Momento hilariante no Portugal Football Summit com o presidente da SAD dos famalicenses, Miguel Ribeiro, a brincar que o Benfica não quer comprar os seus jogadores, ao contrário dos leões, o que motivou uma resposta de Zenha, vice leonino
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Sporting: Salgado Zenha justifica investimento com recurso a... sapatos

Vendas milionárias na última década e aumento de receitas com Alvalade embalam leões financeiramente. E o Famalicão agradece... literalmente

Nuno Catarino, CFO do Benfica, Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting, e Miguel Ribeiro, presidente do Famalicão, discutiram a sustentabilidade do futebol português e europeu, esta tarde, na Portugal Football Summit, na Cidade do Futebol.

Salgado Zenha começou por elogiar as regras de sustentabilidade da UEFA para evitar a «falência» dos clubes. Mas nem sempre basta: «Nem todos os clubes são regulados. Em Portugal temos experiência de clubes que foram da primeira divisão para a falência, temos situações muito recentes.»

«S queremos que as provas continuem competitivos e os pequenos com os grandes, temos de equilibrar regras de sustentabilidade e fair play desportivo. Isso será vital nos próximos 10 anos», frisou.

Já Miguel Ribeiro salientou a visão «diferente» e o «grande desafio» do Famalicão, cuja maioria da SAD pertence ao Quantum Pacific Group desde 2019. «Estamos a crescer», frisou apesar das diferenças para Sporting e Benfica.

Nuno Catarino, Miguel Ribeio e Salgado Zenha em painel sobre sustentabilidade financeira - Foto: André Carvalho
Nuno Catarino, Miguel Ribeio e Salgado Zenha em painel sobre sustentabilidade financeira - Foto: André Carvalho

As águias estiveram representadas por Nuno Catarino, que destacou a diferença dos grandes em Portugal para os tubarões europeus: «É muito dificil competir com um clube da Premier League que, sem fazer muito, já tem um orçamento duas vezes superior.»

«Para os clubes portugueses o fair play é fácil, não podes gastar mais do que tens, não tens donos que desvirtuam o mercado. O Famalicão tem dono, mas não coloca 10 milhões de euros por ano para comprar jogadores, apontou. Antes de ser interrompido por... Miguel Ribeiro, que relembrou que os minhotos fizeram cerca de «40 milhões de euros» em vendas este verão.

«O meu amigo Zenha apoiou-nos», referindo-se à venda de Ibrahima Ba ao Sporting por 20 milhões de euros. O dirigente leonino respondeu, com um humor à mistura: «Se os jogadores não renderem, devolvemos o cheque.» «Correu bem com o Ugarte», retorquiu o dirigente do Famalicão.

Brincadeiras à parte, Salgado Zenha recorreu aos números para defender que os leões acompanharam a evolução do mercado: «Temos feito consistentemente mais de 100 milhões em média em vendas. Conseguimos vender mais nos anos de Covid do que em qualquer outro antes de 2017, tivemos um teste de stress e vencemos. Devem olhar ao salário dos jogadores, que também pesa nas transferências. Temos sido muito consistentes nos últimos 15 anos.»

O «modelo de negócio» é «assente» em vendas... mas é preciso comprar. Salgado Zenha contextualizou a dimensão do investimento realizado pelos leões (e não só) no futebol português: «Vejo a opinião pública muito preocupada com o investimento dos clubes portuguesas, que investiram 20 ou 30 milhões de euros. Se temos uma empresa que vende sapatos, como é que vamos viver sem comprar o input? Precisamos do material para construir o produto.

«Somos vendedores» reiterou, ainda assim. O modelo de negócio leonino foi cimentado pela evolução não só dos valores das vendas, mas também das receitas do Estádio de Alvalde. As receitas do estádio que são cada vez mais um pilar de rendimento verde e branco: «Até há pouco tempo, nem olhávamos ou apostávamos no estádio. O Sporting investia no estádio historicamente €2 M e nos ultimos anos €30 M.»

Salgado Zenha destacou a evolução do aproveitamento da casa dos leões, que recebeu obras de melhoramento nos ultimos dois anos, nomeadamente na área da hospitalidade. O «potencial» económico suaviza o aspeto mais «volátil» das receitas, relacionado com o desempenho desportivo.

A reflexão do dirigente leonino precipitou nova resposta de Miguel Ribeiro: «Eu compito sem estádio. O nosso modelo de negócio é super claro, mercado é uma das chaves. Podemos acrescentar dinheiro de patrocinadores e bilheteira, mas precisas de um grande número. Resolves com o mercado.»

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