Sporting tem tempo e... paciência, terá?
Oadeus de Pedro Gonçalves e de Daniel Bragança ao Sporting não foram apenas duas despedidas mais em final de mercado. Com as partidas do avançado de 28 anos e do médio de 27 conclui-se a operação de mudança de ciclo idealizada pela administração dos verdes e brancos com uma temporada de antecedência.
No verão de 2025, exceção feita a Viktor Gyokeres que estava programado para sair e rechear os cofres de Alvalade — como veio a acontecer para o Arsenal numa transferência que poderá chegar aos 76 milhões de euros —, o projeto de ataque a um tricampeonato que não aconteceu contemplava a permanência de todas as outras referências do plantel. No mesmo período de 2026 a empreitada estava definida com as saídas de cinco pilares (Hjulmand, Trincão, Morita, Pote e Bragança) e mais um acabou por sair (Diomande) — e junte-se ainda Geovany Quenda, já com o destino traçado desde março de 2025.
O adeus de Pedro Gonçalves e de Daniel Bragança encerra uma carga simbólica que apesar de esperada acaba sempre por ficar vincada nas horas que se seguem aos anúncios oficiais. Afinal, partem 25 anos de Sporting num dia só, seis de Pote e 19 do menino formado em Alcochete. Mas partem também 13 troféus, sete conquistados pelo antigo camisola 8 e seis pelo anterior camisola 23 dos leões.
Pedro Gonçalves perdeu aura junto dos adeptos depois de uma temporada menos conseguida. Porém, mesmo em ano de quebra, foram 15 golos e nove assistências, números que noutras costas seriam apontados como sucesso. O Sporting via-o menos ambicioso, natural para quem tudo já ganhara de leão ao peito; o jogador via também outros desafios; o treinador não terá visto como poderia tirar o máximo do avançado… A partida aconteceu, naturalmente. Mas com ele foram três títulos de campeão nacional, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça. Poucos conseguiram no Sporting o que Pote conseguiu em seis anos, nos últimos 40 anos é um marco.
Com Bragança foram três títulos de campeão, uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga. Mas também dois títulos nas camadas jovens e um ADN made in Sporting.
Contemos os troféus dos outros três jogadores com saídas programadas, e concretizadas. Morten Hjulmand: dois campeonatos e uma Taça de Portugal. Trincão: a mesma dose. Morita: idem aspas.
Neste rol de cinco jogadores, total de 22 troféus: 12 campeonatos, cinco Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e uma Supertaça.
Mas também saiu Diomande, transferência não idealizada à partida para 2026/2027 mas que o mercado se encarregou de fazer irrecusável, foram €40 milhões extra com a ida para o Nottingham Forest. Com o marfinense foram dois títulos de campeão nacional e uma Taça de Portugal. Junte-se o campeonato de Quenda e a Taça de Portugal e as contas sobem para 15 Ligas, sete Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e uma Supertaça, total de 27 troféus. Significa que o plantel ficou menos experiente e com menos gente vencedora.
Isso é mau? Não necessariamente. É desafiador sobretudo para o treinador que tem em mãos uma empreitada grande e com isso a possibilidade de mostrar a sua qualidade. E tudo foi programado e atempadamente, tanto que a época começou com as saídas colmatadas num ataque ao mercado madrugador e eficaz. Se vai resultar no campo desportivo? O tempo dirá. O tempo que é preciso dar para a colheita depois da sementeira. Mesmo que seja preciso esperar um ano sem os resultados mais desejados mas com projeto para ganhar mais de uma vez no futuro. Terão os leões essa paciência com a equipa?...
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