Este Sporting precisa de tempo, a questão é se o terá
A pré-época recheada de vitórias e golos deixou os adeptos do Sporting de água na boca para o que aí viria, mas o arranque da temporada a doer refreou os ânimos e não foi, apesar da margem mais confortável do que acontecera frente ao Vitória de Guimarães, pela vitória de ontem que o cenário mudou. Ato pouco habitual, Rui Borges mudou, de uma vez só, todo o eixo defensivo e o leão ganhou alguma segurança e não tremeu que nem varas verdes depois de estar em vantagem, como sucedera nas duas primeiras jornadas, mas, tudo espremido, a exibição não convenceu nem o mais otimista sportinguista.
Pelo perfil das contratações percebeu-se que Rui Borges quis mudar a cara ao leão e torná-lo mais vertiginoso e incisivo, num virar de página que levou à debandada de muitas peças nucleares dos últimos anos. E reconstruir uma equipa com a época em andamento acarreta riscos. Ter Flávio Gonçalves (Irankunda deverá, a curto trecho, ser o dono do lugar), Zalazar e Catamo atrás do ponta de lança é muito diferente de ter Pote e Trincão a acompanhar o moçambicano e Altimira (de longe o reforço mais integrado, nesta altura) e Doumbia não jogam, naturalmente, de olhos fechados como faziam Hjulmand e Morita. O recuar do italiano para o duplo pivô não parece estar a funcionar e tão bem que correu a dupla Altimira-Silas na pré-temporada...
Este leão precisa, sobretudo, de tempo para cimentar processos e ideias e entrosar tanta gente nova que chegou, mas Rui Borges sabe que é, hoje, um treinador pressionado e com crédito a roçar o zero depois do humilhante final da época passada, que só não foi mais dramático pela oferta do Benfica do 2.º lugar e consequente acesso à Champions. O balão do entusiasmo do animado mercado entradas e saídas já esvaziou e o contador para os adeptos voltou ao zero. Há uma espécie de paz podre que só irá para trás das costas se a equipa crescer e os puxar e, acredito, o fecho do mercado poderá servir para o barco de Alvalade entrar em águas mais calmas.
Colocar Pedro Gonçalves e Daniel Bragança não está a ser tão fácil como se suporia, o 'caso' de Luis Suárez desestabiliza e nem é certo que Frederico Varandas e Catamo resistam ao apelo e aos milhões da Premier League. Perder a genica de Geny no fim de mercado seria mais um duro golpe difícil de superar, até porque o FC Porto continua coeso e eficaz e no Benfica começa a ver-se o dedo de Marco Silva e do onze do leão da fatídica final do Jamor com o Torreense para o de ontem só resistiram quatro (Rui Silva, Maxi, Catamo e Suárez). Não é coisa pouca, convenhamos.