Há um novo menino bonito de €80 milhões em Inglaterra e o Benfica já sofreu com ele
Anthony Gordon consolidou em definitivo o seu estatuto na seleção de Inglaterra, juntando-se ao lote de habituais titulares e figuras de proa dos Three Lions ao lado de nomes como Jude Bellingham, Harry Kane, Declan Rice e Jordan Pickford. O extremo, ao serviço do Barcelona depois de ter sido contratado no último defeso ao Newcastle, mereceu inclusive rasgados elogios do capitão, Kane, que o apontou como uma das peças fulcrais da equipa.
Com um total de 27 internacionalizações e seis golos pelo seu país, o jogador de 25 anos tem vivido um período de afirmação contínua. Em destaque no último Campeonato do Mundo, Gordon garantiu uma transferência de 80 milhões de euros do Newcastle para os gigantes catalães no verão e deu seguimento ao bom momento na Liga das Nações. Na última terça-feira, inaugurou o marcador no triunfo por 2-0 sobre a Chéquia, depois de já ter faturado no sábado anterior, na derrota por 2-3 frente à Espanha, em Wembley.
Na época passada, o extremo foi a figura do Newcastle, com 17 golos em 46 jogos — e o Benfica teve de provar do seu talento: no duelo para a Liga dos Campeões entre as duas equipas, a 21 de outubro, Gordon foi o melhor em campo, com um golo e uma assistência.
A influência de Gordon começou a ganhar contornos expressivos a partir da fase a eliminar do Mundial, registando desde então uma média de uma participação em golo a cada 69 minutos. O trajeto arrancou nos 16 avos de final, ao assistir Harry Kane nos dois golos da vitória por 2-1 diante da RD Congo, a que se seguiu a conquista de uma grande penalidade decisiva no embate dos oitavos de final frente ao México, no Estádio Azteca. Nas últimas seis partidas por Inglaterra, o extremo contabiliza três tentos e três assistências — igualando os seis contributos diretos para golo de Jude Bellingham no mesmo período.
Perante este rendimento, Gordon aproxima-se do lote de atletas intocáveis para o selecionador Thomas Tuchel. Questionado sobre a titularidade do avançado, o técnico alemão foi assertivo: «Está a lá chegar. Está a defender a sua camisola, a defender o seu lugar. Teve mais uma excelente exibição após o jogo com a Espanha. Foi muito decisivo [contra a República Checa] e marcou um golo soberbo. Era muito difícil, mas a técnica e a finalização foram excelentes. Tem tido ações determinantes, joga ao mais alto nível e é um jogador muito importante.»
Anthony Gordon - MOTM Performance vs Czech Republicpic.twitter.com/Jb7aDXiSvz
— Football Performances (@FCPerformances) September 30, 2026
Também Harry Kane sublinhou a maturidade demonstrada pelo extremo: «Ele está a provar que pertence ao mais alto nível, tanto no Barcelona como na Inglaterra. As suas exibições nos últimos encontros estiveram entre as melhores que já fez com esta camisola. Acho que está simplesmente a desfrutar de representar o país e de ser uma das principais figuras da equipa.»
O lado esquerdo do ataque inglês vinha sendo um setor instável, onde concorrentes como Marcus Rashford, Eberechi Eze, Phil Foden e Noni Madueke foram testados sem assegurar a titularidade plena. Gordon, que começou a ganhar espaço durante o período em que Lee Carsley assumiu o comando interino, chegou a referir em outubro passado que tinha demonstrado apenas metade do seu potencial pela seleção. Os números comprovam agora a sua subida de rendimento: desde os oitavos de final do Mundial, figura entre os quatro melhores ingleses em assistências esperadas (0,9), golos esperados (0,9), passes para a área (14), toques na área adversária (29), ocasiões criadas (oito) e remates à baliza (cinco), tendo ainda somado quatro disparos diante dos checos — o registo mais alto da equipa, feito que também repetiu frente a Espanha.
A ascensão de Gordon cruza-se ainda com a trajetória de Marcus Rashford. O avançado do Manchester United esteve emprestado ao Barcelona na temporada transata, mas o emblema catalão optou por não avançar para a contratação definitiva, investindo fortemente em Gordon e o extremo já soma cinco assistências no campeonato espanhol e cimenta a sua posição de destaque em solo internacional.
A afirmação de Anthony Gordon no Barcelona tem vindo a transformar a perceção geral sobre as suas qualidades técnicas e táticas, consolidando o seu estatuto na seleção de Inglaterra.
Com capacidade para desequilibrar pelas alas tanto no corredor interior como no exterior com recurso à sua velocidade antes de cruzar, Gordon mereceu rasgados elogios de Paul Robinson. Em declarações prestadas à BBC Radio 5 Live, o antigo guarda-redes inglês recordou a transferência do jogador e a sua importância na seleção: «As pessoas franziram a sobrancelha quando Anthony Gordon foi para o Barcelona pelo valor que foi e Marcus Rashford regressou ao Manchester United. Ele tornou-se uma peça fundamental da equipa de Inglaterra. Houve determinados jogos no Campeonato do Mundo em que foi substituído e não deveria ter sido — acho que outros deveriam ter saído em vez dele.»
Robinson destacou ainda o perigo constante que o extremo representa: «Gordon, quando está cheio de confiança e corre com a velocidade que tem, consegue ir para qualquer um dos lados e causa todo o tipo de problemas aos laterais.»
Em declarações à ITV, o próprio avançado admitiu que o futebol espanhol lhe permitiu evidenciar atributos que antes passavam despercebidos. «Sempre senti que, em Inglaterra, as pessoas me respeitavam porque era rápido e pressionava, mas nunca respeitaram verdadeiramente a qualidade e a inteligência de jogo com que atuo», frisou Gordon.
«Apenas os colegas com quem jogo pareciam notar isso. Penso que agora estou no Barcelona e pratico um estilo diferente, essas qualidades são muito mais realçadas e as pessoas começam a perceber que não sou apenas veloz. Em Inglaterra, isso nunca foi realmente respeitado porque apenas me viam como muito rápido e agressivo. Em Espanha, apreciam bastante a minha inteligência e qualidade porque, no Barça, se não formos técnicos e inteligentes, sobressaímos pela negativa», detalhou o internacional inglês.
Por sua vez, Tuchel está a começar a estruturar uma equipa que acredita ter capacidade para competir e triunfar no Campeonato da Europa de 2028. Contudo, a meta imediata passa por vencer a Liga das Nações, objetivo no qual o papel de Anthony Gordon promete ser determinante.