Alex Merlim renovou contrato no início do verão - Foto: Sporting
Alex Merlim renovou contrato no início do verão - Foto: Sporting

Alex Merlim: «Acabar a carreira no Sporting seria um sonho»

Brasileiro assumiu a braçadeira de capitão dos verdes e brancos, sucedendo a João Matos, e fala a A BOLA sobre a responsabilidade de liderar os leões, a ambição de voltar a conquistar o campeonato e o sonho de terminar a carreira no clube onde já leva 12 temporadas

Referência no futsal leonino, doze anos depois de chegar ao Sporting, Alex Merlim assumiu, esta época, oficialmente a braçadeira de capitão dos leões, sucedendo a João Matos. Uma mudança que o brasileiro encara com naturalidade, mas também com o peso da responsabilidade de representar um clube onde construiu uma carreira recheada de títulos e que continua a querer ajudar a vencer.

«É uma sensação de responsabilidade. É um privilégio poder representar um clube durante tantos anos. Mostra que o trabalho tem sido bem executado. É uma responsabilidade a mais, mas que vejo com muita naturalidade. Chegou a uma certa altura dentro do balneário em que eu já tinha a minha liderança, independentemente de usar a braçadeira de capitão ou não», explicou Merlim, em entrevista a A BOLA, no Media Day da Liga Placard.

«Sempre tratei toda a gente com respeito, desde os mais velhos até aos mais novos que chegam da formação. E vejo que essa é a maneira correta de trabalhar: respeitar os mais jovens, respeitar os mais velhos e manter o bom ambiente dentro do balneário, que é o mais importante.»

O Sporting parte para a nova temporada com uma motivação adicional: voltar a conquistar o campeonato, depois de dois anos sem levantar o troféu. Para Merlim, porém, não é necessário procurar pressão fora do grupo. «A pressão que colocamos em cima de nós, dentro do balneário, tanto a equipa técnica como os jogadores, é muito maior do que a pressão dos adeptos», afirmou.

E deixou uma mensagem para os jogadores mais jovens que chegam ao Sporting: «Procuro sempre transmitir-lhes o que é representar o Sporting e que quem veste esta camisola tem de a representar da melhor maneira possível. E a melhor maneira possível é competir e tentar vencer as competições.»

Apesar de reconhecer a qualidade dos adversários e o facto de os leões terem perdido os dois últimos campeonatos, Merlim recusa transformar essa ausência de títulos numa obsessão. «Defrontamos equipas de valor, que também treinam diariamente. Não digo que seja um motivo a mais de pressão, mas é algo que vamos sempre ambicionar: a conquista dos títulos. Há dois anos que não ganhamos o campeonato, mas defrontámos uma excelente equipa e o desporto é isso. Ganhamos, perdemos, mas o mais importante é que damos sempre o máximo em campo.»

Aos 40 anos, e depois de renovar contrato no início do verão, Merlim já conquistou tudo o que havia para conquistar de leão ao peito. A 12.ª temporada no Sporting é, por isso, encarada de forma diferente: mais do que provar alguma coisa, o capitão quer desfrutar dos últimos anos de carreira.

«Estou num momento em que digo que estou a desfrutar. Apesar da responsabilidade que é vestir esta camisola, não preciso de provar mais nada a ninguém. Exijo muito de mim próprio, porque amo aquilo que faço e quero continuar a competir ao mais alto nível durante o maior número de anos possível. Não sei se será mais um ano, mais dois, mais três, mas enquanto conseguir contribuir e ajudar os meus companheiros, quero continuar, porque, quando parar, vou sentir saudades de tudo isto.»

«Quero aproveitar o máximo possível. O clube onde jogo ajuda-me, nesta idade, a competir ao mais alto nível, porque jogo com excelentes jogadores e isso aumenta a competitividade no dia a dia. Portanto, é desfrutar dos anos que restam. Sinto-me bem.»

E se há um desejo que ganha força nesta fase final da carreira, é o de que o último capítulo seja escrito no João Rocha. «Claro que gostaria de terminar a carreira no Sporting. Penso que sou o estrangeiro que mais anos teve no Sporting e isso é um privilégio. Nem nos meus melhores sonhos imaginava representar um clube da grandeza do Sporting durante tantos anos», concluiu.

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