João Gião: «Para integrar a equipa A o jogador tem de ter qualidade»
Sete anos depois a equipa B do Sporting ascendeu à Liga 2 com João Gião no comando técnico na reta final do campeonato e, diga-se, os leõezinhos têm dado cartas entre os graúdos.
Em entrevista concedida ao canal televisivo do clube leonino, o treinador, de 39 anos, abordou diversos temas.
«Esta época tem superado as nossas expectativas, não esperava que estivéssemos tão bem classificados, esperava que fossemos competentes porque conheço os jogadores que tenho, apesar da tenta idade, mas que estivéssemos no topo, não», começou por dizer.
Questionado sobre o facto do porquê de se ter estreado tão tarde como treinador principal - fê-lo desde que chegou ao Sporting -, Gião foi claro: «Não tinha meta de idade fixa para começar, só queria estar preparado para quando isso acontecesse. Daí o meu percurso ter sido um pouco alternativos, em muitos países, como adjunto, como coordenador técnico. O Sporting foi o clube certo na hora certa, clube com base muito sólida, tanto a nível estrutural como coletiva, era uma conjuntura favorável e nem olhei para trás.»
«Pressão mais externa do que interna»
A pressão é algo com que se habituou a lidar desde que chegou à Academia, revelando que tem sabido lidar com as situações: «A pressão existe sempre. Foram momentos de pressão positiva a subida à Liga 2, mas a pressão até é maus mais externa do que interna, é um clube grande. Não preparamos jogos para ganhar sempre, a equipa B tem uma série de premissas ao longo da semana, como por exemplo os jogadores que dispensamos para a equipa A, certo é que matemos sempre cultura de vitória e exigência, eles sabem que a nossa mentalidade é sempre sermos competitivos e tentar ganhar os jogos. Estar num clube grande temos de estar preparados para lidar com todos os momentos.»
Fazendo uma análise do que mudou no plantel da época passada para o atual, Gião realçou alguns apontamentos: «Perdemos alguns jogadores, recuperámos outros, mas 85 por cento são os mesmos. A equipa teve um crescimento evolutivo grande, nos jovens isto acontece muito, o crescimento é exponencial. Entrámos bem no campeonato, com grande ambição, instalámo-nos lá em cima e tivemos rendimento suficiente para uma primeira volta de sucesso. Agora estamos numa fase menos positiva [quatro derrotas consecutivas]. A Liga 2 é mais competitiva e as derrotas que temos tido foram jogos em que fomos extremamente competitivos, mas aqui ou ali tivemos uma falha de concentração ou numa bola parada e não conseguimos os três pontos, se fosse na Liga 3 se calhar dava para ganhar.»
Quanto à missão da equipa secundária, a resposta foi inequívoca: «Aqui a evolução do jogador é o principal desafio, mais do que fosse só lutar pelos pontos. Nesta Liga temos de ser competitivo e continuar a fazer crescer os jogadores. Temos de correr estes riscos e acelerar processos.»
Uma volta sem repetir um 11
João Gião mostrou-se satisfeito com o retorno que tem tido dos jogadores, foram 30 os que já utilizou na primeira volta da Liga 2, cinco dos quais juniores, e a explicação é simples: «É o nosso objetivo. Encantado da vida, com cinco jogadores da equipa B a estrearem-se na A, num plantel tão completo, mas, nesta fase em que a equipa A está a lidar com muitas ausências, é um efeito em cadeia e isso vai impactar no nosso desempenho, mas, por outro lado, vê-se o desempenho de outros jogadores que ainda não estariam para este escalão, mas já apareceram.»
E fez questão de salientar: «Não há grandes ilusões, é a qualidade. Para integrar a equipa A tem de ter qualidade, além das questões táticas, técnicas e físicas, sendo que tem grande peso a estrutura mental, ainda mais numa indústria em constante evolução como o futebol.»
E como faz a gestão dos jogadores quando regressam da equipa A: «Sempre com a verdade. Levo-os sempre a ver as placas que estão na Academia para verem os que se estrearam, os que vingaram e os outros que já nem jogam. Nem todos os caminhos foram felizes e de sucesso.»
Quanto à relação com Rui Borges, o treinador da equipa B não teve rodeios na resposta: «É muito facilitada, fluída e informal, aliás, com todos os elementos da equipa técnica. Falamos todos os dias, há troca de informações fundamentais para o nosso trabalho diário. É o nosso processo, cujo objetivo será sempre formar jogadores.»