José Mourinho
José Mourinho

Sofrer até ao fim no (re)início vitorioso de Mourinho no Real Madrid

Bernardo Silva estreou-se pelos merengues em jogos oficiais na vitória por 2-1 frente ao Espanhol, que chegou só ao minuto 90, com golo de Carlos Espí

MADRID — Foi com sofrimento até ao fim que decorreu a estreia de José Mourinho nesta nova passagem no Real Madrid. A equipa madrilena venceu, em Barcelona, o Espanhol por 2-1, com um golo apontado ao minuto 90 a salvar os três pontos na segunda jornada da LaLiga, a primeira para os blancos, já que a ronda de estreia foi adiada para as equipas espanholas que tiveram vários jogadores a competir no Mundial.

Havia bastante expectativa por conhecer a formação escolhida por José Mourinho para o seu primeiro jogo oficial na sua segunda etapa como treinador do Real Madrid. Para iniciar o desafio contra o Espanhol, Mou entregou a defesa da baliza a Courtois. Havia dúvidas sobre quem colocaria no lado direito da defesa, entre os dois candidatos Dumfries e Trent, o neerlandês ganhou a partida ao inglês. No centro da retaguarda Konaté impôs-se a Rudiger, Huijsen parece intocável, enquanto na esquerda apareceu Carreras num lugar que pertencerá a Cucurella quando estiver no melhor da sua forma física. 

Para o meio-campo os escolhidos foram, como se esperava, Bernardo Silva e Valverde. Havia dúvidas entre Bellingham e Arda Guler, mas, finalmente, o técnico optou por ambos. O inglês como médio-ofensivo e o turco no lado direito do ataque, Vinícius Jr. ocupou a habitual zona esquerda, com Mbappé como ponta de lança. No banco ficou Diomande, a contratação mais cara na história do Real Madrid.

Já se sabia que este primeiro compromisso do Real Madrid não seria fácil. O Espanhol teve grandes dificuldades, na época passada, para salvar-se da descida, mas reforçou-se bem e começou esta liga em bom plano, batendo a equipa de Luís Castro, o Levante, por um contundente 3-0. Além disso, jogava em casa, com o apoio do público, o que representava um fator mais em desfavor dos visitantes. 

O Real, porém, teve um muito bom começo. Tomou conta do controlo do jogo, lançou-se à ofensiva e, aos nove minutos, colocou-se em vantagem no marcador. Arda Guler marcou um livre do lado esquerdo, mandando a bola com precisão para Bellingham, que, saltando mais alto que os defesas, bateu o guardião local. 

Melhor não podia ter sido o início para a turma de Mourinho que, no entanto, permitiu que, pouco a pouco, a turma local fosse entrando no desafio. Courtois viu-se obrigado a ter de fazer uma grande defesa, mas já não conseguiu evitar o tento da igualdade surgido à meia hora. Javi Hernández centrou para a área e aí apareceu Calatrava para, com um remate certeiro, bater Courtois

O Real Madrid não iniciou o segundo tempo de forma frenética como fez no primeiro, mas, mesmo assim, perto esteve de desfazer o empate num remate de cabeça de Bellingham, que Dmitrovic salvou de forma milagrosa. De resto, o guarda-redes local já antes tinha feito um par de enormes intervenções, evitando ser batido por Mbappé

Embora exercendo certo domínio e conseguindo pontapés de canto seguidos uns aos outros, à turma visitante faltava ritmo e todas as suas jogadas de ataque morriam na bem organizada defesa do Espanhol. Mourinho quis alargar a frente fazendo entrar Cucurella e Diomande, mas sacrificando Arda Guler, que vinha sendo o melhor jogador da equipa. As substituições não deram o resultado que se esperava, Diomande não foi o jogador vertical que a equipa necessitava e a turma local continuava, comodamente, a solucionar todos os problemas. As situações de perigo não surgiam, salvo um remate de Valverde que levou a bola ao poste. 

Já perto do fim, e com a equipa apertando no ataque, Mourinho tomou a boa decisão de fazer entrar o jovem Carlos Espí, um verdadeiro matador de área que, no minuto 90, aproveitou uma bola solta, driblou o guarda-redes e fez o golo do triunfo. Os 25 milhões de euros que o Real pagou por este miúdo vão sair muito baratos. 

O melhor para o Real foi, sem dúvida, o resultado. Há vários jogadores ainda com carências físicas, talvez haja ainda alguns vícios do passado que persistem e tudo isso significa que a Mourinho lhe espera ainda muito trabalho por fazer. Vitória sofrida, mas merecida.

Bernardo Silva é um dos que ainda está longe da melhor forma. Esforçou-se, mostrou qualidade, ainda lhe faltam alguns mecanismos para poder entender-se com os seus companheiros. É tudo uma questão de tempo até que atinja o nível de organizador de jogo que a equipa necessita.

A iniciar sessão com Google...