFact. A transferência do extremo de 24 anos para a Luz, por 17 milhões de euros, gerou grande expectativa na Polónia, mas a utilização tem sido escassa.

Bartosz Kubica, diretor-geral do COMT Coaching Club em Lisboa, que forma jovens e organiza estágios para treinadores polacos no Benfica, analisa a situação: «Talvez o círculo próximo de Kaminski e o próprio jogador tenham feito uma leitura errada do estilo de jogo do Benfica. O Kuba é um tipo de jogador diferente. Ele é bom a atacar o espaço, útil numa equipa que joga em contra-ataque. Por sua vez, o Benfica precisa de jogadores com elevada capacidade técnica, capazes de ganhar duelos, de passar por dois ou três adversários.»

O drible é um dos pontos fortes do polaco, mas Kubica considera que o extremo «ainda não está a esse nível». «O Benfica é outra liga», justifica. «Neste momento, a equipa tem seis jogadores para as duas posições de extremo. Na hierarquia, à frente de Kaminski estão certamente Rafa Silva, Dodi Lukebakio, Andreas Schjelderup e Gianluca Prestianni. O Kuba é o quinto. E é por isso que não joga», esclarece.

Kubica também sente alguma falta de confiança de Marco Silva em Kaminski: «Vê-se que não é um jogador que o novo treinador aprecie de forma especial. Claro que fala do Kuba de forma diplomática, sublinha que o jogador tem de trabalhar e não descarta ninguém. E isso é verdade. Talvez, a dada altura, Kaminski tenha uma oportunidade, marque um ou dois golos, faça umas assistências e a sorte mude. Mas, infelizmente, o arranque é medíocre. Mesmo nos dois jogos contra o St. Gallen, em que foi titular, esteve fraco.»

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