Pjanic: «Vítima pela maldição da barreira, Cristiano era uma máquina em tudo»
Miralem Pjanic, antigo médio da Juventus, analisou o momento atual do clube de Turim, abrindo o livro de memórias e deixando conselhos para o futuro da equipa, apontando Bernardo Silva como reforço ideal, numa extensa entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.
Atualmente com 35 anos e a viver uma nova fase da sua vida no Dubai, Pjanic está a reinventar-se após o final da carreira. «Estou a aprender o ofício de agente, colaboro com o meu empresário Fali Ramadani. Junto a experiência e os conhecimentos de futebol às muitas línguas que falo», revelou o bósnio, que domina sete idiomas.
No Dubai, Pjanic desvaloriza as tensões no Médio Oriente: «Moro perto do centro. Por vezes sente-se algo estranho no ar, ouve-se o barulho dos mísseis iranianos a serem interceptados, mas estamos em segurança e constantemente tranquilizados pelas autoridades locais. Dos amigos que vivem na Europa, recebo mensagens e notificações, quase todas notícias falsas.»
Sobre a continuidade de Luciano Spalletti no comando técnico da Juventus, Pjanic considera a decisão certa: «Fui treinado por ele seis meses na Roma: é um técnico de topo. Spalletti deu uma identidade precisa à equipa e o clube precisa agora de estabilidade para voltar a vencer. É o homem certo para abrir um ciclo, mas obviamente não chega: serão precisos pelo menos três reforços de nível, um por setor».
O Cristiano era uma máquina em tudo. Uma vez, o Allegri deixou-nos no banco para descansarmos, regressámos às duas da manhã da deslocação e ele ainda parou na Continassa para treinar
Questionado sobre possíveis reforços para o meio-campo, o bósnio não teve dúvidas em eleger o internacional português Bernardo Silva como a peça-chave: «Se não posso fazer o investimento em Tonali, então contrato o Bernardo. É o campeão de que a Juventus precisa. Qualidade, personalidade, experiência, carisma. O Bernardo faz a diferença.»
«Um vermelho custou-me 40 mil euros... em malas da Louis Vuitton»
Recordando os seus tempos sob o comando de Massimiliano Allegri, Pjanic destacou a capacidade de gestão do técnico italiano, considerando-o o número um nesse aspeto. «Ele via tudo com antecedência. Antes dos quartos de final da Champions contra o Barça, chamou-me à parte: 'Tenta alguns cantos para o Chiello [Giorgio Chiellini], amanhã marcamos um golo assim'. Dito e feito», contou.
O antigo médio partilhou também uma curiosidade sobre os bastidores do balneário da Juventus, onde jogou ao lado de Cristiano Ronaldo. «Tínhamos uma regra no balneário. A cada expulsão, tinhas de dar um presente a todos. A mim, um cartão vermelho custou-me 40 mil euros em malas da Louis Vuitton».
Pjanic recordou ainda a ética de trabalho do craque português: «O Cristiano era uma máquina em tudo. Uma vez, o Allegri deixou-nos no banco para descansarmos, regressámos às duas da manhã da deslocação e ele ainda parou na Continassa para treinar.»
E continuou: «O Max estimulava-me. Até Cristiano Ronaldo começou a deixar-me marcar os pontapés livres, passado algum tempo. O Cris, no Real Madrid, era um especialista, mas, na Juventus, foi vítima da maldição da barreira. Por isso, depois de um par de meses, disse-me 'Mire, agora, é a tua vez'. Que grande equipa. Os jogos mais pequenos eram como meias-finais da Liga dos Campeões.»
Desafiado a escolher o melhor jogador que alguma vez viu a cobrar pontapés livres, o antigo jogador não conseguiu decidir-se: «Cresci no Lyon com Juninho Pernambucano, um verdadeiro fenómeno. Tive o privilégio de jogar com Totti, [Cristiano] Ronaldo e Messi...»