Mourinho e a polémica com Asencio: «Não estou feliz. Erros acumulados é diferente»
José Mourinho reagiu esta quinta-feira à polémica fora das quatro linhas envolvendo Raúl Asencio, jogador apanhado a conduzir embriagado nas Canárias, com uma taxa de alcoolemia quatro vezes superior ao limite permitido pela lei espanhola.
«Falei com ele quando cheguei, em função de coisas do passado. Desde que cheguei, não falo mais de situações fora de Valdebebas. Porque lá dentro, ele é um verdadeiro profissional. Quando estava bem, ninguém treinava mais e melhor do que ele. Agora que está lesionado, é o primeiro a chegar e o último a sair. Dedicação extrema», afirmou o técnico em conferência de Imprensa de antevisão do jogo com o Betis.
Apesar de elogiar o profissionalismo, deixou um aviso ao espanhol: «O jogador do Real Madrid é-o 24 horas por dia. O que fazes fora pode prejudicar o teu prestígio e o do clube. Não estou feliz e erros todos cometemos erros, mas erros acumulados é diferente.»
O técnico revelou ainda que o clube abriu um processo disciplinar a Asencio, que, pelo crime cometido — acusou uma taxa de alcoolemia de 0,90 mg/l —, tinha sido condenado pela justiça espanhola a 14.400 euros de multa e oito meses de inibição de conduzir.
Elogios a Pellegrini e a «palavra estúpida» do passado
No reencontro com Manuel Pellegrini, treinador do Betis, o special one mostrou-se arrependido de declarações proferidas no passado.
«No passado, obviamente, há palavras que uma pessoa diz e, no final, sente-se um idiota. Sente que se enganou. Por isso não censuro. Mas tive uma palavra muito estúpida para com ele», confessou, acrescentando com humor: «Depois... e certamente ele rir-se-á se me ouvir, paguei-o bem. Porque o campeonato que ele ganhou com o Manchester City, fui eu que lho dei. Porque se a dois jogos do final, o Liverpool empata com o Chelsea, era campeão. Paguei bem».
O técnico recordou ainda um gesto de «grande senhor» de Pellegrini num jogo amigável entre o Betis e a Roma, no qual a sua equipa ficou reduzida a sete jogadores: «Ele disse: não vamos massacrar, deixamos como está, que era 3-1 ou algo assim. Poderia ter-nos marcado oito. É um grande treinador, um exemplo como pessoa. Gosto muito dele.»
A luta por Modric e a dispensa de Ceballos
Questionado sobre as memórias da contratação de Luka Modric, o treinador recordou as negociações árduas com Daniel Levy, presidente executivo do Tottenham. «Queríamo-lo tanto... mas era quase impossível negociar com o Levy. O Real Madrid estava quase a dizer ‘É impossível’, mas o jogador queria. Podia jogar a seis, oito ou dez. Era o ideal. Vocês [jornalistas] mataram-me durante uns meses», brincou, concluindo: «Mas depois... calou bocas.»
Em sentido inverso, a saída de Ceballos foi um processo simples: «Falámos três minutos ao telefone, disse-lhe que não contava com ele. E, embora muitas vezes os jogadores se agarrem aos seus contratos, neste caso ele entendeu a situação e disse que preferia ficar livre e decidir o seu futuro. Chegámos a um acordo, rescindimos e Ceballos ficou livre para decidir.»
Artigos Relacionados: