SC Braga: quando a bola entra...
Escrevi o último artigo numa altura em que tudo parecia estar a compor-se. Com o objetivo europeu cumprido e uma vitória no dérbi, respirava-se confiança pelos lados de Braga. E com a regularização do calendário, desejava-se e esperava-se a respetiva recuperação pontual.
Esse percurso começou bem, com uma vitória justa, conquistada com esforço e qualidade, em Alverca. A primeira parte foi ingrata e a bola não quis entrar, com o Alverca a sair em vantagem no único lance ofensivo que construiu. Muitos já estariam a prever um afundamento da equipa, mas na segunda metade a bola entrou, com a ajuda de Pau Victor — início de época fenomenal do catalão, que é peça fulcral do esquema ofensivo do SC Braga. Curiosamente, tratou-se da primeira reviravolta conseguida pelo SC Braga no campeonato desde a chegada de Carlos Vicens, o que sugeria também o desenvolvimento de novas capacidades coletivas e poderia representar uma espécie de desbloqueio emocional.
Pouco depois disso, a equipa viajou novamente até Alverca, desta vez para defrontar o Estrela da Amadora. A equipa de Pepa chegava num bom momento, sem derrotas e com dois ou mais golos marcados em todos os jogos realizados até então. A primeira parte dessa partida foi praticamente de sentido único, com uma superioridade inquestionável do SC Braga que se impôs em todos os momentos do jogo, à exceção do lance do empate, já ao minuto 45. Um golpe duro, fruto de um momento de desconcentração coletiva, que, mesmo em cima do apito, castigou a equipa. Um cenário similar a outros da época passada, como por exemplo no Dragão, frente ao Genk e em Famalicão, e similar ao que se viu em Moreira de Cónegos já este ano. A vantagem, que ao intervalo merecia ser superior, esfumou-se, porque a bola não quis entrar numa das balizas, mas fê-lo na outra. A reação que se seguiu foi pobre, insuficiente e a ajuda do banco não foi a melhor, acabando o Estrela por conseguir uma justa vitória.
Novamente escurecia o ambiente em Braga, com a receção ao Estoril a adquirir uma importância que não se fazia prever. A equipa quis responder, mas os nervos foram tomando conta da situação a espaços, com alguns erros não forçados que foram resolvidos por um monstruoso Bernardo Fontes. Contudo, desta feita saltaram do banco Ricardo Horta e Gorby, que devolveram fluidez, tranquilidade e capacidade de criação com bola, e Jonas Wind, que se apresentou à Pedreira com um excelente retrato daquilo que pode acrescentar. A vitória acabou por se consumar pela margem mínima, mas permitiu reacender a chama e reavivar a crença na possibilidade de lutar por lugares cimeiros.
A particularidade desta época, e talvez aquilo que está na mente de todos os braguistas, é a possibilidade de apuramento para a Liga dos Campeões através do terceiro lugar. Mas num campeonato crescentemente desigual, em que o fosso dos de cima para os outros tende a aumentar, apenas um desempenho altamente competente permitirá acreditar, sem margem para os perder de vista. Aproveitemos o embalo destes três pontos e outros eventuais deslizes para acreditar. As próximas jornadas serão desafios exigentes, mas quando a bola entra…