Sporting: Alvalade tem sido fortaleza a atacar e a defender

Nos últimos sete jogos em casa foram festejados 25 golos e nenhum sofrido em três provas. Há mais: na era Rui Borges a equipa marcou sempre na Liga

Contra factos não há argumentos. E é com base em números e estatísticas que nos baseamos daqui para a frente. A vitória com o Casa Pia, por 3-0, marca um ciclo de sete jogos em Alvalade com resultados não só positivos como avultados, mas, também, de baliza invicta. Contas feitas foram marcados 25 golos e nenhum sofrido.

Mais, nesses sete resultados registam-se seis goleadas consecutivas em três competições, nomeadamente Liga, Taça de Portugal e Liga dos Campeões, algo que não acontecia em Alvalade já lá vão 60 anos.

O caudal ofensivo dos verdes e brancos tem sido, sem dúvida, o cartão de visita desta equipa que, depois de ter perdido uma das maiores referências ofensivas da história do clube — Gyokeres marcou 97 golos em 102 jogos de leão ao peito —, reinventou-se: o colombiano Luis Suárez chegou a Alvalade com o peso do rótulo de ser o sucessor do sueco e não está a desiludir. Já leva 20 golos, seguido de Pedro Gonçalves, com 10, e Trincão, 9, no topo dos melhores marcadores leoninos.

Mas há mais: na era Rui Borges, que começou a 26 de dezembro de 2024, o Sporting marcou em todas as jornadas do campeonato nacional já disputadas, ao todo são 37 jogos com 91 golos marcados (26 sofridos).

Trancas à porta na baliza

Do outro lado da barricada, entenda-se da baliza leonina, tem havido trancas à porta nos jogos em casa. No período atrás descrito (os últimos sete jogos, portanto), Rui Silva — titular em seis ocasiões — e João Virgínia — defendeu as redes no encontro com o Marinhense, referente à 4.ª eliminatória da Taça de Portugal — não sofreram qualquer golo, alcançando, assim, os melhores registos de clean sheets consecutivas na qualidade de equipa visitada dos últimos oito anos, algo que já havia acontecido na época passada, com Rui Borges (7). A melhor marca anterior (8) remonta à época 2017/2018, sob a batuta de Jorge Jesus.

A título de curiosidade diga-se que nos jogos anteriores a estes sete os leões também marcaram sempre, mais concretamente noutras sete ocasiões, mas sofreram meia dúzia de golos.

«Somos uma equipa grande, somos os campeões nacionais, por isso é natural, seja com o Rui Borges, seja com outro treinador, termos sempre um processo ofensivo, um caudal ofensivo maior do que o normal ou maior do que quase todas as equipas. Importante é que temos de continuar nessa senda e continuar nisso», disse Rui Borges há um mês, na antevisão ao Estrela da Amadora, jogo em que viria a ganhar por 4-0. E acrescentou: «Cabe-nos perceber no dia a dia de que forma é que podemos melhorar esse caudal ofensivo, como é que podemos torná-lo ainda mais mortífero, mais eficaz.»

E tem acontecido, mesmo de bola parada, com os leões a aproveitarem o exaustivo trabalho dessa componente com Fernando Morato. Mas voltemos aos números: contas feitas, e cingindo-nos aos jogos da Liga, o Sporting leva média de 2,8 golos marcados, fasquia já superior à da temporada passada, que foi de 2,6.

Geny Catamo na melhor versão

Na antevisão ao jogo com o Casa Pia Rui Borges tinha dado graças a Deus pelo facto de, ao contrário de Diomande, que chegou lesionado da seleção da Costa do Marfim, Geny Catamo ter regressado bem da CAN. E esse bem não foi só fisicamente, também foi de pé quente.

O ala moçambicano bisou diante do Casa Pia e chegou aos 10 golos numa temporada, tendo igualado o recorde pessoal, alcançado na época passada, sendo ainda que agora se cumpriu o primeiro jogo da segunda volta. Quer isto dizer que, de certo, a fasquia de golos será mais alta.

Esta já é a melhor temporada do dono da camisola 10 no que a maior influência direta em golos diz respeito, juntando meia dúzia de assistências à dezena de golos marcados, em 33 jogos. As maiores vítimas na carreira do moçambicano são Casa Pia e Benfica, a quem já marcou três golos, e Aves SAD (2).

Certo é que Catamo aproveitou bem a montra da CAN, tendo sobressaído no jogo histórico em que os mambas conseguiram a primeira vitória na prova — frente ao Gabão, por 3-2 —, ao marcar e fazer uma assistência, sendo que em Alvalade tem renovação em marcha, com uma possível saída no verão a ter 20 milhões de euros como base.