Avançado espanhol ainda tem algum tempo de recuperação pela frente, mas foi incluído na lista de opções para a prova milionária

«Mercado fechado», análise aos reforços e «monstro» Samu: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez o lançamento da receção de sexta-feira ao Moreirense, em jogo da 5.ª jornada do campeonato. Santiago Gimenez e Souza devem ser convocados, mas vão precisar de tempo, avisa o italiano

O FC Porto volta a entrar em campo esta sexta-feira, frente ao Moreirense, na abertura da 5.ª jornada da Liga (20h15). Os dragões contam com caras novas no plantel e, na conferência de Imprensa de antevisão ao duelo com os cónegos, Francesco Farioli falou sobre os mais recentes reforços — Santiago Gimenez, Souza e Gabriel Mec —, mas também sobre Samu, André Silva e a lista de inscritos na Champions League.

— O que esperar deste Moreirense e o que pode fazer o FC Porto para contrariar o adversário?

— O Moreirense é uma equipa que, naturalmente, temos acompanhado, bem como a sua evolução desde a época passada. Tiveram um início fantástico na última temporada desde que o Vasco [Botelho da Costa] assumiu o comando. É uma equipa mentalmente muito ofensiva, capaz de gerar vantagens em diferentes zonas do campo. É uma equipa que sempre provou — tanto pelo nosso conhecimento da época passada, como pelo início desta temporada — que vai exigir-nos muita atenção e o espírito certo para enfrentarmos este jogo importante.

— O principal desafio do FC Porto é olhar para este jogo sem pensar no duelo de terça-feira com o Man. City, na Champions?

— Você foi o único que mencionou esse jogo. Não está de todo na nossa cabeça e não é algo que nos distraia do pontapé de saída de amanhã no Dragão. A nossa atenção está lá. Tal como na época passada, falamos sempre de diferentes livros, relacionados com diferentes competições. É o que vamos fazer também este ano. Agora o nosso foco é o Moreirense. Amanhã teremos de ser a equipa a abrir a jornada e temos de estar absolutamente prontos, com o desejo e o espírito certos. Nestes dias, sinto que estamos no caminho correto e com a atitude certa para o jogo de amanhã.

— O facto de o FC Porto ter conseguido manter todos os titulares vai permitir à equipa crescer ainda mais e conquistar mais títulos?

— Já falei sobre o facto de que, naturalmente, dar continuidade ao trabalho que temos feito é crucial. Conhecemos as nossas expectativas, o que exijo dos jogadores, e os jogadores sabem como eu giro as coisas, como vejo o futebol e o dia a dia aqui no Olival. Naturalmente, por um lado, isso facilita e cria uma velocidade diferente em cada processo. No entanto, como digo sempre, quando se está muito tempo com as mesmas pessoas, há o risco de entrar em piloto automático. Mas, até agora, estamos a lidar bem com isso, porque este grupo está a mostrar novamente o desejo de ir mais longe, com a fome certa, o espírito certo e a vontade de conquistar mais. Essa é a parte que me deixa muito feliz: ver como a equipa está a operar. Nos últimos dias do mercado, como sabem, tivemos algumas chegadas tardias. Agora, o desafio para nós é integrá-los, porque alguns vêm de ambientes diferentes e têm histórias pessoais muito diferentes. Quase todos eles não tiveram, digamos, minutos competitivos. O Souza só teve 45 minutos na pré-época, o Santi [Gimenez] esteve fora do plantel durante muito tempo e os últimos dois dias foram as primeiras sessões de treino para ele nesta temporada. O verdadeiro desafio para nós é encontrar uma forma de colocar todos ao mesmo nível, maximizar a qualidade de cada jogador e tentar elevar o nível do grupo, que é a nossa prioridade. Entre a mistura dos que cá estavam na época passada e as novas caras que chegaram recentemente, haverá muito trabalho a fazer. Como podem imaginar, num período em que vamos começar a jogar de três em três dias — com o jogo da Champions na próxima semana e as seguintes a serem iguais, com a pausa para as seleções pelo meio —, isto exigirá muito esforço, a necessidade de todos nos reajustarmos. Não será um processo natural, exigirá muito esforço, paciência e atenção aos pequenos detalhes por parte de todos.

— Sente que tem um plantel mais equilibrado, que lhe garanta a renovação do título?

