FC Porto: feito inédito de Villas-Boas desde a criação da SAD
O FC Porto, por força das suas obrigações financeiras, habitou-nos ao longo das últimas décadas a vender muito — apesar de nem sempre bem! — no mercado de transferências do verão, ainda que isso, naturalmente, implicasse a perda de qualidade do plantel.
Com efeito, um pouco contra a corrente e num ato de gestão inteligente, o FC Porto de André Villas-Boas acaba de escrever, salvo qualquer loucura de última hora, uma página inédita na história da Sociedade Anónima Desportiva. Pela primeira vez desde a fundação da SAD, a 30 de julho de 1997, o clube conseguiu transitar de uma época para a outra 11 dos jogadores mais utilizados em 2025/2026. Esta estratégia de continuidade, rara no futebol moderno e nunca vista em 27 anos de história da SAD portista, surge como o prémio para um grupo que resgatou o orgulho azul e branco ao conquistar o campeonato nacional após um hiato de quatro anos.
O núcleo duro, os verdadeiros artífices do título de 2025/2026, permanece intacto. Diogo Costa, Froholdt, Bednarek, Pepê, Kiwior, Alan Varela, Pablo Rosario, Borja Sainz, Gabri Veiga, William Gomes compõem a base da estrutura que mais minutos somou e que agora terá a missão de defender o trono. A permanência destes ativos representa não só uma vitória desportiva, mas um sinal de robustez financeira e de convicção no projeto técnico Francesco Farioli.
Plantel ganhou qualidade
A manutenção das peças-chave não significou imobilismo. Pelo contrário, a Direção operou uma limpeza cirúrgica, alienando as denominadas segundas linhas para abrir espaço a reforços de craveira internacional que elevam o patamar qualitativo do plantel. As entradas de Inbeom Hwang, André Silva, Santiago Gimenez, João Souza e o jovem prodígio Gabriel Mec foram desenhadas à medida das exigências de Francesco Farioli. Cada contratação obedeceu a um rigoroso planeamento tático, garantindo que o plantel não ficasse apenas mais extenso, mas sim mais funcional e adaptado às ideias de jogo da equipa técnica.
Na realidade, Francesco Farioli fez pressão junto do presidente para que os principais ativos permanecesse nos quadros do clube, uma forma de garantir um trabalho de continuidade e que tem como objetivo principal o bicampeonato, mas também as outras provas no plano interno como a Taça de Portugal e a Taça da Liga, sendo que os dragões já conquistaram em agosto a Supertaça Cândido de Oliveira, em Coimbra, diante do Torreense, que em maio causou sensação ao vencer o Sporting na Taça de Portugal disputada no Jamor. Mas o FC Porto quer igualmente fazer figura na Champions League.
Gul saiu pelo dobro do que custou
A par do sucesso desportivo, a gestão de André Villas-Boas começa a dar frutos visíveis no capítulo das mais-valias. O exemplo paradigmático é Deniz Gul. O ponta de lança tornou-se o primeiro jogador contratado por esta Direção a ser transferido, gerando um encaixe imediato de cinco milhões de euros de lucro.
Vendido pelo dobro do preço de custo, Gul simboliza a eficiência de um mercado de olhos abertos: identificar talento, valorizá-lo no contexto da equipa e rentabilizá-lo no momento certo. Este equilíbrio entre a preservação do núcleo duro e a agilidade nas vendas excedentárias define uma nova era no FC Porto. Não só defende o que é seu, como se reforça com critério, provando que é possível manter a hegemonia desportiva com uma gestão financeira de elite. Pela primeira vez em quase três décadas, a estabilidade é a palavra de no Dragão...