Treinador do Benfica analisou a vitória por 3-1 frente ao Gil Vicente

Marco Silva devia mudar a equipa toda

Benfica tem pouco ou nada a perder em Milão, tirando o jogo, e mesmo isso não coloca em causa a continuidade na Liga Europa; e no domingo há duelo no Dragão...

Trubin, Duarte Soares, Manu Silva, Circati, El Karouani, Barrenechea, Sudakov, Lukebakio, Echeverri, Kaminski, Durán. Tirando nunca terem jogado juntos, e o lateral-direito ser da equipa B (porque a lesão de Bah retirou alternativas), parece-me um onze interessante.

Talvez demasiado ofensivo. Que tal Miguel Figueiredo em vez de Sudakov ou Echeverri, ou Gabriel Índio a central adiantando Manu para o meio-campo? E ainda sobra Aursnes, que tem sido suplente mas vem de lesão e poderá fazer sentido preservá-lo.

Seja como for, mesmo sem contar com os habituais titulares, não faltam opções a Marco Silva. Até para mudar a equipa inteira. E devia fazê-lo amanhã, em Milão, na estreia na UEFA Europa League.

Nem é tanto a proximidade do jogo com o FC Porto (no domingo, no Dragão) que deveria levar à mudança radical, embora não deva deixar de ser levada em conta. Mesmo que o próximo adversário fosse o FC Arouca, é minha convicção que o melhor para o Benfica seria fazer descansar os principais jogadores na visita a Itália.

Sejamos realistas — poucos deles estarão em condições de dar a melhor resposta. O facto de haver apenas dois dias entre jogos (do de anteontem com o Gil para o de amanhã com o Milan), com uma viagem de avião pelo meio, a juntar ao intenso desgaste da última partida na Luz, pelo resultado, pela temperatura e pela humidade, convidam às mudanças. O próprio treinador das águias reconheceu, no final, que a sua equipa não foi capaz de pressionar o Gil tão bem como já fez com outros adversários.

Só pela gestão física, já faria sentido mudar tudo, ou quase. Mas aqui está a cereja no topo do bolo: o Benfica, em Milão, pouco tem a perder, a não ser o jogo — e mesmo isso terá pouca influência nas contas finais da Liga Europa.

Este é, em teoria, o jogo mais difícil dos encarnados na fase de liga da competição. O sorteio foi amigo, e o grau de dificuldade dos outros sete não assusta; mesmo derrotada em Itália, a equipa de Marco Silva não deverá ter dificuldades em seguir em frente, até diretamente para os oitavos de final.

Na época passada, Francesco Farioli, treinador do FC Porto, recorreu a rotações extremas na Liga Europa. Com um plantel mais curto que o do Benfica este ano, foi ainda assim 5.º na fase de liga e chegou sem grandes problemas aos quartos de final — e se Bednarek não tivesse sido expulso logo aos 8 minutos em Nottingham, se calhar poderia ter ido mais longe. Em todo o caso, ganhou vantagem competitiva para alcançar o objetivo principal: ser campeão nacional.

Rodar nesta fase de liga não significa desistir da Liga Europa. Depois, a eliminar, consoante estiver o campeonato e a força dos adversários europeus, será altura de pensar em ser mais ou menos conservador. Mas agora, em Milão, é fácil: repetir o onze, ou perto disso, nada garante, atendendo ao cansaço dos titulares; mudar tudo pelo menos assegura uma coisa — mais frescura para o Dragão.

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