— Acho que é muito cedo para fazer esse tipo de afirmações, porque, como disse, há jogadores que chegaram ontem e estão aqui sem ritmo de jogo ou capacidade de dar um contributo imediato. Olhando para a situação na frente, temos o André [Silva] e depois temos outros jogadores no processo de regresso. O Santiago é um jogador experiente, que, certamente, vai contribuir imenso para a época, mas vem de duas temporadas muito difíceis e precisa de tempo para recuperar um certo nível de forma física. Aqui, as coisas são muito claras: esta equipa, desde que cheguei, teve sempre como prioridade a intensidade e o nível de condição física. Isso anda de mãos dadas com o perfil dos jogadores e com a capacidade deles de darem o máximo para expressarem o seu potencial em campo. Para o Souza, para o Santi e para o Gabriel [Mec], as pré-épocas deles começam agora, de certa forma. Não é um processo que se conclua da noite para o dia ou numa semana. Exigirá paciência e muito trabalho. Temos de construir uma certa capacidade para que aguentem as exigências de todas as competições que vamos disputar. E, como sabem, jogamos a um nível onde as margens são muito estreitas e cada pequeno detalhe pode fazer uma diferença enorme.

— Algum destes reforços já estará na convocatória para o jogo com o Moreirense?

—Temos de ver, naturalmente, com a necessidade de os gerir. Mas tanto o Santiago como o Souza, se toda a papelada ficar resolvida, farão parte do jogo. Para o Gabriel [Mec] é uma história diferente, talvez precise de mais tempo. A papelada ainda não está pronta. Para ele será uma história diferente. É um jogador que chega com um estatuto diferente e, como sabem, não fará parte da lista UEFA. Mas, certamente, o Santi e o Souza estarão na convocatória amanhã.

— Falando no Mec, ficou de fora da lista da Champions, tal como Prpic. Como foi fazer essa gestão?

— Ontem foi o dia em que tivemos de tomar algumas decisões, tendo em conta os possíveis cenários que espero enfrentar. Deixar o Dominik [Prpic] de fora é, naturalmente, difícil. É um jogador que está connosco há um ano, um jogador que nos ajudou imenso quando se tratava de jogar ou de treinar. Falei com ele ontem de manhã para explicar os cenários; ele aceitou e está feliz por ficar aqui, pronto para ajudar e apoiar. O facto de não estar na lista da UEFA não compromete nada, porque há tantos jogos para disputar que haverá tempo suficiente para todos ajudarem e para reforçar a mensagem de que, neste grupo, os 23 ou 24 jogadores que fazem parte dele vão desempenhar um papel fundamental. Não digo isto apenas por dizer. A experiência da época passada ensinou-nos isso mesmo. Ontem eu disse: não quero ter uma equipa onde os jogadores que estão na mesma posição vejam o colega apenas como um rival. Precisam de ver no colega um recurso, porque numa época longa há momentos em que o teu nível baixa um pouco e se o outro estiver pronto para dar o passo em frente e ajudar a equipa, é isso que importa. Na época passada, aconteceu em várias posições. Se falarmos do lateral-direito, o pico de forma do Alberto ajudou-nos a sustentar o momento em que o Martim [Fernandes] estava lesionado. No momento em que o Alberto entrou em fadiga, o Martim voltou e fez uma sequência de jogos de nível muito alto. O mesmo aconteceu com o Alan [Varela] e o Pablo [Rosario], o Gabri [Veiga] e o Rodrigo [Mora], o Victor [Froholdt] e o Seko [Fofana] na segunda parte da época. Precisamos do que tivemos na época passada e, especialmente, do que vamos precisar ainda mais para a época que aí vem.

— Uma vez que o Gimenez ainda vai precisar de algum tempo para recuperar a forma, não teme que o André Silva possa ficar sobrecarregado?

— Com o Santi precisamos de ir dia a dia, verificar a situação e a sua evolução. Acredito que, de alguma forma, precisamos de usar os jogos para o pôr em forma também. Com pequenos monentos aqui e ali, para ele recuperar uma certa condição que, a certa altura, o deixará pronto para começar o jogo. Mas, como disse, o verão dele não foi fácil. Os últimos dois anos, por diferentes questões, também foram complicados. Não estamos a discutir o nível do jogador, que teve um impacto enorme nos clubes por onde passou. É um jogador com experiência e veio para aqui com muita fome e desejo de ajudar. Mas, por outro lado, temos de ser muito cuidadosos na forma como o vamos gerir para o trazer de volta ao seu melhor nível. O André está em excelente forma, absolutamente apto. No outro dia estávamos a brincar porque no jogo de Viseu ele correu quase 12 quilómetros. Estávamos a rir sobre o facto de ele estar quase nos números do Victor [Froholdt]... Isso diz muito sobre o seu espírito, o seu desejo de ajudar, de se colocar ao serviço da equipa. Marcar golos, mas também defender com uma atenção que é absolutamente notável. O esforço extra que ele faz em cada fase do jogo para se colocar ao serviço da equipa e, acima de tudo, a liderança em campo e a confiança que todos os colegas têm nele... Como sempre, em relação aos jogadores da frente, quando o Samu voltar, muita coisa da época do FC Porto passará pelos ombros deles. Agora, vamos tentar fazer tudo o que for possível para que os três estejam na melhor forma e, a partir daí, olhar em frente com as melhores possibilidades.

