Sporting: «Não precisamos de pressões extra para ganhar títulos», diz Nuno Dias
Vindos de uma época agridoce — com a conquista da Liga dos Campeões e, ao mesmo tempo, o objetivo falhado da reconquista do campeonato, Nuno Dias vê com entusiasmo a nova geração que chega à equipa principal do Sporting, mas deixa um alerta: o caminho até ao patamar exigido pelos leões será longo e exigente. O treinador, em conversa com A BOLA no Media Day da Liga Placard, começou por recordar que vários jogadores que hoje são referências do plantel continuam a ser muito jovens.
«Mais do que estarmos a dar oportunidades, são eles que conquistam e são eles que estão a fazer por merecer estas oportunidades. Se há uns anos atrás essa fornada do Zicky, do Bernardo e do Tomás conseguiu agarrar as oportunidades, neste momento já não são esses jovens, já são, parecem, os velhos da equipa.»
O técnico leonino espera agora que os mais novos consigam percorrer o mesmo caminho. «É esperar que consigam fazer este caminho. Sabemos que é um caminho difícil, duro, em que eles vão ter que crescer bastante e vão ter que chegar ao patamar que exigimos e que queremos. Vão ter que suar e vão ter que dar o litro. Mas nós acreditamos muito. Por isso é que eles estão cá e acreditamos muito que nos possam ajudar. Mas vai ser difícil.»
O treinador deixa, ainda assim, um aviso para que o entusiasmo não se transforme em pressão desnecessária. «Não nos podemos esquecer de que são miúdos ainda e que pode acontecer haver alguns altos e baixos nas exibições. Às vezes, o elogio em demasia, quando as coisas começam, não é benéfico, porque deslumbram e pensamos que o trabalho já foi feito. É importante eles sentirem que estão num processo de evolução. Nós estamos cá para os ajudar, para entenderem melhor aquilo que é o clube, aquilo que é o Sporting e os objetivos. Porque estão a lutar por objetivos que nunca lutaram antes, estão a jogar com jogadores com quem nunca jogaram antes, estão a jogar num clube que é diferente de todos os outros, onde se exige cada vez mais.»
«É preciso ter alguma calma no sentido de percebermos que as coisas não são de um dia para o outro, não são de um momento para o outro. Há aqui uma evolução em que eles vão ter que percorrer esse caminho. Quanto mais depressa eles conseguirem ir adquirindo as coisas que nós pretendemos, melhor. Agora, acredito que vai ser um caminho de altos e baixos.»
Apesar de o Sporting ter perdido os dois últimos campeonatos, Nuno Dias rejeita qualquer pressão adicional para esta temporada, mesmo depois da conquista europeia. «Não traz pressão nenhuma. Não precisamos de pressões extra. A exigência que colocamos diariamente no treino e quem tiver a oportunidade de ver um treino nosso, ao fim de cinco ou dez minutos de treino, percebe o grau de exigência que nós colocamos a nós próprios. Não precisamos de mais pressão.»
«O facto de não termos sido campeões nacionais? Fomos campeões europeus. Nós podíamos ter vencido todas as competições no ano passado. Champions, Taça de Portugal, Liga, Supertaça... tínhamos que ter vencido tudo. É o grau de exigência e o grau de compromisso.»
«A pressão para ganhar era exatamente a mesma se não tivéssemos vencido absolutamente troféu nenhum. Não nos movemos por pressões extra. Movemo-nos por aquilo que são as nossas capacidades, por aquilo que queremos alcançar para o futuro.»
Nuno Dias abordou ainda a saída de várias figuras importantes, como João Matos, Taynan, Pauleta, Allan e Henrique, e o impacto do regresso de Erick Mendonça. «Os bons balneários fazem-se com vitórias. Se não se ganhar, não há bons balneários. O balneário pode ser muito bom e pode ser uma grande família, mas se as derrotas forem constantes, o balneário não é bom, porque há desacordos, há desagrados. Os bons balneários fazem-se com vitórias.»
O treinador reconhece depois a importância de algumas figuras na gestão do grupo. «Há jogadores mais preponderantes naquilo que é a gestão do grupo. O Erick obviamente que é um elemento que vai ajudar nessa gestão e na união.»
«Mais importante do que os que saem é aquilo que fica. Os que já cá estavam receberam essa maneira de estar e foram passando isso de uns para os outros, mantendo-se ao longo dos anos. Falamos muitas vezes em mística. Quem a recebeu e absorveu é agora responsável por transmiti-la a quem chega. Mas as famílias dentro dos balneários são boas quando dão resultados bons. Se uma equipa não ganha constantemente, os bons balneários transformam-se.»