Palhinha e Giménez: jogadores com a faca e o queijo na mão
João Palhinha vai ser jogador do Benfica, Santiago Giménez vai ser jogador do FC Porto, e os clubes portugueses conseguem duas contratações de peso, junto de Bayern e Milan, que, normalmente, estariam fora do seu alcance.
Mas neste mundo de mercado, de compra e venda de jogadores, de mais-valias e défices contabilísticos, em que os atletas parecem tratados como mercadoria, são eles, na verdade, que têm a faca e o queijo na mão.
«O João bateu o pé e disse ao Bayern que ou ia para o Benfica ou não ia para mais lado nenhum. Em Inglaterra não via os filhos com a regularidade que queria e que gostaria e aqui em Portugal tem essa facilidade», contou Diogo Viana, amigo do médio internacional português e ex-jogador, ao podcast DeLetra.
À Sport TV, explicou que o Bayern ficou sem alternativas: «O Bayern percebe que ou aceita os termos do Benfica ou vai ficar com um jogador que só lhe dá despesa.»
O Newcastle fez proposta atraente para os bávaros, mas nunca conseguiu convencer João Palhinha. E o Bayern tinha duas opções: ou aceitava o que o Benfica propunha, mesmo que abaixo do que pretendia, e do que os magpies ofereciam; ou ficaria com um jogador que não queria ter, tendo ainda de pagar-lhe, em vez de receber qualquer coisa...
A situação de Santiago Giménez não é muito diferente, embora para o mexicano o FC Porto não fosse a única possibilidade a considerar para aceitar sair de Milão. Mas a partir do momento em que disse sim aos dragões, é inevitável que a transferência acabe por concretizar-se, não vá dar-se o caso de o avançado recusar depois todas as outras possibilidades e preferir ficar a dar voltas ao campo durante a época inteira.
Há clubes que preferem isso. Levam o braço de ferro até ao fim, recusam-se a aceitar menos do que o que definiram, e preferem ficar com alguém sem jogar do que serem chantageados, como entendem ser o caso em situações destas. Mas são poucos. E muitas vezes são apenas ameaças, tentativas de levar os jogadores a considerar, ou aceitar, ofertas que não pretendiam, em vez de dizerem 'ou este ou nada'. Só que quando o atleta não fraqueja, responde ao bluff e pede para ver as cartas, é muito raro que perca.
Pelo menos nos casos em que o clube quer ver-se livre dos jogadores. Quando são eles a querer sair mas o clube quer guardá-los, também conseguem fazer pressão, mas muitas vezes têm só a faca e não o queijo.