Situações estranhas e um VAR protagonista

A designada verdade desportiva passou, nos primeiros anos, a ser uma realidade, mas há sinais menos bons que nos mostram que, mesmo com VAR, existem situações, no mínimo, estranhos. 'Direito ao golo' é o espaço de opinião em A BOLA de João Caiado Guerreiro, jurista

Os protagonistas do jogo devem ser os jogadores. Devem, mas muitas vezes os árbitros são o centro das atenções. Mais: agora temos jogos em que os jogadores já só são os terceiros protagonistas, porque, nos últimos anos, o VAR, ou videoárbitro, chegou, viu e mudou tudo. Sim, a designada verdade desportiva passou, nos primeiros anos, a ser uma realidade, mas há sinais menos bons que nos mostram que, mesmo com VAR, existem situações no mínimo estranhas.

Caro leitor, o VAR até tem regras claras. Vejamos: deve intervir nos fora de jogo, na decisão de penálti, quando deve ser mostrado um cartão vermelho, quando o jogador errado seja sancionado e, agora, quando um canto seja atribuído erradamente.

Acresce que deve intervir quando o erro de arbitragem seja claro e óbvio. Não deve intervir em situações de dúvida. E deve intervir sem quebrar o ritmo de jogo. Ora, das piores coisas que o VAR tem é o tempo que leva a decidir. Quebra o ritmo de jogo, e de que maneira. E quebra o ritmo do espectador: uma eternidade à espera da validação de um golo. Talvez devesse ter um limite de tempo para decidir. Afinal, se não for claro e óbvio, o VAR não deve intervir.

Às vezes também não intervém quando é claro e óbvio. Ou seja, quando devia. Recentemente, nos Países Baixos, uma entrada violenta de Van Bommel (filho) sobre Aaron Bouwman levou apenas a cartão amarelo. Bouwman tem várias lesões, incluindo uma contusão no externo e outra pulmonar. Vai passar pelo menos um mês sem jogar.

A polémica é grande nos Países Baixos. «Isto é uma tentativa de assassínio», diz um comentador da ESPN. Veja-se ainda o golo que, este fim de semana, decidiu o dérbi de Manchester, que mesmo os árbitros acham que devia ter sido anulado !!!

Ou seja, não é só em Portugal que temos problemas com o VAR. Os problemas existem noutros países também. E o problema maior será se um dia se perceber que, mesmo com vários modos de visualização de um lance, os erros persistem. E, se persistem, voltam as dúvidas sobre a honestidade do jogo.

Lucro à Benfica

O Benfica SAD apresentou lucros de €19,1 M. As notícias são boas: aumento das receitas recorrentes, segundo ano consecutivo de lucros, dívida líquida a descer. As receitas televisivas também aumentaram. Rui Costa e a sua Direção estão de parabéns. E o Benfica continua a lutar contra a centralização dos direitos televisivos. A petição no Parlamento para mudar a lei vai levar a uma discussão em plenário sobre o assunto. Um raro exemplo de democracia a funcionar. «Acreditamos que ainda é possível reverter a situação», diz Nuno Catarino, CFO do clube.

Veremos se o maior clube de Portugal tem essa força, mas é um assunto para acompanhar com muita atenção.

O Direito ao Golo desta semana tem vários protagonistas: Diogo Costa, o jogador do FC Porto, que, no jogo contra o Manchester City, defendeu tudo o que era possível e o que não parecia possível. O FC Porto que se mantém invencível e dá mostras de que vai repetir o campeonato passado. E para Prestianni, o jogador do Benfica está em grande!

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