Cada um faz a sua classificação e depois logo se vê
Há um desafio que lanço a mim próprio todos os anos, mas depois percebo que só com uma bolsa para dissertação de mestrado ou mesmo tese de doutoramento seria possível sustentar tal atividade: monitorizar, jogo a jogo, competição a competição, todas as queixas sobre arbitragem de cada um dos três maiores clubes portugueses. Mas não apenas isso: assinaladas as queixas, verificar entre todos os especialistas (não sei se têm noção de quantas pessoas estamos a falar, entre jornais, televisões, rádios, redes, podcasts, vídeocast, protocast e afins), verificar entre especialistas, retomo a ideia, quantas dão ou não razão a cada uma das queixas. Fica a sugestão para um estudante afoito, eu desisti.
Uma dica: normalmente, o número de queixas é inversamente proporcional ao lugar na classificação, mas pode ser só um acaso, daí a necessidade de a ciência provar uma tendência e não apenas alimentar perceções.
Esta época, por exemplo — e ao contrário do que sucede com o número de pontos na tabela classificativa — já não há jornadas que cheguem para destronar o campeão das queixas. Até pode aumentar a intensidade de qualquer dos adversários (o que acontecerá se o campeão das queixas afinal for também campeão dos pontos), mas em número de ocorrências é virtualmente impossível.
Se conseguíssemos convencer FIFA e UEFA, talvez fosse interessante inaugurar um novo modelo competitivo em Portugal — e tanto se fala em modelos competitivos, na verdade.
Era assim: cada um dos três candidatos crónicos ao título criava a sua classificação própria, que seria analisada à 11.ª, 22.ª e 33.ª jornadas mediante determinados critérios de ponderação. Analisada a classificação à penúltima jornada... em princípio o desacordo seria o mesmo que é hoje, mas pelo menos todos tinham sido ouvidos.
Critérios de ponderação? Claro: para cada decisão que achamos errada de um árbitro que opiniões contam? Apenas as que nos favorecem ou todas as outras? Que imagens podemos ver — as do nosso canal de televisão ou todas?
Uma adenda: se a meio do campeonato alguma equipa (provavelmente o SC Braga) estiver em condições de discutir o título, tem também direito à sua classificação, mas com ponderação de 50 por cento, que isto não é chegar aqui e ser grande sem mais nem menos.
Querem apostar que o campeão seria o mesmo?
Artigos Relacionados: