Gansos foram à festa brava, mas touros defenderam a praça (crónica)
Se for necessário aumentar os manuais formativos para os jovens aspirantes a craques com exemplos práticos do que é entrega, intensidade e competitividade num jogo de futebol, então apresente-se aos candidatos a futuros profissionais o vídeo deste duelo entre Alverca e Casa Pia. Porque uma bela partida não tem necessariamente de ser espetacular. Ainda que este duelo tenha tido momentos de elevada nota artística, saliente-se.
Fazendo a analogia com o mundo animal, nem sempre os mais fortes levam a melhor. Neste caso concreto, falamos de gansos e touros. Porque, à partida, os do Ribatejo teriam essa vantagem metafórica. Mas os de Pina Manique nunca deixaram de bater asas.
A entrada forte dos comandados de Sérgio Ferreira deixava antever uma tarde/noite digna das melhores touradas da referida zona geográfica. Porque os alverquenses mostravam-se pujantes e decididos. De tal forma que à passagem do quarto de hora já tinham contabilizado três aproximações perigosas à baliza: Chiquinho viu o remate desviado (4'), Dawda Camara cabeceou a rasar a barra (11') e Davy Gui (também) quis ser feliz (16'). Os casapianos sentiram o toque e reagiram. Khaly integrou-se na manobra ofensiva, mas viu Matheus Mendes negar-lhe os intentos (19').
O espetáculo não dava para ir ao bar comprar pipocas e Davy Gui voltou a aparecer em zonas de definição, mas Patrick Sequeira agigantou-se entre os postes (21'). Estava mesmo de parada e resposta e, apenas três minutos depois foi Matheus Mendes a brilhar, na sequência de um remate cruzado de Benjamin Pauwels.
Quem não perdoou foi Selvi Clua que, de regresso à titularidade, aceitou o cruzamento de Henrique Araújo e levou os visitantes em vantagem para o descanso.
No regresso dos balneários assistiu-se a um Casa Pia seguro e a pressionar alto, mas o Alverca nunca baixou os braços e regressou em força ao espetáculo. As mexidas de Sérgio Ferreira refrescaram a equipa e empurraram-na para a frente, mas foi um dos suspeitos do costume a estar ligado à reação e ao golo do empate: Chiquinho ofereceu, Ian Luccas assinou.
Os contendores deram tudo pelo triunfo, mas o chavão impõe-se: ninguém merecia (mesmo) perder. Os gansos foram sem medo à festa brava, os touros abriram a praça. Houve espetáculo de intensidade máxima no Ribatejo.
É um tratado com a bola nos pés. Se define (quase sempre) bem é porque antes de estar em posse já pensou no que fazer. Ainda que sempre bastante marcado, até pelo facto de jogar entrelinhas, o que retirou espaço de ação com a liberdade que tanto gosta, o internacional jovem luso teve a astúcia para fugir das zonas mais povoadas e aparecer em espaços onde pudesse construir e... definir.
Falar em velocidade ou agitação já começa a ser sinónimo de escrever... Chiquinho. Porque o camisola 10 não sabe estar de outra forma no relvado: ligado à corrente. Ainda que saiba pisar terrenos interiores, tanto para fazer o último passe como para ousar a finalização, é junto aos corredores que ganha (ainda mais) voltagem. Numa dessas ações foi decisivo e cruzou para o empate.
As notas dos jogadores do Alverca:
Matheus Mendes (7), Yaya Bojang (6), Sergi Gómez (6), Isaac James (6), Davy Gui (6), Ian Luccas (7), Francisco Chissumba (5), Chiquinho (7), Dawda Camara (5), Figueiredo (6), Rayan Lucas (5), André Vidigal (6), Vivaldo (5), Matheus França (5) e Cedric Nuozzi (—).
As notas dos jogadores do Casa Pia:
Patrick Sequeira (7), André Geraldes (5), Khaly (6), David Sousa (6), Pedro Rosas (5), Seba Pérez (6), Selvi Clua (7), Jérémy Livolant (5), João Rego (7), Benjamin Pauwels (6), Henrique Araújo (6), Mohamed Salah (5), Rochinha (5), Lawrence Ofori (5) e Cassiano (—).