— O Gabriel Mec aparenta ter caraterísticas semelhantes às do Rodrigo Mora. Na sua ideia de jogo, onde é que ele encaixa e o que pode acrescentar?

— Não discordo desse comentário. É um jogador que tem certas características do Rodrigo. Acredito que é um pouco mais um extremo interior, que tem a possibilidade de jogar também como médio ofensivo. Por isso, é um jogador que teve uma boa estreia na sua carreira profissional no Grêmio, com muito potencial. Como sabem, o clube está sempre muito atento às oportunidades do mercado. Um jogador com este potencial cria o desejo de o contratar. Vamos ver como é que ele se vai desenvolver. Há muito trabalho a fazer. Tem de crescer fisicamente, tem de se adaptar a diferentes exigências. Não tenho pressa em forçar nada, mas, naturalmente, quero que ele esteja pronto o mais rapidamente possível, porque a certa altura, talvez também para ele, a oportunidade surja.

— O Seko Fofana está pronto para ir a jogo? Em que ponto se encontra fisicamente?

— Sim, amanhã estará com a equipa, pronto para ajudar em tudo o que eu lhe pedir. Está pronto. Desde esta semana que está totalmente de volta à atividade com a equipa.

— Quão importante é manter o Diogo Costa? E, já agora, foi mesmo preciso mandar fechar o aeroporto?

— Os limites que eu queria colocar no aeroporto... [risos] Graças a Deus tudo correu bem, ele está connosco. Como sabem, acredito que ele é fundamental para nós tê-lo aqui.

— O Samu, apesar de lesionado, foi inscrito na Champions. Há a possibilidade de voltar mais cedo do que o previsto?

— O Samu é um jogador do qual não podemos prescindir. É um jogador demasiado importante para nós e estamos todos à espera que ele volte o mais rapidamente possível. O mais rapidamente possível é também o objetivo de todos. Por isso, eu queria ter esta vaga no plantel, por isso é que o Samu está na lista da UEFA. Com ele, sou muito cuidadoso. Foi feito um trabalho fantástico, primeiro de tudo com a mentalidade dele e o desejo de se levar até ao limite — e deixe-me dizer, para além do limite — porque o que ele fez vai para além dos limites da possibilidade humana de lidar com o esforço. O trabalho que o Pedro [Silva] fez com ele, quase a dormir com ele durante este período, tem sido absolutamente notável. E todo o pessoal médico e de performance. Quando o vejo a correr à volta do campo, adoraria colocá-lo amanhã no onze inicial, porque vemos um monstro que está ansioso pela oportunidade de voltar. Mas, por outro lado, há tempos físicos e fisiológicos que precisam de ser respeitados. Vamos tentar fazer tudo o que for possível para reduzir este tempo, mas também não podemos colocar o jogador em perigo apenas pelo desejo e pela vontade de o ter de volta o mais cedo possível. Antes de o termos em campo para qualquer competição oficial, espero ter todas as luzes verdes dos especialistas médicos e por aí fora. O que pudermos fazer futebolisticamente e do ponto de vista da performance para o tornar melhor, será feito e ainda é um processo em curso. A mentalidade dele e o seu desejo de estar presente agora tornam difícil mantê-lo de fora, porque ele sente-se bem. Além disso, este período ajudou-o a compreender a importância do trabalho árduo. Ele diz várias vezes que nunca trabalhou tão arduamente e hoje, se pegarmos nos parâmetros físicos, ele está ainda melhor do que estava antes da lesão. Depois, em cima disso, há a readaptação completa e é aí que quero ter todas as garantias de que estamos a dar o passo certo.

— O Zaidu lesionou-se e o Souza ainda vai demorar, segundo o míster, a adquirir tudo o que necessita para ser opção. Como vai gerir a lateral-esquerda nestes próximos tempos?

— Já respondi parcialmente à sua pergunta quando disse que, neste plantel, todos têm de desempenhar um papel. Naturalmente, o mercado e todas as notícias e possíveis associações de jogadores a diferentes plantéis, de jogadores a chegar ou a sair, podem a certa altura gerar algumas dificuldades ou alguma pressão mental. A realidade é que o mercado ainda está oficialmente aberto, mas para nós está fechado. Este é o grupo que vai chegar, pelo menos, até janeiro. E o que eu digo é que, a partir de agora, estas são as pessoas em quem precisamos de confiar, estas são as pessoas que vão carregar esta camisola na época competitiva que vamos enfrentar, perante muitos desafios. E também as pessoas que sentiram, a certa altura, que poderiam estar noutro lugar, agora é tempo de estarem de volta aqui connosco e de as termos prontas o mais rapidamente possível, porque vamos precisar absolutamente da melhor versão de todos nós para competir em quatro competições diferentes, com o desejo de fazermos o melhor possível para deixar os nossos adeptos felizes, começando, claro, por amanhã.

A iniciar sessão com Google...